Ibovespa fecha com queda de 7% e dólar bate novo recorde, a R$ 4,44

Cláudia Maia
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Crédito: benzinga.com

Após muita expectativa em relação ao pregão desta quarta-feira de cinzas, a bolsa brasileira confirmou o pessimismo dos investidores e fechou com queda de 7%.

Entretanto, a temida possibilidade de acionamento do ‘circuit breaker’ – quando o Ibovespa apresenta queda superior a 10% e todas as operações são interrompidas por 30 minutos – não aconteceu.

Dessa forma, a bolsa brasileira encerrou o pregão aos 105.718 pontos, em uma sessão onde todas as 73 ações fecharam no negativo.

O volume financeiro negociado no Ibovespa no dia foi de R$ 33,15 bilhões.

Em pontos, foi a pior perda desde que entrou em vigor a atual metodologia, em março de 1997.

Já em termos porcentuais, foi a maior queda desde 18 de maio de 2017, com o estouro da delação da JBS, o “Joesley Day”, quando a bolsa recuou 8,8%.

O ajuste de hoje colocou o Ibovespa próximo ao nível de 19 de novembro passado, quando o principal índice da B3 fechou aos 105.864,18 pontos.

O que você verá neste artigo:

Coronavírus

O movimento fortemente baixista está relacionado à epidemia do coronavírus.

Nos quatro dias em que o mercado brasileiro ficou parado em razão do feriado de carnaval, a doença avançou muito e causou grande nervosismo nos mercados internacionais.

No mundo já são 80.988 casos, em 37 países. Somente hoje foram registradas 427 novas contaminações.

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, há um caso confirmado – um homem de 61 anos que veio da Itália – e outros 20 casos suspeitos.

Nova York

A bolsa brasileira acompanhou o movimento de queda dos mercados americanos. Por lá, o índice Dow Jones fechou com queda de 0,46% e o S&P 500 com baixa de 0,38%.

O Nasdaq, na contramão, encerrou a jornada com valorização de 0,17%.

Apenas no S&P, o valor de mercado das empresas registrou perda de US$ 1,7 trilhão entre segunda-feira e terça-feira.

No acumulado da semana, o índice tem perdas de 6,3% na semana, de acordo com a CNBC – a maior queda de dois dias desde agosto de 2015.

Commodities

Os contratos futuros de petróleo fecharam em território negativo, com o WTI no nível mais baixo desde janeiro de 2019.

O petróleo WTI para abril fechou em queda de 2,34%, a US$ 48,73 o barril, e o Brent para maio, contrato mais líquido, recuou 2,67%, a US$ 52,81 o barril.

A queda foi a quarta consecutiva para os dois contratos. Ao longo do pregão, a commodity chegou a oscilar em território positivo, logo após a divulgação do relatório semanal de estoques nos EUA do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês).

Já o ouro registrou mais um pregão de perdas, recuando 0,41%, a US$ 1.643,10.

Perdas

Quem mais sofre na bolsa brasileira são as ações de companhias aéreas e siderúrgicas.

As que lideram as perdas são Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4), com, respectivamente, -14,31% e -13,30%.

Na sequência, vêm Metalúrgica Gerdau (GOAU4), -11,89%; CVC (CVCB3), -11,89%; CSN (CSNA3), -10,89%; e Gerdau (GGBR4), -10,47%; e Usiminas (USIM5), -10,36%.

As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuam 9,95% e 10,05%, respectivamente, e Vale (VALE3), -9,54%.

O setor bancário também registrou fortes perdas. As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) recuam 4,99%, do Banco do Brasil (BBAS3) caem 7,40%, enquanto os papéis do Bradesco (BBDC3 BBDC4) desvalorizam-se, respectivamente, 7,32% e 5,38%.

As ações que perderam menos foram as do IRB (IRBR3), -1,60%; Tim (TIMP3), -2,46%; Ambev (ABEV3) −2,65%; e Cielo (CIEL3), -2,70%.

“Esperava-se algo ainda pior e mais volatilidade, mas o fôlego parcial observado em Nova York e parte da Europa na sessão contribuiu para limitar os danos, especialmente visíveis em ações de exportadoras, como Vale, siderurgia, papel e celulose”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Dólar

O dólar voltou do feriado de carnaval em forte alta e fechou a quarta-feira, 26, com novo recorde histórico, em meio à rápida disseminação do coronavírus.

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 1,11%, a R$ 4,4413.

Para tentar conter a desvalorização, o Banco Central injetou US$ 500 milhões em swap cambiais (venda de dólares no mercado futuro) em leilão anunciado antes da abertura do mercado e prometeu mais US$ 1 bilhão para a quinta-feira.

Entretanto, a ação não impediu o real de apresentar o pior desempenho em uma cesta de 34 moedas internacionais nesta quarta-feira.

Segundo operadores, se não fosse a estratégia do BC, a valorização da moeda americana poderia ter sido ainda mais forte.

(Com Rodrigo Petry e Estadão Conteúdo)

 


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