IBGE: Índice de Preços ao Produtor (IPP) sobe 3,28% em agosto

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Divulgação

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta terça (29) os números do Índice de Preços ao Produtor.

Em agosto de 2020, os preços da indústria subiram 3,28% em relação a julho de 2020, a maior variação positiva da série, iniciada em janeiro de 2014.

O acumulado no ano atingiu 10,80%.

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Frente a agosto de 2019, a variação de preços foi de 13,74%. Em agosto, os preços das 24 atividades tiveram variações positivas, contra 20 no mês anterior.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação, mede a evolução dos preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e frete.

O indicador abrange informações por atividades e por grandes categorias econômicas, ou seja, bens de capital, bens intermediários e bens de consumo (duráveis e semiduráveis e não duráveis).

Indústria

Em agosto, os preços da indústria subiram, em média, 3,28% em relação a julho/2020.

As quatro maiores variações foram nas indústrias extrativas (8,43%), refino de petróleo e produtos de álcool (6,24%), outros produtos químicos (4,13%) e alimentos (4,07%).

Os setores de maior influência foram de alimentos (1,00 p.p.), refino de petróleo e produtos de álcool (0,52 p.p.), indústrias extrativas (0,44 p.p.) e outros produtos químicos (0,32 p.p.).

O acumulado no ano atingiu 10,80%, contra 7,28% em julho/2020.

As atividades de maior variação foram indústrias extrativas (34,91%), equipamentos de transporte (21,41%), madeira (20,63%) e metalurgia (20,57%).

No acumulado do ano, os setores de maior influência foram alimentos (3,88 p.p.), indústrias extrativas (1,57 p.p.), refino de petróleo e produtos de álcool (-1,22 p.p.) e metalurgia (1,19 p.p.).

 

Maiores variações

No acumulado em 12 meses, a variação de preços foi de 13,74%, contra 11,13% em julho/2020.

As quatro maiores variações foram em alimentos (27,45%), outros equipamentos de transporte (24,66%), madeira (21,40%) e metalurgia (18,97%).

Os setores de maior influência foram: alimentos (6,06 p.p.), metalurgia (1,15 p.p.), indústrias extrativas (0,93 p.p.) e outros produtos químicos (0,82 p.p.).

A variação de preços de 3,28% em relação a julho repercutiu da seguinte maneira entre as grandes categorias econômicas: 1,62% em bens de capital; 4,03% em bens intermediários; e 2,54% em bens de consumo.

A  variação observada em bens de consumo duráveis foi de 0,60% e 2,94% em bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Do resultado da indústria geral, 3,28%, a influência das Grandes Categorias Econômicas foi: 0,13 p.p. de bens de capital, 2,19 p.p. de bens intermediários e 0,96 p.p. de bens de consumo.

No caso de bens de consumo, o aumento de 0,04 p.p. se deveu às variações de preços observadas nos bens de consumo duráveis e 0,92 p.p. nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

 

Bens de consumo

Os preços da indústria acumularam no ano alta de 10,80%, sendo 12,64% a variação de bens de capital (com influência de 0,95 p.p.), 13,67% de bens intermediários (7,30 p.p.) e 6,53% de bens de consumo (2,55 p.p.).

No último caso, este resultado foi influenciado em 0,43 p.p. pelos produtos de bens de consumo duráveis e 2,12 p.p., pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Frente a agosto 2019, os preços da indústria subiram 13,74%, com as seguintes variações: bens de capital, 14,36% (1,09 p.p.); bens intermediários, 14,71% (8,00 p.p.); e bens de consumo, 12,22% (4,65 p.p.),.

A influência de bens de consumo duráveis foi de 0,57 p.p. e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis de 4,08 p.p.

Principais destaques:

Indústrias extrativas: em relação a julho, os preços do setor variaram, em média, 8,43%, a quinta variação positiva consecutiva no ano.

Com isso, o acumulado no ano chegou a 34,91%.

As variações anteriores foram as maiores entre as observadas na indústria.

Na comparação contra agosto de 2019, a variação foi de 17,56%.

O destaque dado ao setor se deve ao fato de ter sido, em termos de influência, a terceira maior no M/M-1 (0,44 p.p., em 3,28%) e no M/M-12 (0,93 p.p., em 13,74%) e a segunda no acumulado no ano (1,57 p.p., em 10,80%).

Alimentos

Alimentos: frente a julho, os preços subiram 4,07%, maior variação desde março de 2020 (4,23%). Com isso, o setor acumulou alta de 16,51% em 2020, a maior observada para agosto e que só encontra uma variação similar em agosto de 2012 (14,41%).

Frente a agosto de 2019, a variação foi de 27,45%, novamente a maior da série.

Nesta comparação, os meses de julho e agosto de 2020 e dezembro de 2010 são os únicos na série que ultrapassaram os 20% (em dezembro de 2010, 21,24%; em julho de 2020, 23,69%).

Além do setor dar a maior contribuição no cálculo geral (26,17%), ele alcançou, em módulo, a quarta maior variação frente a julho, e a primeira frente a agosto de 2019. Além disso, foi a maior influência nas três comparações (1,00 p.p., em 3,28% – M/M-1; 3,88 p.p., em 10,80% – acumulado no ano; e 6,06 p.p., em 13,74% – M/M-12).

Alta de preços e o arroz

Entre os produtos, apenas “arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido” foi destaque em variação e em influência.

A alta dos preços do produto esteve atrelada a uma maior demanda, inclusive para o mercado externo.

Os outros três produtos de maior influência no resultado (a influência dos quatro foi de 2,20 p.p., em 4,07%) foram: “resíduos da extração de soja”, “óleo de soja em bruto, mesmo degomado” (ambos também sofreram o impacto de uma maior demanda pela soja) e “leite esterilizado / UHT / Longa Vida” (o inverno normalmente diminui a captação nas bacias leiteiras, diminuindo portanto a oferta de seus derivados).

Petróleo

Refino de petróleo e produtos de álcool: em média, os preços do setor variaram, na comparação com julho, 6,24%.

É o terceiro mês consecutivo de variações positivas, o que levou a uma variação acumulada nestes três meses de 38,98%.

Mesmo assim, no acumulado no ano o resultado ainda é negativo, -11,41%, o mesmo acontecendo na comparação agosto de 2020/agosto de 2019, -1,18%.

Por ter apresentado, entre todas as atividades da indústria e em módulo, a segunda maior variação na comparação agosto contra julho, a segunda maior influência ao comparar os preços de agosto contra julho (0,52 p.p., em 3,28%) e a terceira influência no acumulado no ano (-1,22 p.p., em 10,80%), o setor mereceu ser destacado nesta análise.

Maiores variações

Entre os produtos, as variações mais intensas, na comparação de agosto contra julho, foram, tanto as destacadas em termos de variação quanto em termos de influência, positivas, com exceção da observada em “óleos lubrificantes com aditivos”, que aparece em destaque entre os produtos de variação de preços mais intensas.

Os quatro produtos com mais destaque em termos de influência (somam 5,27 p.p., em 6,24%) são os quatro produtos de maior peso no cálculo do índice do setor, a saber: “óleo diesel” (peso de 40,74%); “gasolina, exceto para aviação” (23,05%); “álcool etílico (anidro ou hidratado)” (15,76%); e “óleos combustíveis, exceto diesel” (5,26%).

Outros produtos químicos: a indústria química, no mês de agosto, apresentou uma variação média de preços, em relação a julho, de 4,13%, segundo aumento após dois meses consecutivos de queda.

Desta forma o setor acumulou uma variação positiva de 12,88% em 2020, superior à variação acumulada até agosto em 2019, que foi de -4,18%.

Em relação ao acumulado em 12 meses, a atividade alcançou 10,09%.

Os resultados observados nos últimos meses estão ligados aos preços internacionais, com aumento do preço de diversas matérias-primas importadas, em grande parte devido à depreciação do real frente ao dólar (no ano a depreciação foi de 32,9%, corroborada pela depreciação do real de 3,4% ocorrida em agosto) e à redução da oferta.

Metalurgia

Metalurgia: ao comparar os preços médios de agosto contra julho, houve uma variação de 3,12%, sétimo aumento observado no ano (apenas em junho houve queda de preços, de -3,22%).

Com isso, o acumulado em 2020 ficou em 20,57% e o acumulado em 12 meses alcançou a variação de 18,97%. Um ponto a ser ressaltado na variação acumulada no ano é que este é o maior resultado para um mês de agosto em toda a série histórica.

Neste mês, o setor se destacou, dentre todas as atividades analisadas, em quatro critérios: foi a quarta maior variação acumulada no ano e no acumulado em 12 meses, a quarta maior influência no acumulado no ano (1,19 p.p., em 10,80%) e a segunda maior influência no acumulado em 12 meses (1,15 p.p., em 13,74%).