Guedes vê Estado “quebrado” e diz ser impossível atender à demanda por saúde

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil luta para controlar a segunda onda da pandemia do novo coronavírus, mas, de acordo com o Ministro da Economia, Paulo Guedes, a missão não será fácil.

Durante participação em reunião do Conselho de Saúde Complementar, o ministro foi claro ao afirmar que não há como o Estado dar conta da demanda cada vez mais alta no setor.

“O Estado quebrou. Todo mundo vai procurar serviço público, e não há capacidade instalada no setor público para isso. Vai ser impossível”, declarou.

Segundo o ministro, hoje “todo mundo quer viver 100 anos, 120, 130 anos” e, por conta disso, em sua avaliação, “não há capacidade de investimento para que o Estado consiga acompanhar a busca por atendimento médico crescente”.

Setor privado vai cuidar da saúde, prevê Guedes

Paulo Guedes previu, inclusive, que em um futuro próximo o sistema de saúde privado terá que abraçar o atendimento de boa parte do País, inclusive do setor público – com a ajuda do governo.

Quer começar o dia bem-informado com as notícias que vão impactar o seu bolso? Clique aqui e assine a newsletter EQI HOJE!

O ministro chegou a aventar a criação de “vouchers” pagos pelo governo à população para que ela receba atendimento de saúde na rede privada.

“Você é pobre, você tá doente, tá aqui seu ‘voucher’. Vai no [hospital Albert] Einsten, se você quiser. Vai aonde você quiser, tá aqui o ‘voucher’. Se quiser, você vai no SUS”, afirmou.

Teto de gastos

Um estudo feito pela Secretaria do Tesouro Nacional já apontava, antes mesmo da pandemia, a necessidade de gastos adicionais em saúde entre 2020 e 2027, justamente por conta de “todo mundo querer viver 100 anos”, como Paulo Guedes colocou.

“Há uma forte pressão para elevação das despesas [em saúde] em decorrência do processo de envelhecimento da população, dado que a população de maior idade demanda proporcionalmente mais serviços de saúde”, disse o órgão, no início de 2020.

No total, foram gastos R$ 42,7 bilhões a mais no setor no ano passado.