Ícones do mercado, urso e touro ainda despertam múltiplos significados

Marcello Sigwalt
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Ícones máximos do mercado financeiro, o Urso e o Touro há décadas consomem debates intermináveis em torno de um significado mais preciso.

Tradicionalmente, enquanto o primeiro está associado à ideia de baixa, pela forma que ataca suas presas, o segundo teria o sentido contrário, pelo mesmo motivo.

Trajetórias opostas

Além disso, é notório que os ciclos de baixa (urso) costumam ser vertiginosamente rápidos, ao contrário dos períodos de alta (touro), geralmente graduais e mais lentos.

Mas qual seria o viés (tendência) dominante no mercado internacional atualmente?

Domínio da incerteza

Especialistas ouvidos pelo site Eu Quero Investir (www.euqueroinvestir.com) reconhecem a dificuldade de prever, com mais exatidão, o comportamento do capital ao redor do globo, em meio à volatilidade movida por um vírus já debelado pelo país hospedeiro, a China, mas longe de sê-lo no restante do mundo.

Certo mesmo é que o tombo da atividade econômica, aqui como no exterior, deverá ser monumental e mais agudo em países cujos fundamentos econômicos são mais frágeis.

Vulnerabilidade

No caso do Brasil, a questão fiscal, ainda pendente, continua a ser, no aval dos analistas, o ponto de maior vulnerabilidade da economia local, sujeita, tanto a ataques especulativos, crises externas, como também à preocupante deterioração institucional do Palácio do Planalto.

Bullish e bearish

De acordo com glossário específico do setor, o termo em inglês “bullish” aplica-se ao momento em que o touro ataca (alta) usando seus chifres de baixo para cima.

Ao golpear as presas com suas patas poderosas e afiadas, o urso o faz de cima para baixo, de onde vem o termo “bearish”.

Efeito manada

Quando uma ou outra tendência se acentua e se consolida, temos o chamado movimento de “manada”, em que “vários animais da mesma espécie (no caso, os investidores) se movimentam juntos, ao mesmo tempo.

Assim, os investidores costumam se deslocar na mesma direção, mesmo sem examinar em profundidade os fundamentos dessa decisão.

Quando isso ocorre, surge um “repentino” consenso em torno da mesma ação, o que acarreta, na maioria das vezes, desequilíbrio na velha lei da oferta e demanda. Nesse caso, também pode ser produzida uma “bolha de mercado”.

Interpretação distinta

Mas na meca do capitalismo, os Estados Unidos, o conceito dos bichos de estimação dos dealers tem outras conotações. “Bearish” remete a um mercado de “mal humor”, ao passo que “bullish, tudo parece bem, em ascensão.

Rinha ianque

Também dos EUA reza a lenda que, nos primórdios de sua história, na Califórnia – o mais rico de seus estados – imigrantes espanhóis tinha o costume bizarro de colocar  ursos e touros para brigar entre si.

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Depois de confinados em cativeiro por um período e depois soltos pelos ‘dealers’ da época, os ursos lançavam suas garras e a conhecida ira contra os desavisados touros. A vitória do urso era inevitável.

Bull market e bear market

Há, ainda, outras expressões que empregam touros e ursos, como bull market e bear market.

O bull market corresponde a um cenário de valorização dos ativos, em que os investidores estão otimistas. Em contrapartida, o bear market caracteriza-se pelo pessimismo, pois a oferta é maior que a procura, derrubando os preços dos ativos, uma situação definida como “ataque do urso”.

No momento, o mercado internacional reage positivamente à avalanche de injeções de recursos por governos e organismos de crédito, numa tentativa desesperada de manter a economia mundial. Resta saber se o passo seguinte será dado pelo urso ou pelo touro.

Imprevisibilidade

O elevado grau de incerteza, hoje predominante, impede que se faça projeções factíveis de desempenho do mercado brasileiro, ao longo deste ano.

“O momento atual é marcado pela previsibilidade, pois não sabemos os impactos do corona ainda”, acentua o assessor de investimentos do Eu Quero Investir, Andre Brant.

Sobre a recente “esticada” do Ibovespa – que chegou a bater os 78 mil pontos essa semana – Brant entende que, se essa for uma tendência transitória, logo ela deverá ser seguida por uma queda.

“Se o viés adiante for negativo, já devemos estar esgotando a alta”, conclui o assessor.