IGP-10 sobe 1,13% em abril, abaixo da expectativa

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Flickr

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-M) teve alta de 1,13% em abril, ante 0,64% no mês anterior. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (15) pela Fundação Getulio Vargas.

Com este resultado, o índice acumula alta de 2,88% no ano e de 6,73% em 12 meses. Em abril do ano passado, o índice registrou alta de 1% no mês e de 8,46% em 12 meses.

O que é o IGP-10?

O IGP-10 mede a evolução de preços no período compreendido entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês atual. Para o cálculo de abril foram comparados os preços coletados no período de 11 de março a 10 de abril.

O IGP-10 é composto em 60% pelo Índice de Preços por Atacado (IPA). Mais 30% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e 10% do Índice Nacional de Custos da Construção-10 (INCC).
Neste mês, o IPA subiu 1,52%. O IPC subiu 0,33%. E o INCC subiu 0,29%.

IGP-10: IPA sobe

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 1,52% em abril. No mês anterior, o índice havia registrado alta de 0,92%.

Na análise por estágios de processamento, os preços dos Bens Finais variaram -0,09% em abril, após alta 1,03% em março.

A principal contribuição veio do subgrupo combustíveis para o consumo, cuja taxa passou de -3,85% para -19,21%. O índice relativo a Bens Finais (ex), que exclui alimentos e combustíveis, subiu 0,64% em abril, ante 0,87% de março.

A taxa do grupo Bens Intermediários variou de -0,44% em março para -0,08% em abril. Destaque para materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa passou de 1,22% para 2,87%.

O índice de Bens Intermediários (ex), sem combustíveis e lubrificantes para a produção, subiu 2,76% em abril, ante 0,93% do mês anterior.

O índice do grupo Matérias-Primas Brutas passou de 2,30% em março para 4,94% em abril. Destaques para minério de ferro (1,03% para 13,19%), soja em grão (2,16% para 8,58%) e café em grão (5,73% para 11,74%). Quedas registradas nos itens bovinos (4,47% para -2,61%), aves (3,53% para -4,17%) e algodão (em caroço) (6,19% para 1,64%).

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IGP-10: IPC também sobe

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,33% em abril. Em março, o índice havia registrado queda de 0,03%.

Cinco das oito classes de despesa componentes do índice registraram acréscimo em suas taxas de variação, com destaque para o grupo Alimentação (0,54% para 1,44%).

Também apresentaram acréscimo em suas taxas de variação os grupos Educação, Leitura e Recreação (-1,23% para 0,32%), Habitação (-0,22% para 0,38%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,23% para 0,47%) e Despesas Diversas (0,00% para 0,24%).

Os grupos Transportes (-0,07% para -0,68%), Vestuário (0,11% para -0,07%) e Comunicação (0,09% para 0,06%) apresentaram decréscimo.

INCC

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,29% em abril, ante 0,26% em março. Os três grupos componentes do INCC registraram as seguintes variações na passagem de março para abril: Materiais e Equipamentos (0,27% para 0,56%), Serviços (0,21% para 0,10%) e Mão de Obra (0,27% para 0,14%).

ta-e-ai

 

Para Paulo Filipe de Souza, assessor da Eu Quero Investir, o dado mais importante a ser analisado no IGP-10 é que ele veio abaixo do consenso do mercado.

“O mercado esperava 1,25%, acabou vindo 1,13%. Isso mostra que o impacto pode ser ainda maior na desaceleração da economia. É preciso ainda aguardar o índice oficial da inflação, que é o IPCA. Mas indica um impacto maior na economia”, avalia.

Ele explica que o ano tende a ser de inflação baixa. “Por conta da baixa demanda, graças à quarentena, as pessoas estão gastando menos, consumindo menos. Consequentemente, as empresas estão baixando os preços para conseguir vender”, explica.