Ilan Goldfajn, ex-presidente do BC, critica investimentos do Pró-Brasil

Tatiane Lima
Jornalista, redatora sênior. Tecnóloga em Recursos Humanos e MBA em Comunicação e Marketing. Apaixonada por empreendedorismo criativo. Atuei nos três setores, com hard news, jornalismo on, off e redação publicitária.
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Crédito: Gustavo Raniere/Ministério da Economia

Em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central, criticou posicionamentos do governo Jair Bolsonaro. Para o economista, apostar em grandes obras públicas em meio à crise é perder o foco e encaminhar o país à uma dívida insustentável. “Temos que fazer como todo o mundo e focar no que precisa ser feito. Não temos recursos, energia, dinheiro, para fazer tudo”, disse.

Atualmente presidente do Conselho do banco Credit Suisse no Brasil, Goldfajn mencionou à Folha sobre um voluntarismo descabido do governo. “Não é o momento de grandes planos, de obras públicas. Temos que proteger aqueles que mais precisam. Não podemos começar a gastar em estados, municípios, em um plano de obras que nunca tivemos condição de fazer e agora queremos fazer, em um setor que quer ajuda mesmo não sendo essencial.” Segundo Goldfajn, se o governo insistir nesse caminho, poderá levar o Brasil a completar 20 anos consecutivos de perda no crescimento. Isso porque os investimentos previstos em obras no plano Pró-Brasil, R$ 30 bilhões para os próximos três anos, bem como a venda de reservas internacionais, seriam fatais para o crescimento das instituições. “Destruiríamos décadas de desenvolvimento”, afirmou.

Além disso, Goldfajn acredita que a recessão, este ano, no Brasil superará as anteriores.  “Será uma queda maior do que já experimentamos na nossa carreira profissional, passará 2008, passará a recessão de 2014, 2015. Agora, o quanto, é difícil saber”, afirmou à Folha. Apesar das críticas, Goldfajn disse que o governo foi assertivo ao proteger a parcela da população mais exposta às consequências econômicas da pandemia. “Hoje em dia, tem que focar nas pequenas, depois médias, depois grandes. Tem que focar nos autônomos, nos informais, depois nos formais, e assim vai.”

Goldfajn se preocupa com mudanças no governo

Entretanto, Goldfajn pontuou à Folha que a economia é diretamente afetada pela instabilidade institucional, referindo-se às recentes mudanças nos comandos dos ministérios. “Não há como isolar a economia dessa instabilidade institucional. As economias do mundo todo estão com dificuldades de lidar simultaneamente com a crise da saúde e sua consequência grave na economia. Se além dessas crises se somam conflitos desnecessários, a economia vai sofrer. A troca na economia seria ruim, mas a percepção de falta de liderança preocupa ainda mais. Não se muda o comandante no meio da crise. Muito menos dois comandantes: o da saúde e da economia.”