Ibovespa opera em queda, em dia de realização após recordes

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Divulgação/B3

O Ibovespa opera em queda de 0,62% nesta terça-feira (8), aos 129.836 pontos, tentando se agarrar aos resultados positivos da última semana.

No Brasil, o destaque de hoje é o resultado das vendas no varejo do país, que subiram 1,8% em abril, conforme a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE.

A projeção do mercado era por avanço bem inferior, de 0,1%. Esta é a maior alta para o mês de abril desde 2000. Em março, a queda foi de 1,1%. Na comparação com abril de 2020, as vendas cresceram 23,8%.

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que possivelmente o auxílio emergencial será estendido por dois ou três meses, conforme publicado pela Arko Advice.

Segundo ele, a pandemia ainda está aí. “Com isso, vai dar tempo de vacinar a população adulta, dizem os governadores. Depois disso vamos entrar com o novo Bolsa Família”, disse.

Em relação à reforma tributária, ele disse que não deve ter grande novidade – é uma reforma moderada. “Eu gostaria de fazê-la um pouco mais ampla, com desoneração da folha. Não é o momento ainda, mas não vamos desistir. Vamos fazer o que é possível agora, simplificação, redução de alíquotas e reduzir impostos para empresas”.

Após oito pregões em alta, o Ibovespa finalmente cedeu à realização de lucros, com baixa de 0,79%, aos 129.738 pontos, na mínima do dia.

Apesar da correção, as varejistas figuram entre os maiores ganhos do dia, após o IBGE revelar que as vendas do setor ficaram acima do esperado em abril, em mais um sinal de recuperação consistente da economia. Em Nova York, as bolsas não definem rumo (Dow -0,05%, Nasdaq +0,17% e S&P 500 -0,01%), com investidores à espera pela divulgação do dado de inflação, na próxima quinta (10).

Além disso, houve a divulgação do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), que apresentou alta de 3,40% em maio. O resultado foi em frente ao aumento de 2,22% obtido em abril. De acordo com a FGV, a maior pressão sobre o indicador veio das commodities, destacando-se o minério de ferro, a cana-de-açúcar e o café. Apesar disso, o resultado veio abaixo da expectativa do mercado, que aguardava avanço de 3,63%. O índice acumula crescimento de 14,13% no ano e de 36,53% em 12 meses.

O que mais mexe no Ibovespa

Entre outros destaques para o dia, continua a CPI da Covid-19. Hoje, o Comitê volta a receber o depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. E ainda, há possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial. O presidente da Câmara, Arthur Lira, afirmou que a extensão do benefício não seria a melhor opção. Entretanto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, acredita que o auxílio emergencial deve ser ampliado entre um a dois meses, em conjunto com o desenvolvimento de um programa de renda definitivo. 

Exterior

Nos Estados Unidos, o mercado espera os resultados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de maio. A divulgação ocorre na próxima quinta-feira 10). A expectativa do mercado é que ocorra acréscimo anualizado de 4,6% e de 0,4% na comparação com o mês anterior. Houve alta de 4,2% em abril, em relação ao mesmo período de 2020, com o indicador registrando o maior avanço desde 2008.

Ainda na quinta-feira, serão anunciados os números semanais do seguro-desemprego nos Estados Unidos. Já há cinco semanas consecutivas que os valores renovam as mínimas, dentro do período da pandemia.

Com a reunião do FOMC (Comitê Federal do Mercado Aberto), entre os dias 15 e 16 de junho, os investidores esperam sinalização do Fed sobre a inflação e possíveis mudanças em sua política monetária atual.

Europa

Já na Europa, Stoxx 600 volta a renovar recordes. O índice, que conta com as ações de 600 empresas dos principais setores de 17 país europeus, 0,10%, a 454,01 pontos, em uma nova máxima histórica. O recorde se deve à publicação dos dados revisados sobre o PIB da Zona do Euro. Houve retração de 0,3% na comparação com o trimestre anterior e de 1,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A queda veio menor que o esperado pelo mercado, que aguardava retração de 0,6% e 1,8%, respectivamente.

Além disso, o otimismo dos investidores com as ações europeias transparece por conta da flexibilização das medidas de restrição da Covid-19 nos países europeus.

Ibovespa: ações

As ações da CVC (CVCB3) são destaque do Ibovespa nesta terça-feira (08). Perto das 13h28, as ações da operadora de turismo avançavam 5,03%. De acordo com o Brazil Journal, a empresa fará uma oferta de ações que poderá levantar entre R$ 400 milhões a R$ 500 milhões, para a qual já contratou o Citigroup e o BTG Pactual (BPAC11).

Em seguida, a Azul (AZUL4) sobe 3,18%.

As varejistas sobem em bloco no Ibovespa com dados do varejo divulgados pelo IBGE, mostrando alta de 1,8% em abril ante março. A Via (VVAR3) é a terceira entre as mais altas, registrando alta de 3,07%.

Por fim, PETR3 e PETR4 alavancaram ganhos de 2,44% e 1,45% respectivamente.

Entre as maiores quedas, o Iguatemi (IGTA3) recua 4,98% e é a maior baixa do índice na sessão de hoje. A Iguatemi (IGTA3) informou na segunda-feira (7) que o Grupo Jereissati, holding que controla 100% a Iguatemi, encaminhou proposta de nova reorganização societária para a companhia, que poderá transformar as duas empresas em uma só.

Seguem entre as maiores desvalorizações do Ibovespa: BRF (BRFS3), Assaí (ASAI3), Multiplan (MULT3) e Marfrig (MRFG3).

Dólar

O BTG Pactual (BPAC11) revisou a projeção do dólar a R$ 4,90 no fim do ano com menor risco fiscal. De acordo com o banco, a melhor dos indicadores fiscais no país e a revisão para cima da Selic, entre outras notícias positivas, a projeção para o câmbio para o fim de 2021 foi de R$ 5,30 para R$ 4,90.

Já na revisão mensal macroeconômica, o BTG visualizava a possibilidade de valorização significativa do real, uma vez que houvesse redução de incerteza em relação à pandemia e ao risco fiscal. “A redução do risco fiscal nas últimas semanas reduziu esse ‘gap’”, diz a equipe de economistas do BTG.

Por volta das 13h23, o dólar comercial opera em queda de 0,10% a R$ 5,0401 na compra, em linha com o Ibovespa.

Na segunda-feira (7) ganhou 0,03%, valendo R$ 5,0369, depois de trabalhar com alta maior durante todo o dia. A moeda norte-americana perdeu tanto valor que agora experimenta, diante do real, cotações semelhantes a março de 2020, quando a pandemia começava a fazer seus estragos no Brasil.

*Com BTG Pactual e BDM Online