Histórias de investidores de sucesso e como chegaram lá

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Grandes investidores, que colecionam histórias de sucesso, trabalham duro até alcançar o ápice e a tão sonhada independência financeira.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

Se você é iniciante no mercado financeiro, ou ainda está encarando os desafios deste segmento em busca da glória, nada melhor do que se inspirar com as histórias de quem já passou por isso, e hoje é referência.

O Eu Quero Investir preparou um material com histórias de cinco investidores de sucesso e o caminho que tiveram que enfrentar até chegar em uma posição de destaque.

Warren Buffet

Crédito da imagem: CBS News – Business Insider.

Este não seria um artigo sobre investidores de sucesso se não trouxesse em primeiro lugar o nome de Warren Buffet.

Já falamos sobre ele aqui por aqui em várias ocasiões, como, por exemplo, no post “Sete fatos sobre Warren Buffet”, o qual recomendamos a leitura.

Buffett já ocupou o primeiro lugar entre os homens mais ricos do mundo, hoje nas mãos de Bernard Arnault, dono da Louis Vuitton e de outras marcas de luxo.

Atualmente, o investidor ocupa a sexta colocação na lista da Forbes, com uma fortuna estimada em US$ 96 bilhões, segundo a lista mais recente divulgada pela publicação.

Nubank dispara com “dedo” de Buffett

Apesar de já estar com 90 anos, Warren Buffett está longe de se aposentar do mercado financeiro. Muito pelo contrário. O badalado investidor parece cada vez mais antenado com as tendências atuais.

Prova disso foi dada no início de junho de 2021. A Berkshire Hathaway, empresa do megainvestidor, fez um aporte de US$ 500 milhões no banco brasileiro Nubank.

De acordo com o Nubank, o aporte é uma extensão da Série G, realizada em janeiro deste ano.

Esta é uma rara aposta de Warren Buffett no mercado brasileiro – ainda mais se considerarmos que o Nubank é uma empresa de capital fechado.

Segundo o Valor Econômico, o Nubank foi avaliado em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 152 bilhões). Ou seja, valorização de 20% em dólares em menos de seis meses.

As negociações com Warren Buffett e a Berkshire começaram em março. A gestora ficou atraída pelo ritmo de crescimento e pela nova operação de seguros do Nubank.

“O Brasil tinha condições muito únicas e, nos primeiros anos do Nubank, parecia que não ia dar para replicar o crescimento viral que temos aqui em outros países, mas México e Colômbia têm sido excepcionais”, disse David Vélez, fundador e CEO do Nubank, ao Pipeline do Valor Econômico.

Vélez disse ainda que o plano de um IPO do Nubank existe, mas não é imperativo no momento.

“O valor da Série G sobe para 1,15 bilhão de dólares e passa a ser a maior rodada de investimento já realizada por uma empresa de tecnologia privada na América Latina”, afirmou o banco digital. O Nubank já levantou cerca de U$ 2 bilhões desde o seu lançamento.

O início de Buffett

Desde pequeno, Warren já demonstrava que tinha aptidão para lidar com finanças. Quando criança, ele vendia balas, refrigerantes e revistas, além de trabalhar com o seu avô em um comércio na sua cidade natal, Omaha, nos Estados Unidos.

Para se tornar um dos maiores investidores do mundo, Warren adotou uma estratégia um pouco diferente da utilizada pelos demais investidores no passado. Ele estudava minunciosamente as empresas em que iria investir, isso sem se importar com fatores macroeconômicos que envolvem o mercado em que elas estavam inseridas.

Outra estratégia adotada por ele foi apostar em investimentos de longo prazo para obter sucesso. Assim, após escolher as empresas em que iria investir, ele esperava o momento mais estratégico para comprar suas ações, que normalmente ocorre quando o mercado está pessimista.

Uma frase marcante dita por Warren Buffet foi:

“A maioria das pessoas se interessa por ações quando todo mundo está interessado. O momento de interessar-se é quando ninguém mais se interessa. Não se ganha dinheiro comprando o que é popular.”

Isso mostra o quanto a estratégia adotada por ele foge dos padrões adotados pela maioria dos investidores que estão no mercado, que acabam investindo naquilo que está na “moda”.

Para ele, as pessoas devem comprar ações justamente nos momentos em que ninguém se interessa por elas, pois, em algum momento, elas voltarão a valer um bom valor e esse é o momento de vendê-las.

O fato de a maior parte de sua fortuna ter sido acumulada depois que ele completou 60 anos de idade nos mostra que a estratégia adotada por ele, que é investir pensando no longo prazo, pode dar muito certo para quem tiver paciência de esperar pelo resultado.

Outro fator que também influenciou no sucesso de Warren foi o estilo de vida adotado por ele.

Apesar de ser um dos homens mais ricos do mundo, Warren mora até hoje na mesma casa que comprou há mais de 50 anos, na cidade em que nasceu. O estilo de vida simples impressiona quem o conhece.

Mesmo podendo ter tudo o que quiser, Warren ainda dirige o seu próprio carro, não usa computadores ou celulares, é fanático por refrigerantes e fastfood. Ele também ganhou o apelido de “oráculo de Omaha”, pois não tem planos de deixar a cidade natal.

Hoje, Warren se dedica à filantropia e já chegou a doar milhões de dólares de sua fortuna a uma série de fundações e instituições de caridade. Ele também tem planos de doar a maior parte da sua fortuna a associações filantrópicas e fazer parte de uma iniciativa chamada Giving Pledge, que tem como objetivo convencer alguns bilionários a também doarem parte de suas fortunas a quem precisa.

Luiz Barsi Filho

Crédito da imagem: Germano Lüders – Exame.

Apesar de não ocupar uma posição de destaque na Forbes, não dá para falar de investidores de sucesso sem citar Luiz Barsi Filho.

Considerado por muitos como o “Warren Buffet brasileiro”, ele começou a investir pensando em garantir uma boa aposentadoria quando ficasse mais velho e precisasse parar de trabalhar.

Nascido em São Paulo e filho de um casal de imigrantes de origem bastante humilde, Barsi é, hoje, o maior investidor pessoa física da bolsa de valores no Brasil.

Figura cobiçada em eventos de investidores, já marcou presença em uma edição da Money Week, assim como sua filha caçula, Louise Barsi, criadora do curso “Jeito Barsi de Investir”, no qual compartilha dicas com seus seguidores.

Ao contrário de outros bilionários brasileiros, que herdaram suas fortunas ou os negócios da família, Barsi começou do zero. Perdeu o pai, um imigrante italiano, quando tinha apenas um ano de idade. Foi criado pela mãe, imigrante espanhola, em um cortiço, no bairro do Brás, em São Paulo.

Para ajudar em casa, foi engraxate aos 7 anos e vendeu balas no cinema. Aos 14, começou a trabalhar em uma corretora de valores e se interessou pelo universo dos investimentos.  Tornou-se  técnico em contabilidade, depois se formou em Direito e em Economia.

Mal ele poderia imaginar que, hoje, seria considerado um dos maiores investidores do Brasil.

Dividendos, o “segredo” do sucesso de Luiz Barsi

“Sem trabalhar, sentado nesta cadeira, a Eletrobras me dá o equivalente a R$ 300 mil por mês. Um salário bem razoável”, brincou, em recente entrevista à CNN.

Apesar da frase aparentemente ter conotação ostentosa, na verdade, Barsi não é o típico bilionário extravagante.

“Já tive R$ 3 bilhões, mas também já tive R$ 500 milhões. Não faço a conta”, afirmou, assegurando que não sabe quanto é seu patrimônio, mas se interessa muito pelos dividendos pagos pelas empresas em que investe dinheiro.

“Eu me dei conta de que o empresário, dono de uma empresa de capital aberto, vai sempre ter uma aposentadoria. Isso porque, além de seu trabalho, vai sempre ter um rendimento do negócio dele chamado dividendo.” Barsi diz que nem fica acompanhando o Ibovespa. “E não dou nenhum valor para o patrimônio, patrimônio não te alimenta. O que te alimenta é o dividendo, a renda que esse patrimônio gera, e é para isso que eu olho. O meu DNA é dividendo”, completou.

Barbara Corcoran

Crédito da imagem: Jin S. Lee – Business Insider.

Apesar de o universo dos investidores ser predominantemente composto por homens, aos poucos esse cenário está mudando, pois é cada vez maior o número de mulheres que se destacam entre os investidores de sucesso.

Uma delas é Barbara Corcoran, que se tornou muito conhecida após participar do famoso programa “Shark Tank” (ou “Tanque de Tubarões”), apresentado pela TV norte-americana.

Professora de formação, ela acabou desistindo da profissão para se dedicar ao sonho de ter o seu próprio negócio. Para isso, pegou dinheiro emprestado ao seu namorado e começou a investir.

Anos depois, ela vendeu a sua empresa por cerca de US$ 66 milhões e hoje se dedica a investir em Fundos Imobiliários. A fortuna estimada da bilionária já beira os US$ 100 milhões.

Como um dos “tubarões” do programa de televisão norte-americano, ela também se dedica a investir em novas ideias, apresentadas pelas pessoas que passam pela sua avaliação. Hoje, Barbara tem participação em mais de 30 empresas, tudo graças ao programa.

Carl Icahn

Crédito da imagem: Heidi Gutman/CNBC/NBCU Photo Bank via Getty Images.

Talvez você ainda não conheça Carl Icahn como um dos maiores investidores de sucesso da história, mas certamente já deve ter tido contado com algum produto da Apple ou mesmo alugou um carro pela Hertz em algum momento de sua vida. Pois saiba que Carl já foi membro dos conselhos dessas duas gigantes.

Nascido nem uma família de classe média, nos EUA, Carl começou a estudar medicina, mas deixou o curso e se alistou no Exército norte-americano. Algum tempo depois, encontrou o seu verdadeiro destino em Wall Street.

Na década de 1980, Carl obteve excelentes resultados em suas aquisições, mas foi em 2012 que ele bateu um dos maiores recordes que o mercado financeiro já viu até os tempos atuais, isso após faturar algo próximo a US$ 2 bilhões naquele ano.

Em suas frases mais famosas, Carl deixa claro a todos que gosta de ganhar dinheiro.

O fundador da Icahn Enterprises é hoje considerado o número 124 entre os maiores bilionários do mundo pela Forbes. Sua fortuna está estimada em US$ 15,8 bilhões.

Lírio Parisotto

Crédito da imagem: Brasil Econômico – Divulgação.

Por último, mas não menos importante, falaremos sobre Lírio Parisotto, outro grande investidor brasileiro.

Nascido no interior do Estado do Rio Grande do Sul, Lírio é filho de agricultores e chegou a cursar um seminário para se tornar padre quando mais novo.

No entanto, a sua verdadeira vocação o chamou pouco depois, quando resolveu estudar medicina e se formou pela Universidade de Caxias do Sul.

Ao longo de sua vida, Lírio construiu um patrimônio bilionário, investindo fortemente no mercado de ações e na criação empresas.

Parisotto é o fundador da VideoLar, primeira fabricante de videocassetes do Brasil e pioneira na produção de DVDs e Blu-ray.

Além disso, o investidor construiu boa parte de sua fortuna de mais de US$ 2 bilhões por meio de ações.

Reconhecido no mercado financeiro por adotar estratégias de investimento similares às do bilionário Warren Buffett, Parisotto batalhou muito antes de, efetivamente, se tornar um expert na bolsa de valores.

O gaúcho nascido em Nova Bassano, em dezembro de 1953, é o primogênito de uma família formada por 11 irmãos e pais agricultores.

Formou-se em Medicina em Caxias do Sul, após trabalhar na fazenda dos pais e ganhar experiência profissional como bancário, comerciante e gerente de um frigorífico.

O futuro – e a fortuna -, no entanto, viriam do mercado financeiro.  A 1ª experiência, ainda na década de 1970, foi frustrada, e causou a Parisotto a perda de um alto valor, equivalente ao de um automóvel Fusca.

Ele não desanimou e, em 1986, dois anos antes de abrir a VideoLar, tentou pela 2ª vez. Investiu R$ 500 mil, mas precisou vender dois anos depois e acabou perdendo 50% da aplicação total.  No início dos anos 90, voltou à bolsa.

Carteira de ações

Em 1998, Lirio Parisotto fez um investimento de US$ 6 milhões. Montou uma carteira com 12 ações, que mantém até hoje. mantém até hoje, com investimentos nos setores de Siderurgia, Mineração, Energia e Bancário.

Perdeu cerca de R$ 600 milhões com a crise global de 2008, mas manteve a calma…e a carteira.

“Compro para casar, mas, às vezes, dá divórcio”, disse certa vez.

Aproveitou a baixa para comprar mais e recuperou o prejuízo. Hoje, conta em seu portfólio com ações de empresas como Celesc, Banco do Brasil, Eletrobras, CSN, Usiminas, Braskem, Vale, Light, Cielo e Eternit.

Se você gostou dessas histórias de investidores de sucesso, então não pode deixar de clicar nesse link e conhecer a fundo como seis grandes investidores brasileiros alcançaram o sucesso.