Guiana pode crescer 86% m 2020, com a ajuda do petróleo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A Guiana é um dos países mais pobres da América do Sul, alternando-se na última colocação com o Suriname. Mas graças a um boom do petróleo, essa situação pode mudar radicalmente, levando o país à lista dos mais ricos do mundo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que a economia pode crescer até 86% em 2020.

Essa taxa representa 14 vezes mais do que a economia chinesa. Será a economia que mais vai crescer no mundo.

O embaixador americano na Guiana, Perry Helloway, em uma recepção em novembro passado em Georgetown, capital do país, que é vizinho da Venezuela, local com a maior reserva de petróleo do mundo, disse que “em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) vai aumentar entre 300% e 1.000%. Isso é gigantesco. Será o país mais rico do hemisfério e, potencialmente, do mundo”.

O prognóstico do americano pode parecer exagerado, mas parte de um PIB minúsculo, de US$ 5,814 bilhões em 2015, e de uma renda per capita igualmente pequena, de US$ 7.279, a metade do Brasil. A vantagem é que a população é de pouco menos de 800 mil pessoas, o que ajuda, e muito, a distribuir a riqueza.

A ExxonMobil, principal operadora de petróleo da Guiana, diz ter descoberto uma reserva de petróleo de mais de 5,5 bilhões de barris nas águas do país no Oceano Atlântico.

Para se ter uma ideia dessa capacidade, o Brasil é o 15º país com as maiores reservas e possui “apenas” 12,7 bilhões. Se a riqueza é pouco mais do que o dobro, a população brasileira é esmagadoramente maior também: somos quase 210 milhões de habitantes.

Ex-colônia britânica, a Guiana é o único país sul-americana com o inglês como língua oficial.

Corrupção desenfreada

Troy Thomas, diretor do escritório da ONG Transparência Internacional no país, diz que, “na Guiana, a corrupção é desenfreada”. A história conta que a descoberta do petróleo em países em desenvolvimento levou a um aumento da corrupção e beneficiou apenas uma pequena parcela da sociedade. A Guiana tem altas taxas de desemprego e pobreza.

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A quantidade de petróleo a ser extraída pode não ser muita, mas, “eventualmente, poderá chegar a entre 700 mil e 1 milhão de barris de petróleo por dia”, diz à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, Marcelo de Assis, especialista do grupo de consultoria em energia Wood Mackenzie.

Para efeito de comparação, é o equivalente ao que um exportador intermediário, como a Colômbia, vende ao exterior. Mas é justamente por conta do baixo número de habitantes é que é possível entender o efeito avassalador que o petróleo pode ter sobre a economia da Guiana.

Um relatório recente da rede americana CNBC estima que a Guiana poderá ser o país com o maior número de barris de petróleo per capita do mundo.

O professor Michael Ross, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, estudou o fenômeno da chegada bombástica do petróleo em economias pequenas. Ele falou à BBC: “o Timor-Leste e a Guiné Equatorial são exemplos recentes de países que tiveram aumentos significativos na renda per capita. Nos dois casos, a força do dinheiro criou tensões locais profundas. Na Guiné Equatorial, especialmente, o dinheiro acabou muitas vezes nas mãos de altos funcionários do governo, e o país se tornou menos democrático e mais corrupto”.

“Na Guiana, o dinheiro vai chegar como um tsunami. Se o país conseguir administrar bem esse dinheiro e limitar a corrupção, mantendo a responsabilidade democrática do governo, será um caso excepcional no mundo, que qualquer outra nação em situação semelhante jamais conseguiu “, avalia Ross.

Eleições e promessas

Thomas Singh, professor de economia da Universidade da Guiana, afirmou à BBC News Mundo que o “boom” do petróleo pode levar seu país “ao paraíso, ou diretamente para a direção oposta”.

Na eleição marcada para março de 2020, os dois principais partidos políticos – o PNC do atual presidente, David Granger, e o PPP, liderado por Irfaan Ali – já prometem transferir o benefício do “ouro negro” à população, com educação gratuita e expansão da infraestrutura, além de investimento público em outras áreas.

“Parece um pouco provável que a Guiana, apenas com a riqueza de petróleo, possa superar as tremendas dificuldades que parecem se opor à sua transformação econômica e social”, diz Singh.

Venezuela

Ser vizinho da Venezuela pode ser um benefício e um desafio. Com as sanções norte-americanas ao petróleo venezuelano, o país de Maduro tem sérias restrições de mercado para desovar sua produção. Poderia sobrar para a Guiana aproveitar esse mercado. Por outro lado, pode haver também um êxodo de trabalhadores capacitados venezuelanos para o país vizinho, restringindo a oferta de empregos, restando aos locais o entorno da indústria.

A BBC lembra que “a Venezuela e a Guiana têm uma longa história de disputas na fronteira. Se acrescentarmos possíveis tensões devido ao aumento da migração, a relação entre os dois países estará à beira de novas dificuldades”.

“Se você me pedisse para prever como será a Guiana em dez anos, eu diria que as áreas urbanas estarão irreconhecíveis por causa do forte desenvolvimento econômico”, diz o professor Ross. “A questão principal é se o povo será capaz de manter as instituições democráticas e se vai resistir às tentações da corrupção”, completa.