Icomex/FGV: corrente de comércio aumenta 61,4% em junho, na comparação com mesmo mês de 2020

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Freepik

A FGV divulgou nesta quinta-feira (15) o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), que aponta que a balança comercial no ano de 2021 continua registrando resultados que superam os valores obtidos ao longo da série histórica, desde 1997.

O saldo da balança comercial de junho foi de US$ 10,4 bilhões o que levou a um saldo acumulado no primeiro semestre de US$ 36,7 bilhões, ultrapassando o superávit de US$ 31,9 bilhões obtido no primeiro semestre de 2017.

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A corrente de comércio (soma das importações e das exportações) em junho foi de US$ 45,8 bilhões, um aumento de 61,4% em relação a igual período de 2020 e no acumulado do ano até junho alcançou o valor de US$ 235 bilhões.

As exportações também atingiram valores recordes seja na série mensal ou na do primeiro semestre do ano.

No caso das importações, o valor de US$ 17,8 bilhões, foi o quinto maior na série, com o pico sendo registrado em junho de 2011 (US$ 19,4 bilhões). Na comparação dos resultados do primeiro semestre, o valor de US$ 99,2 bilhões é também, o quinto maior valor da série, com o recorde sendo registrado no primeiro semestre de 2013 (US$ 118 bilhões).

Os bons resultados da balança comercial em 2021 reforçam tendências que passaram a ser estruturais no comércio brasileiro: a crescente dependência da China e das commodities.

China lidera aumento do superávit comercial

A China continuou na liderança para o aumento do superávit comercial. O saldo do Brasil com o país passou de US$ 16,9 bilhões para US$ 25,2 bilhões entre o primeiro semestre de 2020 e o de 2021. Além dos Estados Unidos, o Brasil registrou déficits acima de um bilhão, com a Alemanha (US$ 3,07 bilhões), Rússia (US$ 1,48 bilhões) e Índia (US$ 1,12 bilhões).

Observa-se que com a Rússia as exportações caíram (-2,9%) e as importações aumentaram (46,3%) sendo 54% composta de adubos e fertilizantes. O déficit com a Alemanha e os Estados Unidos se refere aos diferenciais de valor adicionado entre as exportações (menor valor) e as importações (maior valor). No caso da Índia a pauta tem se mantido com a mesma estrutura ao longo dos anos: exportamos óleo bruto (53% da pauta) e importamos combustíveis (20% da pauta) e compostos organos-inorgânicos (13% da pauta). Na comparação interanual do primeiro semestre, as exportações para a Índia aumentaram 53% e as importações, 58,4%.

Nas exportações, a participação da China foi de 34,4%, seguida dos Estados Unidos (9,8%) e da Argentina (4,1%) no primeiro semestre de 2021. Nas importações, a liderança é da China (21,7%), mas a distância para os Estados Unidos é menor (5,1 pontos percentuais).

Icomex