Ibovespa opera em queda, na contramão de mercados de Nova York

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Divulgação/B3

O Ibovespa opera em queda de 0,44%, aos 112.960 pontos, perto das 13h05, nesta quinta-feira (14).

O Ibovespa, diferente da previsão majoritária de profissionais do mercado, resiste à influência positiva das bolsas de Nova York. A queda também ocorre contra o movimento positivo com a divulgação de dados de indicadores, com alta de 0,5% do setor de serviços entre julho e agosto, e melhora da estimativas para contas públicas para 2021 e 2022.

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O que mexe no Ibovespa

Destaque no país para o volume de serviços em agosto, que avançou 0,5%, ante 1,1% de julho, mas dentro da expectativa do mercado. Na comparação com agosto de 2020, a alta é de 16,7%. No ano, de 11,5%. 

Esta é a quinta taxa positiva seguida e o setor já se encontra 4,6% acima do patamar pré-pandemia. Vale lembrar que este é o setor que tem maior peso no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.  

O dado de hoje complementa a série de indicadores do IBGE, sendo que, em agosto, a produção industrial recuou 0,7% e o volume do varejo caiu 3,1%.

O bom desempenho do setor de serviços decorre da reabertura pós-vacinação. Ontem, o Brasil atingiu a marca de 100 milhões de habitantes completamente imunizados contra Covid-19.

A Câmara concluiu a votação do projeto que muda a incidência de ICMS sobre combustíveis e estabelece um valor fixo por litro (não sobre o valor do preço de venda) para o imposto. A proposta segue agora para o Senado, mas enfrenta resistência dos governadores.

Exterior

Os mercados externos operam em alta, repercutindo os balanços positivos do dia. Bank of America, Citigroup, Morgan Stanley e Wells Fargo reportaram resultados do terceiro trimestre melhores do que a projeção.  

Ontem, o Federal Reserve afirmou que pode começar em meados de novembro um processo gradual de redução de estímulos (tapering), que pode gerar uma diminuição mensal de US$ 10 bilhões em títulos do Tesouro e US$ 5 bilhões em títulos lastreados em hipotecas – atualmente, as cifras são de US$ 80 bilhões e US$ 40 bilhões, respectivamente, somando US$ 120 bilhões mensais.

O Fed também admitiu estar preocupado com a inflação, que já dura mais do que o previsto. Sobre ela, na quarta (13) o Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI na sigla em inglês) veio acima da projeção: 0,4%, ante expectativa de 0,3%. 

Já hoje foi divulgado o  Índice de Preços ao Produtor (IPP) dos EUA, que subiu 0,5%, pouco abaixo da expectativa de 0,6%. O dia teve ainda novos pedidos de seguro-desemprego, que ficaram em 293 mil, abaixo da projeção de 319 mil.

Aliás, inflação em alta, falta de mão-de-obra e crise na cadeia de suprimentos são os temas que o Fed vem acompanhando de perto.

Ontem, a Apple afirmou que pretende cortar as metas de produção do iPhone 13 em até 10 milhões de unidades neste ano, devido à escassez de semicondutores. Até então, a gigante havia passado sem danos pela crise, o que aponta que os problemas de oferta estão piorando em escala global. 

Na China, a inflação ao consumidor teve alta anual de 0,7% em setembro, em linha com a expectativa. Os preços ao produtor subiram 10,7%, acima da projeção de 10,5%. 

Ibovespa: ações

As ações da Marfrig (MRFG3) lideram as altas na sessão desta quinta no Ibovespa. Por volta das 13h05, os papéis da empresa subiam 2,77%.

Depois, Raia Drogasil (RADL3), que opera com elevação de 2,35%.

O Gerdau (GGBR4) tem alta de 2,32%. A alta da siderúrgicas vem seguindo o aumento do minério de ferro. A commodity subiu 1,40%, sendo negociada a US$ 125,91 por tonelada em Qingdao (CHI).

Em seguida, a BB Seguridade (BBSE3), possui elevação de 1,81%. Por fim, vem Gerdau (GOAU4), que sobe 1,81%.

Dólar

O dólar tem queda de 0,15%, a R$ 5,5053, por volta das 13h05.

A moeda chegou a ser negociada abaixo dos R$ 5,50 hoje, conforme a divisa brasileira recebia suporte de intervenção extraordinária do Banco Central no mercado de câmbio. A autarquia vendeu nesta quinta-feira 20 mil contratos de swap cambial tradicional distribuídos entre os vencimentos 1º de fevereiro de 2022 e 1º de junho de 2022, o equivalente a 1 bilhão de dólares, provendo mais liquidez ao mercado depois de operação surpresa na véspera que derrubou o dólar de máximas acima de 5,57 reais.

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