Impactos do coronavírus na indústria farmacêutica

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Wikimedia

O Itaú BBA realizou nesta tarde de sexta-feira (17), uma live com CEOs da Biolab e da Blau para discutir sobre os impactos do coronavírus no setor, bem como o futuro da indústria farmacêutica brasileira.

A paralisação da cadeia de suprimentos chinesa afetou vários segmentos. Isso porque grande parte dos insumos vem da China, um importante fabricante de matéria-prima.

Suprimentos

Segundo o CEO da Biolab, Cleiton de Castro Marques, o setor farmacêutico trabalha com ciclos de produção muito longos. O processo chega a ter ciclos de até 180 dias, desde entradas de produtos no processo de importação, análises, quarentenas, dentre outros. Isso evitou um grande impacto inicial na fabricação de medicamentos no Brasil, devido ao confinamento na China.

“O que preocupou mesmo, foi quando os EUA suspenderam os voos para China”. Pois a indústria precisa do “porta-mala” do avião, sem o porta-mala não tem carga. “O setor depende de Índia e China”, reforçou Marques.

Além disso, a Índia se abastece com os insumos da China para fazer os produtos. Então, essa quebra na produção acabou afetando a Índia e depois as empresas farmacêuticas no país com o fechamento.

Marques relembra que em virtude dos ciclos e dos estoques que têm nos canais, a população praticamente não sentirá esse impacto, acrescentando que a situação já está quase normalizada. “A Índia já está embarcando mercadoria”. E agora, o setor lida apenas com situações pontuais, que se resolverão no médio prazo.

Na visão de Marcelo Hahn, CEO da Blau, como a China é um grande produtor de materiais básicos e intermediários, o impacto que aconteceu na China afetou o mundo inteiro, inclusive a Índia.

No primeiro momento, a Blau teve dificuldades dos fabricantes indianos por não estarem recebendo esses insumos intermediários da China. Para Hahn, o fechamento da Índia é mais preocupante que o dos chineses.

Marcelo Hahn tem opinião convergente com Marques, pois como o ciclo de produção é longo, o impacto no setor foi minimizado.

Vendas

Segundo o CEO da Blau, a companhia apresentou um forte crescimento na demanda de alguns medicamentos, principalmente os usados no tratamento do coronavírus. Os medicamentos de suporte hospitalar também têm performado muito bem.

Já outros produtos ligados ao varejo e a parte dermatológica registraram grandes perdas nas vendas.

Para o Hahn, a maior dúvida gira em torno do financeiro dos hospitais por causa da menor receita gerada por cirurgias. Mas do outro lado, a receita da área de UTI vem aumentando.

Sendo assim, a indústria farmacêutica deve ficar atenta a saúde financeira das redes hospitalares. O executivo reforçou que a empresa não está aumentando os créditos para os clientes.

Futuro

Marques acredita que as políticas industriais devem ser revistas. “O mundo inteiro acordou e falou isso aqui é de primeira necessidade e nós não podemos depender de Índia e China”.

Deverá acontecer uma revalorização da indústria farmacêutica, com programa de incentivos para área química.

O CEO da Blau acrescentou a necessidade rever os ritos regulatórios que são muito longos no país e a necessidade mais investimentos no campo da saúde, que fica muito aquém dos países desenvolvidos.

Hahn espera que após o coronavírus, o país forneça melhores condições para os empresários investirem na indústria farmacêutica.”Tudo aqui é muitíssimo longo prazo” reforçou.

A indústria farmacêutica vai mudar, o caminho ainda não está claro. Mas têm mudanças importantes chegando, finalizou Marques.