Ibovespa: há um ano, bolsa atingia fundo do poço na pandemia

Matheus Miranda
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Freepik/Divulgação

O índice Ibovespa, da B3 (B3SA3), está perto de completar um ano de seu fundo do poço da pandemia da Covid-19. Esta marca – histórica negativamente – ocorreu no dia 23 de março do ano passado, quando a bolsa registrou queda de 5,22%, chegando a 63.569 pontos.

Ao longo daquele dia, o índice chegou a ir a mínima de 61.161 pontos. Foi um dia considerado marcante porque naquele mês até o dia 23, o Ibovespa havia acumulado uma retração de 45%. Esta foi também a menor pontuação desde 2017.

Foi o prenúncio de um ano negativo. Em meio à pandemia do novo coronavírus, a bolsa brasileira acumulou queda de 45,03%. Na ocasião, ainda havia pouco conhecimento sobre a doença. E o país ainda não estava em uma escalada de contaminação.

Naquele dia, a bolsa chegou a estar próximo do circuit breaker. Ou seja, quase acionou um mecanismo de trava dos negócios, quando a queda no mercado chega a 10%. Em resumo, é uma paralisação temporária das negociações por 1 hora.

Com a retomada das negociações, caso a queda persista, até 15%, há uma nova paralisação. Uma das últimas vezes que o circuit breaker foi acionado foi em 18 de março de 2018, quando houve uma redução de 10,26% na bolsa. No total, em 2020 o mecanismo foi acionado de cinco vezes sendo as piores queda nos dias 12 e 16 de março, quando caiu 13,91% e 13,92%, respectivamente.

Ibovespa: conheça os setores afetados

Diversos foram os setores afetados pela queda de 23 de março de 2020. As empresas de Petróleo como Petrobras (PETR3 PETR4) foram uma das mais afetadas. Isso porque os papéis da petroleira acompanharam a forte oscilação do barril no mercado internacional. As ações da Petrobras caíram 4,83% (ON) e 4,08% (PN). A Vale (VALE3) caiu 3,10% e fechou aquele dia cotada a R$ 34,10.

Já empresas como Adidas, Adobe e Disney, caíram 40%, 8% e 30%, respectivamente, de acordo com o Infomoney. Outros setores afetados fortemente foram bancos, construtoras, supermercados e companhias do setor elétrico.

Para contornar os problemas, países tomaram medidas para salvar o mercado financeiro. Os Estados Unidos, por exemplo, jogaram os juros a zero e ainda aprovaram um dos maiores pacotes de ajuda de sua história.

Já o Brasil, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 4,5% ao ano para a mínima 2% ao ano. Um ano após essa queda histórica, o Copom voltou a elevar os juros. A decisão foi tomada na última reunião e a taxa básica passou para 2,75% ao ano.

No saldo total daquele dia, dentre todos os ativos do mercado, 82,39% fecharam em baixa.

Retomada

O ano foi quase que completamente incerto para os investimentos na bolsa. De janeiro até o dia 23 de março, o índice foi dos quase 120 mil pontos para cerca de 63 mil pontos. No entanto, em julho, o Ibovespa começou a dar sinais de uma retomada. No sétimo mês do ano, o índice obteve uma recuperação e votou a bater na casa dos 90 mil pontos. Foi quando bancos e corretoras já começaram a revisar para cima suas projeções.

Os bons resultados começaram a se tornar mais palpáveis em dezembro. No dia 10 daquele mês, de acordo com matéria do Valor Econômico, a bolsa fechou o pregão com alta de 0,45%, batendo nos 115.128 pontos. Ficando próximo de zerar as perdas do ano. Com isso, o Ibovespa acumulou uma recuperação de 81% desde o 23 de março até aquela data.

As perdas foram zeradas já no apagar das luzes de 2020. Em 15 de dezembro, o pregão fechou com alta de 1,34%, aos 116.148 pontos. Com isso, todas as perdas acumuladas desde o fatídico pregão de março, foram encerradas.

Naquela ocasião, 23 ações conseguiram uma valorização superior a 100%, ajudando a completar a alta. No fim das contas, o Ibovespa encerrou o ano com alta acumulada de 2,92%. Ficou abaixo do dólar, mas conseguiu deixar acalmar o mercado para 2021.