IFIX e Ibovespa: veja como funciona a correlação entre os índices

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).

Crédito: Reprodução / Canva - Prédios

Criado pela Bolsa brasileira, o IFIX – Índice referência para fundos de Investimentos Imobiliários – tem por objetivo medir a performance de uma carteira.

Trata-se de uma composição de cotas de Fundos Imobiliários que são listados para negociação nos ambientes administrados pela Ibovespa. Entretanto, esse indicador costuma variar bem menos que o próprio Ibovespa.

Coordenador do curso de Administração do Ibmec Rio, o professor de finanças Samuel Barros explica que por ser atrelado a fundos de investimentos imobiliários (FIIs), os fatores que afetam imóveis acabam afetando o IFIX.

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“Ou seja, afeta o IFIX a taxa de ocupação, estoque de imóveis no mercado, preço de aluguel e outros. Estes são os fatores que importam para o resultado dos FIIs e para o IFIX”, diz.

E acrescentou: “um FII para fazer parte do IFIX precisa ter liquidez, ter sido negociado em pelo menos 60% dos pregões nos últimos 12 meses e ter cota média superior a R$ 1. A carteira sofre reavaliação a cada quatro meses.”

Veja o Ibovespa e o IFIX na Bolsa:

Fonte: B3.

IFIX e Ibovespa

De acordo com Barros, o IFIX oscila menos que o Ibovespa justamente por ser uma composição, ou seja, a exposição não é unitária, seguindo as teorias de diversificação, o IFIX é considerado diversificado.

“Com isso, ele sofre menos que os ativos individualmente”, diz, complementando que é importante ressaltar que com a menor oscilação, apresenta menor risco.

“Como prática e a teoria já ensinam, a relação de risco e retorno é preservada, assim quando menor o risco, menor o retorno esperado”, frisa.

Na prática, o que isso significa

Na prática, conforme Barros, significa que ele estará exposto a uma cesta de Fundos Imobiliários.

Vale lembrar que não se investe diretamente no IFIX. O investimento pode ser feito por meio de ETF (Exchange Traded Funds) que reproduzem fielmente o desempenho da carteira do índice de referência.

“Contudo ainda não temos essa opção, então pode-se aplicar em fundos de investimento atrelados ao IFIX”, ressalta.

Em cenário de pandemia

Segundo o professor, ativos atrelados ao IFIX continuam atrativos em cenário de crise quando adquiridos na seguinte ordem: fundos de recebíveis em primeiro lugar, fundos de ativos logísticos em segundo e fundos híbridos.

“Tradicionalmente, os fundos de recebíveis têm baixa perda patrimonial e bom rendimento. Tende a ser uma escolha conservadora para momentos em que o mercado sofre com alta volatilidade”, destaca.

Já os ativos logísticos, disse, possuem menor volatilidade, tempo curto de construção e baixo curto de execução.

“Esses ativos apresentam maior estabilidade de renda e um risco menor no curto prazo. Fora que com o caso da crise e muitas vendas sem plataforma digital, os ativos logísticos ganham visibilidade e aplicação imediata”, destaca.

A terceira opção, os fundos híbridos são uma diversificação sempre interessante, principalmente em momentos de alta volatilidade e alguma insegurança no mercado. “Ter mais de uma classe de ativos disponíveis na mesma estrutura ajuda a reduzir exposição”, diz.

Investidor deve estar preparado

Para Barros, os FIIs impõem riscos que o investidor deve estar preparado para encarar. Da mesma forma, observar e acompanhar o caminho das ofertas e verificar bem o comportamento do mercado pode trazer boas oportunidades.

“Há quem acredite que o mercado de shopping vai se reinventar e os fundos de shopping serão uma boa opção em futuro próximo”, conclui.

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Maior risco, mais ganhos

Coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o professor Ricardo Teixeira afirma que todo investimento, mesmo os mais conservadores, oferece risco em maior ou menor grau. “Portanto, é preciso se informar bem antes de investir”, diz.

“Quem realmente quer investir deve montar uma carteira de acordo com seu perfil e sua maior ou menor aversão ao risco. Tento sempre em mente que quanto maior a possibilidade de lucro, maior também o risco”, reforça.

Quanto aos ativos mais ou menos atrativos no cenário de pandemia, ele reforça que o retorno desses investimentos vai depender do horizonte temporal de quem investe.

Entretanto, ele fez uma ressalva: “quem não conhecer bem o mercado deve procurar orientação especializada.”

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