IBGE: produção industrial cai pelo quinto mês consecutivo

Matheus Gagliano
Jornalista formado em 2007. Possui mais de 15 anos de experiência em jornalismo econômico e corporativo. Passou por veículos especializados como Brasil Energia e Canal Energia e pelo Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro. Além de passagens por veículos como Record TV do Rio, jornal O Dia e Diário Lance.
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A produção industrial nacional caiu 0,6% em outubro frente a setembro. Este é o quinto resultado negativo consecutivo. Nesses cinco meses acumula perda de 3,7%. Já em relação a outubro de 2020, na série sem ajuste sazonal, a indústria recuou 7,8% em outubro de 2021, intensificando as reduções de setembro (queda de 4,%) e agosto (redução de 0,6%).

No entanto, no ano, a indústria acumula altas de 5,7%. E em 12 meses, acumula elevação também de 5,7%.

Os dados foram divulgados pela Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo de 0,6% da indústria alcançou três das quatro das grandes categorias econômicas. E ainda 19 dos 26 ramos pesquisados.

produção industrial

Produção industrial está mais longe do período pré-pandemia

André Macedo, gerente da pesquisa ressalta que, mais do que o resultado do mês em si, chama atenção a própria sequência de resultados negativos. Isto porque são cinco meses de quedas consecutivas na produção, período em que acumula retração de 3,7%.

“A cada mês que a produção industrial vai recuando, se afasta mais do período pré-pandemia. Nesse momento, está 4,1% abaixo do patamar de fevereiro de 2020”, analisa.

De acordo com Macedo, o resultado de outubro mantém uma característica que vem sendo observada ao longo do ano: predominância de taxas negativas e diretamente afetada pelos efeitos da pandemia da Covid-19.

“Para além da perda na margem, há um espalhamento dos resultados negativos: são três das quatro categorias econômicas e 19 das 26 atividades no campo negativo. O ano de 2021 está bem marcado por esse comportamento” observa ele.

Ele destaca ainda que os efeitos da pandemia sobre o processo produtivo ficam muito evidentes em função da desarticulação da cadeia produtiva. O que leva ao encarecimento dos custos de produção e ao desabastecimento de matérias primas e insumos produtivos para a fabricação de bens finais.

Queda das indústrias extrativa e alimentícia têm maior peso

As influências negativas que mais pesaram foram de indústrias extrativas (redução de 8,6%) e produtos alimentícios (retração de 4,2%).

As indústrias extrativas voltaram a recuar após avançar 2,2% no mês anterior, quando interrompeu três resultados negativos consecutivos e que acumularam perda de 2,5%. Já produtos alimentícios intensificaram a redução de 3,2% em setembro.

“O fator mais importante é que as quedas foram disseminadas, mas as maiores influências vieram dos setores extrativo, que vinha de crescimento e foi impactado negativamente pelas quedas do minério de ferro e do petróleo, que representam aproximadamente 90% do setor”, avaliou ele.

“E de alimentos, influenciado especialmente pelo comportamento negativo do açúcar, em função de uma antecipação da safra da cana-de-açúcar na região Centro-Sul do país, devido a condições climáticas adversas”, completou.

Ele disse ainda que, além disso, o grupamento de carnes, sobretudo bovinas, ainda sofre com as restrições das exportações para China. O que ocorre por conta do mal da vaca louca.

Inflação elevada influi na demanda

Explica ainda que pelo lado da demanda doméstica, também permanece uma série de características elencadas para justificar o comportamento negativo ao longo do ano: inflação elevada, que diminui a renda disponível das famílias, e um mercado de trabalho longe do ideal.

“Ainda existe um grande contingente de trabalhadores fora dele, com uma massa de rendimentos que não avança e marcado pela precarização do emprego. São fatores que também ajudam a explicar porque a produção vem mantendo um comportamento de menor intensidade. Tirando os meses de janeiro, que teve um avanço de 0,2% e maio, com alta de 1,2%, os outros oito meses tiveram taxas negativas”, acrescenta o gerente da pesquisa.