Guerra comercial: entenda o que é e como impacta o investidor

Disputa entre as duas maiores economias do mundo, até o momento, afeta o Brasil de forma positiva

Matheus Leal
Eu Quero InvestirColaborador do

Crédito: Kevin Lamarque / Reuters

“Guerra comercial”. Com certeza você já se deparou com esse termo nos últimos meses. Mas o que, de fato, isso significa? Iniciada em 2018, a disputa econômica entre Estados Unidos e China vem agitando e impactando não só os dois países, mas também o mundo todo.

Em junho do ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicou as primeiras medidas protecionistas e impôs tarifas alfandegárias a produtos tecnológicos da China. Além disso, o republicano já havia elevado as taxas de importação para outros setores, o que impactou não só os chineses, como os demais países, inclusive o Brasil.

Sem ficar atrás na disputa, a China imediatamente revidou e também tributou as importações norte-americanas. Porém, ameaçada, pediu a retirada das taxas aos Estados Unidos, mas o pedido foi prontamente recusado. Desde então a tensão vem tendo altos e baixos de acordo com o tom dos mandatários dos dois países.

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A guerra comercial e seus impactos

A guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas do mundo teve um novo desdobramento na última semana semana. A China desvalorizou sua moeda, o yuan, a ponto do mesmo valer sete vezes menos que o dólar, patamar mais baixo desde 2008. O Banco Central do país alegou protecionismo comercial, enquanto Donald Trump tratou como manipulação cambial.

A medida foi uma clara resposta ao anúncio de Trump de colocar uma tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações chinesas. A taxa passa vigorar a partir do primeiro dia de setembro.

Mas quais impactos essa guerra pode gerar ao Brasil? O primeiro deles, que já é visível, é no valor do câmbio. Após as ações recentes, o dólar voltou a fechar perto da casa dos R$ 4. Nessa segunda-feira (19), por exemplo, fechou na sua maior cotação desde maio. Mesmo sem estar ligado diretamente à disputa, e sem pretensões de se envolver, como já garantiu a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o país é afetado.

Outro impacto importante é a provável queda na importação de produtos brasileiros por parte dos chineses. Vale lembrar que a China é o nosso principal parceiro comercial, sendo responsável por mais de 25% das exportações do Brasil. Portanto, quanto menos a China exportar para os Estados Unidos, menos ela tende a importar do Brasil.

No entanto, até o momento, a guerra foi favorável para as exportações junto aos chineses e, consequentemente, economia brasileira. Houve crescimento em demanda e também em valor, principalmente na soja. Todavia, os especialistas ainda não sabem precisar se, no final das contas, os impactos seguirão sendo favoráveis. Tudo depende dos próximos capítulos e de como Estados Unidos e China irão se comportar daqui em diante.