Guedes volta a falar em tributação de transações digitais e dividendos

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Nesta quinta-feira (12) o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender a criação de uma contribuição sobre transações digitais para substituir a desoneração da folha de pagamentos.

Ele também mencionou que os dividendos devem ser tributados. Conforme o ministro, o governo tem o compromisso de não aumentar a carga tributária.

“Esse compromisso de não aumentar imposto significa que vamos fazer um programa de substituição de carga tributária. Não queremos criar um imposto, queremos a desoneração da folha de pagamentos”, disse em evento pela manhã do Dia Nacional do Supermercado 2020, promovido pela Associação Brasileira dos Supermercados (Abras). As informações são da Agência Brasil.

Perdeu a Money Week?
Todos os painéis estão disponíveis gratuitamente!

Além disso, acrescentou que, para desonerar a folha de pagamentos e estimular a criação de emprego formal no país, é preciso encontrar uma “forma de financiamento” para essa redução dos impostos sobre os salários. 

“Não haverá aumento de imposto para quem paga imposto. Mas quem nunca pagou, vai aumentar”, afirmou, acrescentando que essas mudanças dependem de momento político adequado.

Inflação e recuperação da economia

O ministro reforçou que a “economia brasileira está voltando com força”. Guedes disse que foi considerado muito otimista quando a crise gerada pela pandemia começou. “Me surpreendeu a velocidade com que a economia está voltando, bem acima da minha visão que era considerada otimista”, completou. 

Sobre a inflação, Guedes afirmou que muita gente fica com “raiva dos supermercados” quando vê os preços dos alimentos mais caros. Entretanto, os estabelecimentos são apenas “uma plataforma de distribuição”. “Se esse produto já chega caro porque subiu o câmbio ou a demanda foi forte e os preços subiram, temos que deixar a engrenagem do mercado funcionar”, disse.

Segunda onda

O ministro também afirmou que o auxílio emergencial será prorrogado no caso de uma segunda onda de Covid-19. “Hoje, o plano para o auxílio emergencial é remoção gradual”, disse. “Existe possibilidade de haver prorrogação? Se houver segunda onda, não é possibilidade, é certeza. Mas não é o plano A”, afirmou

De acordo com Guedes, o plano atual é retirar os estímulos aos poucos e converter o auxílio emergencial no Renda Brasil ou Bolsa Família. “É uma escolha política”, completou. Os debates serão retomados após as eleições.

Paulo Guedes já havia dito essa semana que para novo enfrentamento contra o coronavírus, os gastos seriam reduzidos pela metade. “Em vez de 8% do PIB, provavelmente desta vez gastaríamos metade disso porque sabemos que podemos filtrar os excessos aqui e ali. E certamente usaríamos valores menores”, afirmou.

“O que não faremos é ter falta de compromisso com futuras gerações”, completou. “Não vamos ficar dando dinheiro para todo mundo e deixar dívida/PIB ir para 100%, 120%.”

O ministro citou nos últimos dias que a privatização de estatais podem ajudar a diminuir a dívida pública. As quatro primeiras empresas poderiam ser Correios, Eletrobras, PPSA (Pré-sal Petróleo) e Porto de Santos.

Alta nos preços

Além disso, Guedes também afirmou que a alta nos preços é “temporária e transitória”.

“Quando houver ‘aterrissagem’ do auxílio emergencial no Bolsa Família ou Renda Brasil, que estamos estudando, essa alta setorial deve se acalmar”, disse durante o evento.

Um dos planos do governo para conter a inflação foi a de abertura comercial. Conforme o ministro, eles agiram de forma rápida em relação ao preço do arroz e reduziram totalmente a alíquota do Imposto de Importação do alimento.

“Estamos examinando toda a pauta de alimentação para eliminar impostos de importação”, informou. “Estamos comprometidos com a abertura da economia.” É preciso deixar a engrenagem do mercado funcionar, frisou.

Para participar da nova edição da Money Week, de 23 a 27 de novembro, inscreva-se

Quer saber como investir no mercado de ações? Preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos entrará em contato para auxiliar na sua trajetória de investimentos