Inadimplência cai mas Brasil ainda registra 61 milhões de negativados

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.

Crédito: Divulgação: Pixabay

Conforme dados divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a inadimplência no Brasil recuou em 2019. 

No ano foi registrado queda de 0,2% no número de inadimplentes. Apesar de parecer pequena, na verdade a redução da inadimplência foi significativa quando comparada a 2018, que registrou alta de 4,4%.

Sendo assim, contribuiu para isso fatores como: melhora gradual do cenário econômico, além de campanhas nacionais de renegociação de dívidas. 

A liberação dos recursos do FGTS também contribuiu para ajudar os brasileiros a colocarem suas contas em dia.

“A expectativa é de que a inadimplência siga em queda pelos próximos meses, mas a passos lentos. A aceleração desse quadro passa pela continuidade da melhora econômica e, em especial, daquilo que toca diretamente o bolso do consumidor: emprego e renda. Mesmo com a inadimplência caindo aos poucos, as famílias ainda enfrentam dificuldades para honrar seus compromissos em dia, tanto é que há um estoque elevado de pessoas com contas sem pagar”, disse o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.

Apesar do recuo no número de devedores, a estimativa é que aproximadamente 61 milhões de brasileiros tenham iniciado 2020 com dívidas em atraso.

Inadimplência por região

O Norte figura como a região com maior número de inadimplentes em termos proporcionais, com 47,2% dos residentes adultos negativados.

Na sequência aparece o Centro-Oeste, com 42,4% de inadimplentes, seguido pelo Nordeste, com 40,2% 

O Sudeste assume a quarta posição no ranking dos inadimplentes, com 37,4% de pessoas com contas em atraso. Por fim, o Sul fica em último colocado, com 35,5% de inadimplentes.

Inadimplência por faixa etária

A pesquisa mostra ainda que a inadimplência tem mostrado comportamentos diferentes no que se refere a faixa etária. 

Isso porque, ao mesmo tempo em que caiu o número de devedores mais jovens, observou-se também um aumento no número de idosos negativados. 

Dessa forma, considerando a população de 18 a 24 anos, houve queda de 21% na quantidade de devedores. Entre aqueles na faixa de 25 a 29 anos, o recuo foi de 11,2%. Já para os que têm entre 30 a 39 anos, caiu 3,2%).

Por outro lado, considerando as pessoas de 50 a 64 anos, houve uma alta de 1,8% na inadimplência, enquanto entre os idosos de 65 a 84 anos, a alta foi de 3,7%.

“A permanência maior dos idosos no mercado de trabalho e, portanto, mais ativos no mercado de consumo, assim como a renda menor este estágio da vida, são fatores relevantes que impulsionam a inadimplência neste público. Há ainda o hábito que alguns idosos possuem de emprestar o nome a terceiros, geralmente familiares, principalmente diante da facilidade de acesso ao crédito consignado. Com o desemprego alto, em muitas famílias o idoso que recebe a aposentadoria é a única fonte de renda”, analisa a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.