IBGE: Taxa de desemprego chega a 14,6% no terceiro trimestre

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O IBGE divulgou nesta sexta-feira (27) a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). De acordo com os dados, a taxa de desocupação chegou a 14,6% no terceiro trimestre do ano. É uma alta de 1,3 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior (13,3%).

Essa é a maior taxa registrada na série histórica do IBGE, iniciada em 2012, e corresponde a 14,1 milhões de pessoas. Ou seja, mais 1,3 milhão de desempregados entraram na fila em busca de um trabalho no país.

A taxa de desemprego subiu em dez estados e ficou estável nos demais. As maiores taxas foram na Bahia, com 20,7%, em Sergipe, 20,3% e em Alagoas, 20,0%.

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Por outro lado, a menor foi registrada em Santa Catarina (6,6%). Os maiores crescimentos da taxa de desocupação foram registrados na Paraíba (4 p.p.), no Amapá (3,8 p.p.) e em Pernambuco (3.8 p.p.).

Taxa de desocupação das pessoas de 14 anos ou mais, na semana de referência – Brasil (%)

IBGE PNAD Contínua

IBGE PNAD Contínua

Conforme analista da pesquisa, Adriana Beringuy, o aumento na taxa de desemprego reflete a flexibilização das medidas de isolamento social. “Houve maior pressão sobre o mercado de trabalho no terceiro trimestre.

Em abril e maio, as medidas de distanciamento social ainda influenciavam a decisão das pessoas de não procurarem trabalho. Com o relaxamento dessas medidas, começamos a perceber um maior contingente de pessoas em busca de uma ocupação”, explica.

Níveis trimestrais

O contingente de ocupados reduziu 1,1% na comparação com o segundo trimestre, totalizando 82,5 milhões de pessoas. O valor é o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. Houve uma retração de 883 mil pessoas. 

Portanto, o nível de ocupação foi de 47,1%, também o menor da série. Foi uma queda de 0,8 ponto percentual frente ao trimestre anterior (47,9%). Desde o trimestre encerrado em maio, o nível de ocupação está abaixo de 50%, ou seja, menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país.

A analista observa que todas as categorias perderam ocupação. O número de pessoas com carteira assinada caiu 2,6% no terceiro trimestre frente ao anterior, com perda de 788 mil postos. Atualmente, há 29,4 milhões de empregados com carteira assinada no país.

O percentual de empregados com carteira de trabalho assinada era de 76,5% dos empregados do setor privado. Os maiores percentuais estavam em Santa Catarina (90,5%), Paraná (85,1%), Rio Grande do Sul (84,3%) e São Paulo (82,3%) e os menores no Maranhão (51,3%), Pará (53,9%) e Piauí (54,1%).

Além disso, a taxa de informalidade foi de 38,4% no trimestre encerrado em setembro. Ou seja, são 31,6 milhões de pessoas sem carteira assinada, sem CNPJ ou trabalhadores sem remuneração. No trimestre anterior, esse percentual foi 36,9%.

Taxa de desocupação das pessoas de 14 anos ou mais – final trimestres terminados em setembro

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Ocupação cresce apenas na construção e na agricultura

Conforme o IBGE, as atividades de construção e agricultura tiveram crescimento da população ocupada no terceiro trimestre. Na construção o aumento foi de 7,5%, o que representa 399 mil pessoas a mais trabalhando no setor. Já na agricultura a alta foi de 3,8%, com mais 304 mil trabalhadores.

“A atividade da construção foi a que mais aumentou no período. Isso porque pedreiros ou outros trabalhadores conta própria, que tinham se afastado do mercado em função do distanciamento social, retornaram no terceiro trimestre com a reabertura das atividades e a demanda por pequenas obras, como reformas de imóveis”, disse Beringuy.

De acordo com a analista, na agricultura, a alta na ocupação pode estar relacionada à sazonalidade do cultivo. “A agricultura, de modo geral, tem ritmo diferente das demais atividades. Além disso, o setor sofreu menos os efeitos da pandemia, pois é uma atividade que se situa no campo, onde o impacto do distanciamento social foi menor do que na cidade”, afirma.

Desemprego chega a 17,9% no Nordeste

Por fim, no terceiro trimestre, a taxa de desocupação atingiu o recorde de 17,9% no Nordeste. Esse é o maior número entre as grandes regiões. Já o Sul teve a menor taxa entre elas: 9,4%. Em relação às unidades da federação, as maiores taxas de desocupação também estavam no Nordeste, enquanto os estados do Sul tiveram as menores.

“A taxa de desocupação, na comparação trimestral, subiu em dez unidades da federação, permanecendo estável nas demais. Ou seja, nenhuma unidade da federação do país conseguiu mostrar uma retração dessa taxa no terceiro trimestre. Isso mostra que todos os estados tiveram, de alguma forma, o mercado de trabalho bastante afetado”, explica a analista do IBGE.