Guilherme Affonso Ferreira: o investidor que faz sucesso na contramão

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Facebook

Guilherme Affonso Ferreira é um dos maiores investidores da bolsa brasileira. Ele é conhecido no mercado por adotar a “contramão” como receita do sucesso.

Apelidado de “contrarian investor”, Ferreira vinculou sua trajetória a setores normalmente vistos com desconfiança pelo mercado por apresentarem falhas conjunturais, como fatores políticos e macroeconômicos.

Fã da análise fundamentalista, o investidor gosta de estar próximo das empresas que investe. Em geral, atua como conselheiro ou  indica alguém de sua confiança para ocupar uma cadeira no conselho.

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O começo na bolsa

Antes de começar a investir na bolsa e acumular fortuna, Ferreira cursou Engenharia de Produção na Escola Politécnica da USP e, após se formar, saiu do País para ganhar experiência em estágios na Austrália, Estados Unidos, França, Alemanha e Suécia.

Ao voltar para o Brasil, juntou-se ao pai, que era revendedor de uma das maiores empresas de máquinas, motores e veículos pesados do mundo, a Caterpillar.

Em uma entrevista à revista da FGV, ele contou da experiência que teve no negócio da família e como levou foi parar no mercado financeiro. “Sabíamos que um dia haveria uma concentração no número de revendedores e precisávamos nos preparar para isso”, lembrou. Ferreira conta que quando a empresa estava bem e queria comprar os vizinhos, eles não queriam vender porque também estavam indo bem. Quando iam mal, as outras revendedoras também iam mal. Isso porque viviam do mesmo negócio.

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“Eu já acompanhava o mercado de ações e sugeri: “Quando estivermos em um ano bom, vamos pegar o excesso de caixa e comprar ações em indústrias que tenham ciclos completamente diferentes do nosso”.  E foi o que começaram a fazer na década de 1980, na bolsa de valores.

Teorema Capital e o “pulo do gato”

Foi com esse pensamento em mente que nasceu a Teorema Capital, fundo criado para gerir o dinheiro da família e que até hoje tem Guilherme Affonso Ferreira como chairman.

Pouco depois de criar a Teorema Capital, deu o “pulo do gato” ao comprar ações do Unibanco durante o Plano Cruzado, em 1986.

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Ferreira apostou que a instituição era a mais preparada para enfrentar a crise que atingia o País, e acertou em cheio.

As ações do Unibanco se valorizaram de forma astronômica nos anos seguintes e transformaram o investidor em um mito do mercado financeiro.

Quando o empresário investiu pela primeira vez no banco, ele estava avaliado entre US$ 50 milhões e US$ 80 milhões.

Em 2008, quando o banco se uniu ao Itaú, em uma das maiores fusões já vistas no Brasil, ele valia cerca de US$ 20 bilhões.

Acionista minoritário de gigantes do mercado

Pão de Açúcar, Gafisa, Manah, Petrobras, Indusval, Coldex, Valid, Gafisa, Eternit e Metal Leve são algumas das outras empresas que contam com Guilherme Affonso Ferreira como acionista minoritário.

Ele também foi diretor-presidente da Bahema Educação por mais de 20 anos.

Atualmente, faz parte do conselho da B3, SulAmérica, T4F e da própria Bahema.

“Lista de Desejos” (ou técnica de valuation)

Uma das estratégias de Ferreira ao avaliar uma empresa é criar uma “Lista de Desejos”. Essa lista serve para avaliar de maneira precisa o valor de uma empresa em relação ao preço da sua ação.

Ele descreve nela o que desejaria que a empresa fizesse para, no futuro, conseguir aumentar seu valor de mercado.

O objetivo é encontrar empresas cujas ações estão mal precificadas. Ou seja, o preço da ação não está alinhado ao real valor de mercado da empresa.

A análise é feita em cima do Value Investing (análise fundamentalista), como faz o bilionário Warren Buffett.

“Analise a fundo a empresa em que vai investir. É preciso entender seus pontos fortes e fracos e sua estratégia de crescimento”, costuma dizer Ferreira.

As dicas de Guilherme Affonso Ferreira para os investidores

Não são poucas as entrevistas solicitadas a Guilherme Affonso Ferreira para que ele enumere, de formas simples, dicas para os investidores alcançarem êxito em suas aplicações.

Co-autor de um livro chamado Fora da Curva, o investidor revelou conselhos preciosos:

  • Timing é tudo

“Decidir qual é o melhor momento para comprar uma ação é tão importante quanto resolver quando vendê-la. Só venda se o desempenho da empresa ficar abaixo do esperado e não houver perspectiva de melhora.”

  • Não se assuste com a crise

“Mantenha sua estratégia de investimento durante as crises. O mercado de ações é volátil. Quedas pontuais não devem assustar o investidor de longo prazo.“

  • Não foque sua pesquisa apenas na empresa

“Avalie o histórico dos donos e principais executivos das empresas antes de investir. Escolher as pessoas certas é mais importante do que escolher a indústria certa. Bons gestores são capazes de fazer a diferença. Escolhidas as pessoas certas, confie nelas”.

  • Entenda o negócio antes de investir

“Tente conhecer o negócio em que está entrando de maneira profunda e questione todas as suas premissas”.

  • Não conte com a sorte

“Um pouco de sorte sempre ajuda, mas não invista contando com ela.”

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