IBGE: taxa de desemprego atinge 13,9% no quarto trimestre

Matheus Miranda
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil

A taxa de desemprego fechou o quatro trimestre de 2020 em 13,9%, após ter atingido 14,6% no trimestre anterior, conforme divulgado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (26).

O dado corresponde a 13,4 milhões de pessoas na fila por uma vaga no mercado de trabalho. Em 2018, a desocupação ficou em 12,3%, e no ano seguinte, foi de 11,9%.

PNAD

“No ano passado, houve uma piora nas condições do mercado de trabalho em decorrência da pandemia de Covid-19. A necessidade de medidas de distanciamento social para o controle da propagação do vírus paralisou temporariamente algumas atividades econômicas. E isso também influenciou na decisão das pessoas de procurarem trabalho. Com o relaxamento dessas medidas ao longo do ano, um maior contingente de pessoas voltou a buscar uma ocupação, pressionando o mercado de trabalho”, avaliou a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

Menos 7,3 milhões de pessoas ocupadas em um ano

No intervalo de um ano, a população ocupada caiu 7,3 milhões de pessoas, chegando ao menor número da série anual. A analista explicou que o país saiu de 2019 da maior população com emprego da série histórica, que foi de 93,4 milhões de pessoas para 86,1 milhões de trabalhadores no ano passado.

“Foi uma queda bastante acentuada e em um período muito curto, o que trouxe impactos significativos nos indicadores da pesquisa. Pela primeira vez na série anual, menos da metade da população em idade para trabalhar estava ocupada no país. Em 2020, o nível de ocupação foi de 49,4%”, acrescentou.

Em um ano, o número de empregados com carteira assinada no setor privado (com exceção dos trabalhadores domésticos) registrou queda considerada recorde pelo IBGE: retração de 2,6 milhões. O que significa um recuo de 7,8%, ficando em 30,6 milhões de pessoas. Os trabalhadores domésticos (5,1 milhões) registraram queda de 19,2%, também a maior já registrada.

Houve diminuição de 1,5 milhão de pessoas entre os trabalhadores por conta própria, que somaram 22,7 milhões, uma retração de 6,2% em relação a 2019.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (cerca de 9,7 milhões) registrou variação negativa de 16,5%, representando menos 1,9 milhão de pessoas no mercado. Até o total de empregadores recuou 8,5%, ficando em 4 milhões.

A taxa de informalidade caiu, passando de 41,1% em 2019 para 38,7% no ano passado. O que representa um contingente de 33,3 milhões pessoas sem carteira assinada. A analista do IBGE lembra que os informais foram os primeiros atingidos pelos efeitos da pandemia, no ano passado.

PNAD: pessoas subutilizadas

O IBGE também registrou alta recorde no total de pessoas subutilizadas, que são os trabalhadores desocupados, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial. No ano, esse contingente chegou a 31,2 milhões, considerado o maior da série, um aumento de 13,1% com mais 3,6 milhões de pessoas.

Os desalentados, aqueles que desistiram de buscar trabalho devido às condições estruturais do mercado, chegaram a 5,5 milhões de pessoas 2020, uma alta de 16,1% em relação ao ano anterior, sendo também o maior contingente da série anual da PNAD Contínua.

“Com os impactos econômicos da pandemia, muitas pessoas pararam de procurar trabalho por não encontrarem na localidade em que vivem ou por medo de se exporem ao vírus. Durante o ano de 2020, observamos que a população na força de trabalho potencial cresceu devido ao contexto. Esse processo causado pela pandemia, somado às dificuldades estruturais de inserção no mercado de trabalho, podem ter reforçado a sensação de desalento”, afirmou a analista da pesquisa.

PNAD: administração pública cresce 1%

Em um ano de perdas generalizadas na ocupação, a exceção entre as atividades foi a administração pública, que cresceu 1%, com mais 172 mil trabalhadores, impulsionada pelos segmentos de saúde e educação. Já o setor de construção fechou 2020 com perda de 12,5% na ocupação, seguido de comércio (recuo de 9,6%) e indústria (queda de 8,0%).

Os serviços também foram os mais afetados, com destaque para alojamento e alimentação (21,3%) e serviços domésticos (19,0%). Outros serviços reduziram 13,8% e transportes, 9,4%. Os menores percentuais ficaram com agricultura (2,5%) e informação e comunicação (2,6%), que, inclusive, interrompeu três anos seguidos de crescimento da ocupação.

Em 2020, o rendimento médio real dos trabalhadores foi de R$ 2.543, um crescimento de 4,7% em relação a 2019. Já a massa de rendimento real, que é soma de todos os rendimentos dos trabalhadores, atingiu R$ 213,4 bilhões, uma redução de 3,6% frente ao ano anterior.

Recuperação

No último trimestre de 2020, a queda na taxa de 0,7 ponto percentual na taxa de desocupação já era esperada, segundo a analista do IBGE. Ela explicou que foi um comportamento sazonal por conta do tradicional aumento das contratações temporárias e aumento das vendas do comércio. “É interessante notar que mesmo num ano de pandemia, o mercado de trabalho mostrou essa reação”, completou.

Os principais destaques, no trimestre, foram o aumento de 10,8% no contingente de empregados sem carteira assinada que atingiu 10 milhões de pessoas, e o total de trabalhadores por conta própria, que avançou 6,8%, somando 23,3 milhões. Na mesma comparação com o trimestre anterior, empregados com carteira avançaram 1,8%, atingindo 29,9 milhões.

O percentual de trabalhadores informais subiu de 38,4%, no terceiro de trimestre de 2020, para 39,5%, no quarto trimestre. Isso compreende 34 milhões de pessoas, um aumento de 2,4 milhões de trabalhadores na informalidade.

Esse resultado no trimestre foi puxado pelo aumento na ocupação em quase todos os grupos de atividades: agricultura (3,4%), indústria (3,1%), construção (5,2%), comércio (5,2%), alojamento e alimentação (6,5%), informação e comunicação (5,8%) outros serviços (5,9%), serviços domésticos (6,7%) e administração pública (2,9%). Apenas transporte ficou estável.