Ibope vai realizar 100 mil testes de Covid-19 no Brasil

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: iStock / Getty Images

O Ministério da Saúde contratou o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) para realizar um estudo e rastrear a disseminação do Covid-19 em todo o país. A ação será feita em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O projeto prevê a realização de 100 mil testes rápidos comprados da China.

A ação acontece em três fases. Cada uma delas terá um intervalo de duas semanas. Em cada uma das etapas, está programado a realização de mais de 33 mil testes e as pessoas responderão a um questionário.

A pesquisa deve começar a ser realizada a partir da próxima semana em 133 municípios de todo o Brasil.

Ibope tem desafio pela frente

O início depende basicamente do Ibope adquirir os equipamentos de proteção para os 2,6 mil entrevistadores.

Cada etapa terá 33.250 entrevistas e testes.

O desafio é fazer uma ação em tão pouco espaço de tempo, já que os testes precisam ser feitos em 2 dias.

Os exames rápidos adquiridos da China foram validados pela UFPel.

“Eles usaram o teste em amostras de pacientes já diagnosticados com Covid-19 por PCR (detecção mais demorada, que identifica a presença do material genético do vírus). Os testes comprados acertaram 78% dos casos já anteriormente confirmados de Covid-19. No caso de pacientes que não tinham o vírus, o teste deu negativo em 99% dos casos”, informou o site Poder360.

“Os testes identificam anticorpos – a resposta do sistema imunológico à doença – e não o vírus em si. Por conta disso, eles só conseguem verificar a contaminação de 7 a 10 dias do contato da pessoa com o patógeno. Ou seja, quando os primeiros resultados saírem, representarão a situação da doença no país até duas semanas antes. A repetição dos estudos a cada duas semanas, portanto, poderá mostrar a evolução de novas contaminações pelo Brasil”, reportou o site.

Objetivos com o aumento de testes

O secretário da Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Erno Harzheim, esteve na Rádio Gaúcha nessa segunda-feira (20) e disse que o Brasil ainda testa muito pouco e isso explica a alta taxa de letalidade da doença, que hoje está em 6,35%. No mundo, a taxa é de 6,87%.

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A pesquisa do Ibope e os testes vão ajudar a obter cálculos precisos da letalidade, com estimativas do percentual de infectados na população.

Os dados podem dar uma estimativa mais precisa do percentual de brasileiros com anticorpos para Covid-19.

Pode também avaliar a velocidade de expansão da infecção, além de responder à grande questão de quantos assintomáticos há andando por aí.

“É importante ampliarmos a testagem de casos graves, e também muito importante testarmos quem possui sintomas leves para darmos a segurança de que a pessoa não está com Covid-19 ou, dando positivo, que ela seja acompanhada de perto no final do período de isolamento de 14 dias. Essa é uma pessoa que vai estar imune”, afirmou.

É o aumento de testes que dará ao ministério uma visão mais acurada de como a doença está evoluindo no Brasil. A partir desses dados, é possível formular medidas mais efetivas para o combate ao alastramento do vírus e programar a reabertura da economia com mais eficiência.

A testagem alta faz com que seja possível planejar também, com maior eficácia, a compra de materiais e distribuição entre os entes federativos.

O custo total é de R$ 12 milhões Desses, o Ibope recebe R$ 9,975 milhões.

Boca de urna

“A realização do estudo será uma operação de guerra comparável a uma boca de urna”, diz Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência, ao Poder360.

Antes de sair a campo, 2.200 entrevistadores serão treinados por enfermeiros, seguindo um protocolo já preparado para pesquisa anterior da Universidade de Pelotas, só no Rio Grande do Sul.

Todas as secretarias de saúde dos 133 municípios serão contatadas previamente para ajudar na organização. “Se o teste der positivo, a vigilância epidemiológica precisa estar a postos para acompanhar o caso”, diz Hallal.

Distrito Federal: 100 mil testes de Covid-19

A capital federal também vai fazer sua força-tarefa para identificar o real tamanho do problema.

O Distrito Federal vai começar uma testagem em massa, em sistema de drive thru, com os testes realizados dentro dos próprios veículos dos interessados. O início é na terça-feira (21), que é o aniversário de 60 anos de Brasília.

Serão cerca de 100 mil testes aplicados inicialmente.

O grupo prioritário para testagem será o das pessoas com sintomas de gripes, incluindo febre. É importante que elas estejam com sintomas, no mínimo, há sete dias.

Todos serão cadastrados na entrada do drive-thru e passarão por triagem de temperatura feita pelo Corpo de Bombeiros, através de câmeras térmicas. Aqueles que não apresentarem sintomas não farão a testagem.

Serão dois tipos de testes, o sanguíneo, com coleta de uma gota de sangue e resultado em até 30 minutos; e o swab, com coleta de material da garganta e do nariz do paciente, com um cotonete e analisado em laboratório, de modo que o resultado sai em até 48 horas.

São Paulo fará teste em massa

Vice-governador do estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM), diz que o governo estadual fará testes em massa a partir de 15 de maio.

Ele afirma que a realização dos testes para Covid-19 se dará de forma metodológica e por amostragem, identificando as regiões chave do estado e faixas etárias específicas da população de São Paulo.

“O teste vai ser feito de acordo com as estatísticas e estratégias que o Instituto Butantan tem. O que significa isso? Você vai testar uma amostragem da população e, através dessa amostragem, é que você identifica o percentual da população já adquiriu o vírus e, consequentemente, já pode se considerar imunizada”, afirmou o vice-governador.

“Até quarta-feira nós esperamos zerar a fila, nos próximos dois dias. Nós vamos abrir o dia 25 assim com nenhum teste na fila, com todos os testes que foram realizados já notificados e já informados no sistema do Ministério da Saúde. A partir daí, os testes continuam sem nenhum represamento e entraremos com a segunda estratégia dos testes a partir do dia 15 de maio”, disse.

Impacto

Espera-se que com iniciativas como essas de estados e do governo federal com o Ibope haja uma explosão no número de casos de Covid-19 identificados.

Embora o número possa assustar no início, ele é necessário para que o país planeje suas ações.

Hoje, o Brasil testa muito pouco, normalmente só aqueles casos mais graves. Identificar os assintomáticos ou casos leves pode diminuir drasticamente a circulação de pessoas com vírus que vão infectar outras pessoas.

O balanço do Ministério da Saúde dessa segunda-feira (20) mostrou que o país tem 40.581 casos confirmados e 2.575 mortos. É um número bastante alto para a pouca quantidade de testes já realizados.

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