Qual o impacto da nova variante de Covid nos ativos?

Felipe Moreira
Editor na EuQueroInvestir, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional.
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Ainda não se sabe o real impacto da nova variante de Covid detectada na África do Sul, mas o que vimos foi uma forte aversão aos ativos de riscos e busca por segurança.

O receio de que essa variante se mostre resistente às vacinas, levou os investidores a projetarem cenários de lockdowns e comprometimento da recuperação econômica.

Pelo menos 9 países já anunciaram restrições a voos de nações africanas devido à B.1.1.529 até o momento.

Dessa forma, os mercados globais e commodities recuaram forte no pregão desta sexta-feira, com exceção do ouro, que fechou em alta de 0,45%. Vale lembrar que os contratos lastreados no metal são utilizados como uma importante ferramenta de reserva de valor. Em momentos de crise, como o atual, este papel chama ainda mais atenção dos investidores.

Além do ouro, o dólar também subiu em relação as moedas emergentes, enquanto os treasuries registraram queda nos rendimentos na sessão de hoje (26). Os investidores correram para os títulos do Tesouro americano, no movimento conhecido como “fly to quality” (voo para a qualidade).

Entenda mais sobre a nova variante

A nova variante chamada de ‘ômicron’ foi inserida no mesmo grupo de versões do Covid que já causaram impacto na progressão da pandemia: alfa, beta, gama e delta.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificou como “preocupante”. O ômicron é considerado de preocupação pois tem 50 mutações, sendo mais de 30 na proteína “spike” (a “chave” que o vírus usa para entrar nas células e que é o alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19).

Ainda pouco se sabe sobre a variante, detectada primeiramente na África do Sul, e depois em Botswana e Hong Kong, mas cientistas dizem que ela tem uma combinação atípica de mutações, e pode ser capaz de evitar respostas imunológicas e ser mais transmissível.

Em relatório, o time da Europa farma do Credit Suisse estima que os dados laboratoriais iniciais podem demorar menos de uma semana em função de que a sequencia já é conhecida.

Além disso, alguns comentários iniciais da BioNTech mostraram que a criação de uma nova vacina pode demorar 6 meses para novas variantes. Testes para entender a efetividade poderiam demorar alguns meses, mas eles destacam que para as vacinas mRNA a adaptação seria mais fácil do que o que tivemos alguns meses atrás.

O relatório ainda não tem dados muito claros de mortalidade e com relação a transmissão destaca os seguintes pontos: a nova variante é mais infecciosa e, portanto, está substituindo a antiga variante delta, ou a sequência do vírus mudou de tal forma que há menos imunidade natural da infecção / vacinação anterior, de modo que o vírus tenha um ‘recomeço’ ao infectar a população sem muita resistência.

Também pode ser uma mistura de ambos, dada a quantidade de alterações genômicas e a alta taxa de aumento de casos.

A curva do medo

O Financial Times elaborou um gráfico com dados do serviço de saúde da África do Sul que explica por que os mercados financeiros amanheceram tão assustados com a variante “Omicron” da Covid-19.

A nova variante precisou de pouco mais de 10 dias para representar, proporcionalmente, mais de 80% dos casos no país. A variante Delta precisou de 100 dias para atingir o mesmo patamar.

Astrazeneca/Oxford e Pfizer/Biontech preparam estudos sobre eficácia de vacinas contra variante Ômicron

A vacina da AstraZeneca com a Universidade de Oxford vai ser testada contra a nova variante do Covid, Ômicron, de acordo com a pesquisadora e professora brasileira Sue Ann Clemens, responsável por trazer os estudos da vacina Oxford/AstraZeneca ao Brasil.

Um porta-voz da BioNTech, que desenvolveu em parceria com a Pfizer a vacina contra a Covid-19, também disse que a fabricante está estudando urgentemente a eficácia do imunizante contra a variante B.1.1.529 (Ômicron), detectada na África do Sul, conforme reportagem do jornal O Globo.

Tá, e aí?

A reação do mercado no pregão de hoje é devida ou foi exagerada? Para alguns especialistas do mercado financeiro a reação foi exagerada.

De acordo analistas do J.P. Morgan, a reação dos mercados à notícia não parece racional neste momento. Em relatório a clientes, o banco escreveu que o estado de resposta e a prontidão global de saúde em torno da Covid-19 está em um patamar muito diferente neste inverno em comparação com o ano passado.

Já os analistas do Itaú BBA acreditam que a reação do mercado à nova variante da Covid provavelmente foi exagerada por liquidez baixa no pregão desta sexta.