Ibovespa tem queda de 12,17% em dia marcado por paralisação dos negócios

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 20 anos de atuação em veículos, como Agência Estado Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Reprodução/Shutterstock

O Ibovespa fechou a sessão desta segunda-feira (9) com retração de 12,17%, aos 86.067pontos, em um pregão marcado pelo acionamento do circuit breaker.

Entre as 10h31 e 11h01, os negócios foram paralisados, após a bolsa brasileira registrar perdas superiores a 10%. O giro financeiro foi de R$ 44,03 bilhões.

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Enquanto isso, a moeda norte-americana também fechou com alta. O dólar comercial avançou 1,95%, cotado a R$ 4,7282, e o futuro valorizou-se 2,15%, aos R$ 4,733.

Nem mesmo o leilão do Banco Central, de cerca de US$ 3 bilhões no mercado à vista, antes da abertura, foi suficiente para conter a desvalorização do real frente ao dólar.

O movimento ocorreu diante das repercussões da queda do preço do petróleo no mercado internacional, em meio ao racha registrado entre os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

O que você verá neste artigo:

Ações

Entre as ações com maior giro no pregão desta segunda-feira estiveram os papeis da Petrobras, com a PN (PETR4) recuando 29,85% e a ON (PETR3) caindo 29,94%. Em seguida vieram Via Varejo (VVAR3), com retração de 15,80%, Vale (VALE3), com redução de 15,20%, e Itaú Unibanco, com queda de 6,93%.

Já entre as maiores perdas, além das duas classes de ações da Petrobras, estavam CSN (CSNA3) e Marfrig (MRFG3), com perdas, respectivamente, de 25,76% e 23,89%.

Por outro lado, entre as menores perdas, destacavam-se Taesa (TAEE11), -3,30%; Ambev (ABEV3), -4,24%; e Carrefour (CRFB3), -5,07%.

NY

Em Nova York, os mercados também abriram com fortes perdas e o circuit breaker foi acionado. O mecanismo foi acionado após quedas de 7%, mas tem duração de 15 minutos.

As bolsas americanas  fecharam em fortes quedas também: Dow Jones (-7,79%), S&P 500 (-7,6%) e Nasdaq (-7,29%).

A última vez que o mecanismo foi acionado foi durante a crise financeira de 2008.

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OPEP

Os preços do petróleo desabaram em meio ao fracasso das negociações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para o corte da produção.

A turbulência ocorre após a implosão da aliança entre a OPEP e a Rússia na última sexta-feira (6), elevando as tensões nos mercados, que sofrem perdas com o avanço da epidemia do coronavírus.

Europa e Ásia

Na Europa, o sentimento de pânico também toma conta, com o Stoxx 600 recuando mais de 7%, assim como as bolsas em Londres, Paris e Frankfurt. A bolsa de Milão, por sua vez, opera com altas superiores a 10%.

Na Ásia, a bolsa em Tóquio fechou com queda de 5,07%; Xangai, -3,01%; Hong Kong, -4,23%; Austrália, -7,33% e Coreia, -4,19%.

Tá, e aí?

Em relatório a clientes, a XP destaca que a queda do preço do petróleo tende a reduzir a pressão na inflação doméstica e, portanto, deve reforçar o entendimento do mercado de que o Banco Central cortará a Selic em 0,50 ponto percentual na próxima semana.

No entanto, os efeitos de aversão ao risco sobre o Real e o choque de oferta de diversos produtos vão na direção contrária, aumentando a incerteza sobre o plano de voo do BC.

“Seguimos acreditando que o Banco Central cortará 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 3,75%”, afirmou a XP, em relatório.