Ibovespa opera em queda com prévia do IPCA-15 e não consegue acompanhar alta de NY

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Shutterstock

O Ibovespa opera em queda de 1,77%, aos 106.788,35 pontos, perto das 15h10, nesta terça-feira (26).

Após um único dia de alívio, o Ibovespa volta a cair, já descendo para os 106 mil pontos, com perda da maioria das ações da carteira. A queda ocorre em meio ao agravamento das preocupações inflacionárias após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) de outubro ficar mais forte do que a mediana das estimativas e muito perto do teto.

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O que mexe no Ibovespa

Considerado uma prévia da inflação oficial, o IPCA-15, do IBGE, apontou avanço de 1,20% em outubro, maior para o mês desde 1995. A projeção era de alta de 1%. O resultado reforça a expectativa de alta mais agressiva da Selic.

Hoje tem início a reunião de dois dias do Copom para definir a nova taxa básica de juros. As apostas são de que a alta será acelerada, de até 1,5 ponto porcentual, acima do “plano de voo” do Banco Central de manter o ritmo de 1 ponto. A revisão da expectativa acontece após a inflação acima do esperado e a uma deterioração do quadro fiscal, em decorrência do Auxílio Brasil extra-teto.

O tema, aliás, esteve presente no primeiro dia da Money Week, quando foram discutidos taxa de juros e teto de gastos com Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual (BPAC11), e com Armínio Fraga, sócio fundador da Gávea Investimentos e ex-diretor do Banco Central.

Voltando aos indicadores, o Caged apontou a geração de 313.902 postos de trabalho com carteira assinada. O ministro da Economia, Paulo Guedes, adiantou ontem que seriam pelo menos 300 mil vagas.

Índice de Confiança da Construção caiu 0,3 ponto em outubro, para 96,1 pontos, após cinco meses consecutivos de alta. Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), também da FGV, subiu 0,80%. O índice acumula alta de 12,88% no ano e de 15,35% em 12 meses.

Ontem, a bolsa reagiu com alta a boatos de que existe uma proposta sendo desenhada para privatizar a Petrobras (PETR3 PETR4).

Confira aqui a agenda completa da semana

Veja também o cronograma da temporada de balanços

Exterior

Os mercados globais seguem em tendência de alta, dando continuidade aos ganhos com uma boa temporada de balanços. Isso vem fazendo com que o investidor deixe de lado, ao menos temporariamente, as preocupações com inflação e desaceleração do crescimento global.

Até aqui, 84% das 117 empresas do S&P 500 que relataram lucros superaram as expectativas. A projeção é que, na média, as companhias aumentem o lucro em cerca de 35% do segundo para o terceiro trimestre.

Facebook registrou lucro líquido de US$ 3,22 por ação no terceiro trimestre, acima do consenso de US$ 3,19, conseguindo manter os usuários ativos diários entre o 2TRI21 e o 3TRI21.

Em indicadores, a confiança do consumidor norte-americano, medida pelo Conference Board, subiu a 113,8 pontos, ante 107,5 de setembro. As vendas de novas moradias aumentaram 800 mil (+14%) em setembro.

As incorporadoras chinesas voltam a ser destaque, com a Modern Land China também perdendo prazo para pagamento de dívidas. Sobre isso, falamos ontem na Money Week com Luke Ellis, CEO do Man Group – não deixe de conferir!

Ibovespa: ações

As ações da EDP Brasil (ENBR3) lideram as altas no Ibovespa nesta terça-feira (26). Por volta das 13h26, os papéis da empresa subiam 2,44%.

A EDP Brasil (ENBR3) registrou lucro líquido de R$ 510,5 milhões no 3TRI21, alta de 70,3% na comparação anual. Já o lucro líquido ajustado aumentou 20,7%. Assim, passou de R$ 220,5 milhões no 3TRI20 contra R$ 266,1 milhões no 3TRI20.

Braskem (BRKM5) é a segunda entre as maiores altas. Esta opera com variação positiva de 2,25%.

Em seguida, surge CPFL (CPFE3), que opera com elevação de 2,07%. Após esta, vem Equatorial (EQTL3) que cresce 1,50%.

Por fim, vem Marfrig (MRFG3), que registra variação positiva de 0,89%.

Dólar

O dólar tem alta de 0,88%, a R$ 5,6051, por volta das 13h26.

O dólar também volta a subir após um fechar a sessão anterior em queda. A moeda, de acordo com a Agência Estado, anda “de lado” no exterior, mas sobe ante o real e parece ter ocorrido uma acomodação depois de se aproximar dos 5,60. Os dados de vendas de casas novas em setembro nos EUA trouxe alivio sobre a atividade norte-americana, mas não é um dado necessariamente inflacionário e pode ter induzido alivio da alta do dólar ante o real.

*Com Agência Reuters e Agência Estado