‘Importante é saber que menos é mais’, ensina Carulice, da EQI, sobre finanças

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: ‘Importante é saber que menos é mais’, ensina Carulice, da EQI, sobre finanças pessoais

Quem quer viver financeiramente bem, precisa entender que menos é mais. A afirmação é do assessor de investimentos Lucas Carulice.

Sócio da EQI Investimentos, ele deu diversas dicas acerca de investimentos pessoais, organização financeira e aplicações.

Conforme ele, a técnica se baseia mais em comportamento de consumo do que em controle de gastos. “Controle de finanças se faz setorizando a própria vida”, disse.

Setorizar a própria vida significa anotar o que se gasta com transporte, manutenção da casa, estudos e lazer.

Carulice recomendou que se pegue um envelope para depositar todo o salário e outros envelopes representando cada setor elencado. “À medida que se vai pagando as contas ou gastando dinheiro, você vê o envelope principal ficando vazio. Isso traz aprendizado”, frisou.

Ele também ensinou sobre ‘loop de recompensa’, que envolve gatilho, rotina  e recompensa. “É importante destinar uma parte de sua recompensa para lazer”, reforçou.

Isso porque quando não há lazer, há menos esforço para se aumentar a renda e o capital. Entretanto, lazer sem recurso destinado a isso é mexer no dinheiro das despesas fixas.

Segundo ele, essa rotina fará entender de onde vem e para onde vai o dinheiro. Essas e outras dicas podem ser assistidas no canal do Euqueroinvestir.com no youtube.

Tipos de despesas

De acordo com Carulice, existem tipos de despesas que são as obrigatórias e fixas, como aluguel e condomínio, as não obrigatórias e fixas, como revistas e academia, as despesas não obrigatórias e variáveis, como restaurantes e passeios, e as obrigatórias e variáveis, como conta de luz, telefone e alimentação.

“Imagine um sinal de trânsito. Se você ganha mil e gasta mil, acende o pisca amarelo. Se você ganha mil e gasta dois mil, acende o vermelho. Entretanto, se você ganha mil e gasta setecentos, a luz é verde. Todos devem gastar menos do que se ganha”, ensinou.

E acrescentou: “é muito importante saber que menos é mais, buscar uma vida mais minimalista [menos consumo para mais segurança financeira] e, principalmente, compreender que quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”, disse, citando Lewis Carroll.

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Três passos importantes

Conforme Carulice, existem três passos importantes para alcançar estabilidade. São eles segurança financeira, independência financeira e liberdade financeira.

“Se você multiplicar teus gastos por 200, vai obter uma renda de meio porcento ao mês”, disse. Parece pouco, mas, se aplicada, essa porcentagem pode corresponder ao recurso que se enquadra no padrão de gastos mensal.

Para Carulice, todos devem ter uma renda principal e uma renda extra. “A renda extra pode partir daquilo que as pessoas mais próximas dizem que você faz bem”, ressaltou, em referência a se fazer profissionalmente aquilo que se faz por lazer.

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Já a terceira fonte de renda é a passiva, que são os rendimentos que se recebe, mesmo que não coloque a mão, como aluguel, investimentos em ativos e aplicações financeiras.

“É importante não misturar essa terceira fonte com sua despesa mensal. Ela deve ser usada para reforçar ainda mais essa via de receita”, frisou.

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Ativo e passivo

Carulice desmistificou a diferença entre passivo e ativo. “Se tira dinheiro do seu bolso, é passivo. Se joga dinheiro no seu bolso, ativo”, explicou.

Conforme ele, um carro é passivo, pois gera despesa ao tirar dinheiro do bolso todos os meses. A casa própria é passivo pela mesma razão. Já a casa alugada para terceiros é ativo, pois gera dinheiro e não despesa.

“Não existe almoço grátis, se você não souber quem tá pagando seu almoço, provavelmente a sobremesa será você”, brincou, em referência a promoções de todos os tipos, em especial de automóveis, que oferecem baixa entrada e inúmeras facilidades.

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Risco, retorno e liquidez

De acordo com Carulice, Bolsa é investimento de renda variável, ou seja, de risco. “Posso ganhar dinheiro, mas também posso perder. É normal”, disse.

Já o risco de crédito, segundo ele, é perder dinheiro com negócios, família e amigos. “Você emprestou dinheiro, cheque ou nome porque quis, assim, o risco e a responsabilidade é sua.”

Por fim, risco de liquidez é não conseguir vender o que se quer na hora que se quer. “É a não capacidade de transformar um ativo em dinheiro imediatamente”, explicou.

Ciclo de vida do investidor

Segundo Carulice, o primeiro ciclo de vida do investidor é a fase de acumulação. Em seguida há a fase da multiplicação, quando se alcança renda e despesa elevada. Já a terceira fase é a da distribuição, onde as receitas vão cair, as despesas também, mas o patrimônio está formado.

“Na terceira fase, porém, o horizonte de investimento é muito mais curto. E também, no final da vida se precisa de liquidez mais rápida”, explicou.

Reserva de emergência

Conforme Carulice, a reserva de emergência corresponde a ter o equivalente de três a seis meses seu gasto mensal. “Autônomos precisam ter colchão de emergência de 12 meses”, disse.

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Panorama do brasileiro

Levantamento do mercado financeiro indica que 62 milhões de brasileiros fecharam 2018 com nome no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito).

O endividamento das famílias no país chega a 63% e o brasileiro médio demora nove gerações para sair da linha da pobreza. “Só 1% da população brasileira alcança a riqueza”, disse.

Também, somente 1% da população brasileira consegue se aposentar com estabilidade e 40% dos aposentados continua trabalhando para se sustentar.

“Como primeiro passo para organização financeira, é de extrema importância que quem tem dívidas precisa eliminar esse passivo”, frisou.

Dívidas são geradas quando se perde o emprego, por doenças, compulsão por gastar, separação e excesso de juros. “Inclusive, 25% da renda do brasileiro é gasta pagando juros.”