Ibovespa opera em queda com tom de cautela no exterior

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Cris Fraga/Estadão Conteúdo

O Ibovespa opera em queda de 1,67%, aos 123.579 pontos, perto das 13h28, nesta sexta-feira (30).

O Ibovespa não consegue manter recuperação no último pregão de julho com o tom cauteloso no exterior. Com aversão ao risco externa a preocupações internas com o fiscal e com a inflação, a bolsa de valores despenca. Investidores aguardam a nova reunião do Copom na semana que vem, enquanto acompanham os resultados trimestrais das empresas.

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O que mais mexe no Ibovespa

Destaque vai para a taxa de desemprego, que recuou para 14,6% no trimestre até maio, ante 14,7% do trimestre fechado em abril. A projeção do mercado era por resultado um pouco melhor: 14,5%. Essa taxa é a segunda maior da série histórica, iniciada em 2012 pelo IBGE.

O dado contrasta com o Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado ontem e que revelou a criação de 309,114 mil novas vagas de emprego com carteira assinada no Brasil em junho. O resultado foi superior à projeção de 150 mil novas vagas. Comparativamente, em maio, foram criadas 280,6 mil vagas.

O investidor também segue atento à taxa de juros. Na semana que vem o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para definir a Selic.

As apostas predominantes são de que a taxa de juros chegue a 7% até dezembro, com aumento de 1 ponto porcentual já na semana que vem – indo dos atuais 4,25% para 5,25%. De 95 instituições financeiras consultadas pelo jornal Valor, 75 esperam alta de 1%.

Em balanços, destaque para Usiminas, Alpargatas e Banco Pan. Hoje ainda tem IPO da ClearSale.

No campo político, repercute a live do presidente Jair Bolsonaro que ontem admitiu não ter provas de que houve fraudes nas eleições de 2018, apesar de fazer reiteradas críticas ao sistema eleitoral brasileiro e a Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Exterior

O núcleo do Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) nos EUA, que exclui alimentos e energia, subiu 0,4%, abaixo da projeção de 0,6%. Na comparação anual, a alta foi de 3,5%, também abaixo da expectativa de 3,7%.

Apesar de vir abaixo da projeção, a alta de maior representa o maior movimento para o índice desde 1991 e ficou acima dos 3,4% de maio.

No entanto, a leitura corrobora a posição do Federal Reserve (Fed) de que as pressões inflacionárias tendem a ser passageiras e já começam a diminuir o ritmo. Isto porque o núcleo do PCE é a medida favorita do Fed para calcular a variação dos preços ao consumidor.

O banco central americano vem repetindo que o aumento atual dos preços decorre da reabertura econômica e de gargalos na cadeia de suprimentos.

Ontem, as bolsas reagiram bem a dois dados que fugiram às expectativas: o PIB veio abaixo do esperado (6,5%, quando o mercado previa uma alta de 8,4%) e os pedidos de seguro-desemprego vieram acima (400 mil, quando a projeção era 385 mil).

Ainda assim, a interpretação geral foi de que o Fed está certo: a economia ainda fraca, apesar de em clara recuperação, demanda a manutenção dos estímulos. Mas vale ressaltar que há mais um fator de insegurança que reforça a manutenção da política monetária, ao menos por enquanto: a disseminação da variante delta do coronavírus, que ainda está revelando seu poder de impacto.

Da zona do euro, os indicadores são bons. Esta manhã foi divulgado o PIB da região, que teve alta de 2% na primeira prévia do segundo trimestre, acima da projeção de 1,5%. Na comparação anual, a alta é de 13,7% (a expectativa era de 13,2%).

Já o índice de preços ao consumidor (IPC) subiu 2,2% em julho, na análise anualizada, quando o mercado aguardava leitura de 2%. A taxa de desemprego ficou em 7,7% em junho. A projeção era 7,9%.

Dando continuidade na temporada de balanços do exterior, destaque hoje para Berkshire Hathaway, Procter&Gamble, Exxon e Chevron.

O minério de ferro recua mais de 8%, com projeção de menor demanda da China, com controle sobre a produção para forçar a queda no preço das commodities.

Ibovespa: ações

As ações do GPA (PCAR3) são destaque na sessão de hoje no Ibovespa. Por volta das 13h28, os papéis da companhia têm alta de 1,72%.

Matéria do jornal O Estado de S.Paulo, informou que o grupo recebeu oferta por negócios maduros, como farmácias, postos de gasolina, entre outros. Porém, as negociações não avançaram porque foram consideradas abaixo do valor considerado pela GPA.

A Telefônica Vivo (VIVT3) vem em seguida com elevação de 1,53%. A terceira alta do dia é da TIM (TIMS3), que tem valorização de 0,52%.

Em seguida, com uma alta de 0,34%, surgem as ações do Usiminas (USIM5). Por fim, a Assaí (ASAI3) também sobe 0,34%.

Dólar

O dólar tem alta de 1,29%, a R$ 5,1467, por volta das 13h28.

A moeda acelerou a alta no fim da manhã desta sexta-feira, de acordo com a Agência Reuters, em meio à força no exterior e pouco antes da definição da Ptax de fim de mês. A disparada do dólar vem pelo PCE, com os dados divulgados hoje, que mostraram que os gastos do consumidor dos Estados Unidos subiram mais do que o esperado em junho, enquanto a inflação anual superou ainda mais a meta de 2% do Federal Reserve.

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