Inadimplência do consumidor recua 3,9% em fevereiro, diz Boa Vista

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / YouTube / Boa Vista

A Boa Vista, empresa brasileira de análise de crédito, divulgou estudo sobre a inadimplência do consumidor brasileiro. A análise constatou que houve queda de 3,9% em fevereiro na comparação com janeiro, já descontados os efeitos sazonais.

Na relação com fevereiro 2019, indicador subiu 0,4%, mas, no acumulado de 12 meses, houve recuo de 1,4%.

Segundo informa a empresa, “a queda da inadimplência observada a partir do final de 2016 pode ser explicada pela maior cautela das famílias, pela capacidade de endividamento dos consumidores ainda limitada pelo fraco crescimento da renda e pelo efeito defasado da maior seletividade dos bancos no período mais agudo da crise”.

“Com isto”, segue, “a inadimplência dos consumidores atingiu um patamar historicamente baixo, o que proporcionou a redução dos juros e motivou o aumento das concessões a partir de 2017, o que, por sua vez, vêm resultando em um crescimento significativo do endividamento e do comprometimento nos últimos meses”.

Em janeiro de 2020, em comparação com, o mês anterior, o índice já havia recuado 2%.

Comparação regional

A queda mais acentuada de janeiro a fevereiro de 2020 aconteceu na região Sul, com menos 4,2% consumidores endividados. A região Norte vem na sequência, com 4%; seguida da Sudeste e Nordeste, ambas com queda de 3,9%; e, por fim, da Centro-Oeste, com 3,1%, a única abaixo da média brasileira, de 3,9%.

Na comparação com fevereiro de 2019, a maior queda também é da região Sul, com 1,5%, seguida da Centro-Oeste, com 0,9%. As demais regiões apresentaram aumento do endividamento: Norte (2%), Nordeste (1,9%) e Sudeste (0,4%, exatamente o mesmo percentual do Brasil como um todo).

Nos 12 últimos meses, contados de março de 2019 a fevereiro de 2020, a região Sul também lidera a queda de inadimplência, com 3,6%. Todas as regiões assinalaram quedas, com Centro-Oeste (2,6%), Nordeste (1,6%), Sudeste (0,7%) e Norte (0,6%). A média brasileira é de 1,4%.

Análise

Os economistas da Boa Vista têm “alertado que o elevado nível de desocupação e subutilização da mão-de-obra, somado à lenta recuperação da renda, aumenta a possibilidade de que esta expansão recente dos empréstimos resulte em maior inadimplência nos próximos meses”.

O relatório mostra que, de fato, “apesar do resultado mensal de fevereiro, nota-se que a análise acumulada em 12 meses parece ter seguido nesta direção ao apontar desaceleração no seu ritmo de queda. Além disso, outros dados de mercado mostram que a inadimplência tende a crescer mais entre os consumidores de menor renda, exatamente os mais afetados pela lenta recuperação do mercado de trabalho”.

A equipe econômica da empresa afirma ainda que, “por ora, passado o período mais intenso da crise e a melhora da expectativa referente ao ambiente econômico, o indicador demonstra sinais de que caminha para a estabilização após quatro anos consecutivos de queda nos registros. (…) Uma retomada mais vigorosa e generalizada do crédito aos consumidores, sem aumento dos riscos, segue condicionada, a curto prazo, à evolução do mercado de trabalho e do endividamento das famílias”.

A Boa Vista

Criada há mais de 60 anos como SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), a Boa Vista “tem contribuído significativamente para o desenvolvimento da atividade de crédito no Brasil, ajudando o País a estabelecer uma relação de consumo mais equilibrada entre empresas e consumidores”.

A empresa é precursora do Cadastro Positivo, banco de dados com informações sobre o histórico de pagamentos, que deixa a análise de crédito mais justa e acessível.

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