Heringer (FHER3) tem plano de recuperação judicial homologado

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Facebook

A Fertilizantes Heringer (FHER3) teve seu plano de recuperação judicial homologado pelo juízo da 2ª Vara Cível da Comarca de Paulínia, São Paulo, nesta sexta-feira (14).

Em 3 de dezembro de 2019, a assembleia geral de credores havia aprovado o plano, mas faltava a homologação. A dívida da companhia ultrapassa a cifra de R$ 2 bilhões.

A juíza Marta Brandão Pistelli homologou o pedido de recuperação judicial somente com duas ressalvas. Foram excluídas do plano, a clausula referente”a novação das dívidas se estenderá, ato contínuo, de maneira incondicional aos diretores, administradores ou terceiros que figuram como avalistas, fiadores e coligados ou devedores solidários”.

E, a segunda clausula diz respeito a “credores de créditos com garantia fiduciária de terceiros terão preservadas as garantias originalmente contratadas e a novação por força do presente Plano não afetará os créditos com garantia fiduciária de terceiros e se dará exclusivamente em relação aos seus demais Créditos, em benefício exclusivamente da recuperanda”.

Em relação aos questionamentos sobre o balanço da companhia feito pelos russos, a juíza entendeu não haver motivos para o não prosseguimento com o plano de recuperação judicial. “Pelo contrário, tal fato traria danos à recuperanda e seus credores, gerando insegurança ao mercado como um todo”, ressaltou.

Segundo a juíza, caso os russos decidam dar prosseguimento com o pedido, devem fazê-lo isoladamente devido ao elevado nível de complexidade das alegações e “até mesmo para facilitar a compreensão e manuseio dos autos”.

Russos

No ano passado, a Heringer participações (acionista controlador), recebeu uma oferta de US$ 115 milhões pelo controle da companhia. A proposta foi realizada pelo Uralkali, um grupo produtor e exportador de fertilizantes à base de potássio e o Uralchem, grupo produtor e exportador de nitrogênio e fertilizantes complexos.

No entanto, a operação não foi concluída devido a divergências entre as empresas. O negócio chegou até ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), depois de avaliar que a transação não traria concentração no mercado.

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Os russos alegaram que os números da empresa estariam inflados e apresentavam inconsistências contábeis de aproximadamente R$ 700 milhões.

De acordo com a Heringer, “em decorrência da postura reprovável mantida pelo Grupo Uralkali ao longo das discussões contratuais, o negócio não foi concluído conforme pretendido”.

A companhia ascrescentou, o “Grupo Uralkali vem atuando, judicial e extrajudicialmente, de forma retaliatória para, de maneira absolutamente injustificada, prejudicar a Companhia, seus empregados e colaboradores, acionistas, credores e o mercado em geral, com o intuito de se aproveitar da momentânea dificuldade financeira da Companhia, para, ao final, obter para si vantagem indevida, forçando a Companhia a uma possível liquidação de seus ativos por montantes irrisórios”.

Reestruturação da companhia

Além do plano de recuperação judicial, a Heringer resolveu interromper algumas de suas operações para reestruturar seu passivo, quitar dívidas e melhorar o capital de giro.

Desse modo, estão hibernadas instalações, como a de Uberaba (MG), Rosário do Catete (SE), Paranaguá (PR), Porto Alegre (RS), Rio Grande (RS), Dourados (MS) e Rio Verde (GO). As atividades estão suspensas, mas a companhia mantém as licenças e manutenções necessárias para operação.

Operacional

Nos 9 primeiros meses de 2019 (9M19), a empresa teve um resultado líquido negativo de R$ 246,5 milhões, superior ao resultado líquido negativo de R$ 441,5 milhões dos 9M18. A companhia observou redução de 81,7% no volume entregue quando comparado aos mesmos períodos do ano anterior.

Já a receita líquida somou R$ 692,8 milhões, uma redução de 77,7%% em relação ao mesmo período de 2018, que foi de R$ 3.112,5 milhões.

Nos 9M19, o EBITDA foi negativo em R$ 68,8 milhões, representando 9,9% da receita líquida, enquanto nos 9M18 foi negativo de R$ 116,1 milhões, o equivalente a 3,7%.

Nos 9M19, o lucro bruto totalizou R$ 30,6 milhões, inferior aos 9M18 que foi atingido R$ 157,6 milhões. A margem bruta nos 9M19 foi de 4,4%, ante 5,1% em 9M18.


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