IBGE: produção industrial recua em sete estados

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.
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Crédito: Divulgação CNI (Confederação Nacional da Indústria)

A produção industrial registrou um recuo em sete dos 15 locais estudados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM Regional) no mês de julho. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A maior retração foi apresentada no Amazonas, com recuo de 14,4%. Outra queda de destaque foi São Paulo, com queda de 2,9%, apesar de ser a segunda a maior foi o índice que mais influenciou no resultado negativo de julho, uma vez que a indústria paulista é a principal do Brasil. 

Mesmo com a queda em sete estados, o resultado de julho revelou que três locais estão acima do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, com destaque para Minas Gerais (11,8% acima), que desde julho do ano passado é o único local que se mantém neste nível. Santa Catarina (3,4%) e Paraná (0,4%) entraram na lista com o resultado de julho.

De acordo com Bernardo Almeida, analista da PIM Regional, o mês de julho apresenta, em primeiro plano, o retrato da indústria regional que já era visto antes da pandemia. “Com o avanço da vacinação e uma maior circulação de pessoas, a indústria começa a mostrar sua realidade pré-pandemia, mas com condições que se acentuaram, como o desemprego e a inflação”, relata. 

Ele ainda acrescenta que “o resultado da indústria regional reflete o momento econômico demonstrado pelas demais pesquisas do IBGE”. Almeida usa os dados dos últimos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para sustentar o argumento.

Após quatro altas consecutivas, o recuo no Amazonas em julho reduziu parte do crescimento acumulado entre os meses março e junho, aumento de 18,6% neste período. ”Dois setores muito influentes no estado tiveram baixo desempenho: o setor de bebidas e o de outros equipamentos de transporte”, explica Almeida. 

A queda é a mais intensa desde abril de 2020, quando a indústria amazonense alcançou o pior patamar da série histórica (com recuo de 48,7%), no auge da pandemia. Com o resultado de julho, o Amazonas foi a segunda maior contribuição negativa no índice nacional e saiu da lista dos locais acima do patamar pré-pandemia.

O principal polo industrial do Brasil, São Paulo apresentou a segunda queda seguida, acumulando uma perda 3,7% no bimestre. “Essa queda de julho se refere muito ao setor de veículos, o que mais se destacou negativamente, e como já se sabe, um dos maiores da indústria paulista”, diz Almeida. A retração paulista representa a principal influência negativa e a segunda maior queda absoluta da pesquisa. 

O resultado de julho também tirou São Paulo dos locais acima do patamar pré-pandemia e o estado agora está 0,4% abaixo de fevereiro de 2020. Minas Gerais (-2,6%), Pará (-2,0%), Rio Grande do Sul (-1,7%), Santa Catarina (-1,5%) e Rio de Janeiro (-1,4%) completaram o conjunto de locais com recuo na produção em julho.

Já em relação às altas, a Bahia (6,7%) teve o maior crescimento na produção e foi a segunda maior influência positiva, impulsionada pelo setor de derivados do petróleo. Nos últimos dois meses (junho-julho), a indústria baiana acumula ganho de 20,6%. 

A primeira influência foi do Paraná (3,3%), influenciado pelo setor de veículos e pelo de derivados do petróleo. Espírito Santo (3,7%), Região Nordeste (3,4%), Pernambuco (2,5%), Ceará (1,5%), Mato Grosso (1,1%) e Goiás (0,8%) registraram os demais resultados positivos regionais em julho.

Comparação a julho de 2020, sete locais têm alta

Na comparação com julho de 2020, cujo crescimento nacional foi de 1,2%, sete dos 15 locais pesquisados apresentaram crescimento na produção. Espírito Santo (9,4%), Minas Gerais (8,6%), Paraná (8,2%) e Santa Catarina (7,8%) tiveram as maiores altas. Rio de Janeiro (2,8%), Rio Grande do Sul (2,4%) e São Paulo (1,3%) completaram o conjunto de locais com crescimento em julho.

Por outro lado, Bahia (-12,2%), Pará (-10,9%) e Região Nordeste (-9,6%) tiveram as quedas mais intensas nesta comparação, seguidos por Pernambuco (-8,6%), Amazonas (-8,1%), Ceará (-3,2%), Mato Grosso (-3,1%) e Goiás (-3,0%). Vale citar que julho de 2021 (22 dias) teve um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior (23). 

Almeida destaca que os resultados positivos elevados na comparação com julho de 2020 são influenciados, em grande parte, pela baixa base de comparação. “No mesmo mês do ano passado, o setor industrial ainda se encontrava pressionado pelas paralisações ocorridas em diversas plantas industriais, mas já ensaiava o início da retomada de produção, devido à flexibilização de medidas de isolamento social”, conclui.