Ibovespa fecha em queda de 5,45% após fator Moro; dólar encerra em R$ 5,63

Marcia Furlan
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Crédito: blog.guiabolso.com.br

O dia foi tenso no campo político-econômico. Impactado pela demissão do agora ex-ministro Sergio Moro, o Ibovespa fechou, às 17h desta sexta-feira (24), em menos 5,45%, alcançando 75.330 pontos.

Ex-juiz federal, Moro estava à frente do ministério da Justiça e Segurança Pública desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro.

No mesmo horário, o dólar encerrou cotado a R$ 5,6305, uma alta de 1,76%.

A variação ao longo do dia ficou assim: por volta das 15h, o Ibovespa caía 6,53%, alcançando 74,467 pontos. Já a moeda-norte-americana, naquele horário, marcava alta de 3,41%, cotado a R$ 5,7234.

Antes disso, por volta das 13h, o Ibovespa reduzia perdas registradas durante a fala do ex-ministro, e caía 6,69%, aos 74,342 pontos.

O índice chegou a recuar mais de 9% e bateu em 72.040 pontos. Apenas uma das 73 ações do índice subia, a Suzano (SUZB5), +1,23%. As ações de estatais estão entre as mais penalizadas.

wisir research

A decisão de Moro foi uma reação à demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Mauricio Aleixo, pelo presidente Jair Bolsonaro, na manhã de hoje.

No pronunciamento, Moro disse que evitou sair durante a pandemia, mas que agora isso foi inevitável. Afirmou também que tentou negociar a substituição por outro nome, mas não houve sucesso e foi surpreendido pela decisão publicada no Diário Oficial essa manhã. “Essa precipitação mostrou que presidente me quer fora do cargo”, afirmou.

Moro disse ainda que acreditava ter o dever de tentar proteger a Polícia Federal e entendia que não podia deixar de lado seu “compromisso com o estado de direito”. Por várias vezes mencionou a tentativa de interferência política na PF e o acesso a investigações.

Moro sai, governo balança

Analista da Capital Research, Ernani Reis afirma que a saída de Sergio Moro da equipe ministerial pode colocar em xeque a governabilidade do presidente Jair Bolsonaro.

Por conta disso, o mercado já reage negativamente à notícia, prevendo que as chances de recuperação econômica ainda este ano estão enterradas.

Conforme Reis, Moro é considerado um dos nomes mais importantes do país e, certamente, foi destaque como membro da equipe de Bolsonaro durante os primeiros meses de mandato.

A saída dele, portanto, representa a desconfiguração da “equipe de ouro” que incluía os chamados “super-ministros” da Justiça e também o da Economia, Paulo Guedes, o que enfraquece o já desgastado governo Bolsonaro.

Isso porque tanto Guedes quanto Moro representavam a promessa de uma equipe ministerial técnica e o frágil equilíbrio das forças de sustentação que apoiam a conturbada liderança de Bolsonaro.

Para o mercado, uma mudança como essa, neste momento, pode significar o aumento da insatisfação e a perda definitiva da capacidade de articulação do presidente.

Isso porque no intervalo de uma semana Bolsonaro demitiu dois de seus subordinados mais populares: além de Moro, lembramos do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

“Como dissemos em materiais anteriores, o mercado precisa de alguma segurança e previsibilidade sobre as medidas que serão tomadas”, frisou.

Moro sai, governo balança

Neste contexto, transmitir a mensagem de unidade de que a pandemia será vencida e que se tomará medidas concretas de enfrentamento da crise financeira é fundamental.

De acordo com Reis, Moro desempenhava papel de blindagem à Polícia Federal, que é bem vista pelo mercado.

As mudanças nas lideranças abrem espaço para a especulação sobre uma intervenção direta do presidente e as declarações de Moro no pronunciamento de sua demissão reforçam isso.

Vale destacar que o Brasil não vai acabar, como os números do mercado financeiro de hoje talvez façam muitos acreditarem.

Entretanto, a curva de retomada do crescimento acaba de ficar muito mais longa, mesmo Moro não estando diretamente ligado às pautas econômicas.

Brasil

Ações

Mais negociadas

  • Via Varejo (VVAR3): -7,74%
  • Petrobras PN (PETR4): -6,67%
  • Itaú (ITUB4): -5,90%
  • Banco do Brasil (BBAS3): -11,66%
  • Bradesco (BBDC3): -7,34%

Maiores quedas

  • Eletrobras ON (ELET3): -14,30%
  • Eletrobras PNB (ELET6): -14,33%
  • IRB (IRBR3): -12,65%
  • BR Malls (BRML3): -12,44%
  • Cia Hering (HGTX3): -11,84%

Petrobras ON (PETR3) caía -7,90% e Vale (VALE3), – 2,00%.

Covid-19 e pacotes

No exterior, os futuros de NY avançam após aprovação pela Câmara dos Deputados dos EUA do pacote de US$ 484 bilhões para pequenas empresas.

Os mercados mundiais reagiram também pela manhã às notícias sobre os testes com um novo medicamento para tratamento da Covid-19. Na semana passada, as bolsas subiram com resultados animadores do Remdesivir em pacientes de um hospital de Chicago, mas hoje o Financial Times tornou público um documento divulgado por engano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de que um estudo na China mostrou resultados diferentes.

Na Europa, as bolsas refletem a falta de respostas à crise. Ontem, os países chegaram a um acordo para um pacote de estímulo de 540 milhões de euros, mas, segundo a Guide Investimentos, a costura de um plano de reconstrução econômica de longo prazo não saiu em razão de desentendimentos sobre como os gastos excessivos deverão ser financiados.

As cotações do petróleo oscilam, ainda influenciados pela baixa demanda e excesso de estoques, à espera de decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) sobre possíveis novos cortes da produção.

Balanços

A Nestlé registrou no início do dia resultados melhores do que o esperado, com aumento de 4,3% nas vendas, com os consumidores consumindo mais em casa e estocando produtos graças às medidas de isolamento social.

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E a indústria farmacêutica Sanofi obteve lucro líquido de 2 bilhões de euros.

Vamos ao desempenho dos mercados às 13h:

Nova York 

  • S&P: +1,65%
  • Nasdaq: +1,65%
  • Dow Jones: +1,33%

Petróleo

  • Brent (junho 2020): US$ 21,44 (+0,52%)
  • WTI (junho 2020): US$ 16,94 (+2,66%)

Europa (fechamento)

  • DAX, Alemanha: -1,69%
  • FTSE, Inglaterra: -1,30%
  • CAC, França: -1,30%
  • FTSE MIB, Itália: -0,94%
  • Stoxx 50: -1,52%

Ásia (fechamento)

  • Nikkei, Japão: -0,86%
  • Xangai, China: -1,06%
  • HSI, Hong Kong: -0,61%
  • ASX 200, Austrália: +0,49%
  • Kospi, Coreia: -1,34%