Guerra comercial EUA x China pode beneficiar soja brasileira

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / CEPEA

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da USP, mostrou que os preços da soja no mercado físico brasileiro fecharam a quinta-feira (27) subindo 0,47%, para R$ 106,39 a saca de 60 quilos, contra R$ 105,89 do dia anterior. Com isto o ganho acumulado nos portos neste mês ficou em 2,71%. Já no interior, o recuo foi de 0,97%, para R$ 99,81, contra R$ 100,79 do dia anterior, reduzindo os ganhos do mês para 3,02%.

A tendência é que a reativada guerra comercial entre China e Estados Unidos, que ganha contornos ainda mais graves com as tensões em Hong Kong e nos problemas de direitos humanos em Xinjiang, acabe gerando bons frutos para a soja brasileira.

Embora a soja brasileira já se mostre um pouco mais cara do que a norte-americana, a China segue buscando o produto e, somente nesta semana, fez a compra de mais de 10 cargos do Brasil, segundo relata o site Notícias Agrícolas, com informações da consultoria AgResource, matriz da ARC Mercosul em Chicago, nos EUA.

“Nossos contatos nos portos brasileiros nos alertaram sobre a venda de outros 10 a 14 cargueiros de soja para embarque em setembro e outubro e mais um navio para despache em novembro, os quais ainda não foram contabilizados”, relatam os analistas da ARC ao site.

A tonelada da soja nacional, ainda de acordo com dados da ARC, vale, para julho, US$ 349,70 por tonelada no porto de Paranaguá, enquanto no Golfo dos EUA essa referência é de US$ 338,70.

Aumento do dólar

“O dólar no Brasil tem 30% de componentes internos (política etc.) e 70% de componentes externos. A briga entre EUA e China volta a afetar a economia mundial, fazendo os investidores buscarem dólar para se garantir. Isto eleva o dólar contra o real, e pode provocar o aumento da demanda sobre a soja brasileira, com reflexos sobre os preços – embora não esperem que as cotações atinjam os mesmos patamares de duas semanas atrás”, afirmam os analistas da T&F Consultoria Agroeconômica.

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A China já começa a comprar carregamentos do Brasil para o segundo semestre a preços mais altos do que o registrado nos Estados Unidos.

A ARC informa que, “somente nesta última semana, o Brasil embarcou 3,15 milhões de toneladas de soja para exportação, a Argentina embarcou 320 mil tons e os Estados Unidos, apenas 280 mil”.

Indicador CEPEA/Esalq

“As desvalorizações do dólar e dos contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago pressionaram os valores domésticos da soja e seus derivados nos últimos dias”, explica o CEPEA.

“Esse cenário afastou produtores das vendas, reduzindo, assim, a liquidez no mercado interno. A queda externa está relacionada às condições climáticas favoráveis ao cultivo da oleaginosa nos Estados Unidos, o que eleva expectativas de boa safra no país. Por outro lado, esse cenário somado aos estoques elevados e à baixa demanda externa resultam em pressão sobre os valores norte-americanos. Assim, entre 15 e 22 de maio, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa da soja Paranaguá (PR) caiu 5,2%, fechando a R$ 109,84/saca de 60 kg na sexta-feira (22)”, explica o Centro.

Na citada sexta-feira, o Indicador CEPEA/Esalq para a soja fechou a R$ 46,54 a saca, queda de 13,06% no mês.

A produção de soja norte-americana é estimada em 80,7 milhões de toneladas, um aumento de mais de 11% sobre a safra anterior. “Enquanto isso, os agentes preferem não negociar e aguardam por uma melhor definição do mercado”, diz o CEPEA.

O Brasil já comprometeu cerca de 56,7 milhões de toneladas da soja 2020, “sendo 44% superior ao mesmo período de 2019”, avisa a ARC Mercosul.

A China comprar mais soja brasileira é uma precaução. Com o aumento do risco política, ou seja, caso Donald Trump e Pequim comprometam o entendimento ainda mais, é preciso buscar o produto em outro lugar que não os Estados Unidos. O Brasil é uma saída. E é melhor antecipar a compra do que esperar o problema ser sentido em todo o planeta e o preço se elevar.