Plano a empresas vai envolver debêntures conversíveis, diz Guedes

Marcello Sigwalt
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Crédito: Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil

O ministro da Economia Paulo Guedes disse nesta segunda-feira (20) que o plano do governo para capitalizar empresas após a crise causada pela pandemia do coronavírus envolve debêntures conversíveis.

Guedes deu essa declaração durante live promovida pelo BTG Pactual Asset.

Segundo o ministro, a estratégia do governo será reforçar iniciativa anunciada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para aportar capital em empresas com dificuldades por causa da pandemia.

Títulos de renda fixa

Por definição, debêntures conversíveis “são títulos privados de renda fixa que funcionam como uma espécie de empréstimo para uma empresa. Com elas, um negócio consegue se capitalizar ao emitir e vender títulos de dívida, prometendo devolver o capital investido com o acréscimo de uma taxa de rentabilidade”.

Debêntures conversíveis são títulos que podem ser trocados por ações das companhias que as emitem – ou pagar o investidor com participação acionária.

 Empresas preservadas

“A população brasileira vai ganhar dinheiro por ajudar empresa que merece ser preservada”, proclamou o ministro, que acrescentou: “O guichê está aberto”, referindo-se às debêntures conversíveis, instrumento pelo qual as empresas buscam se capitalizar no mercado.

“Estamos conversando com os bancos nesses termos”, afirmou Guedes. “Não é usar dinheiro público a fundo perdido para salvar uma ou duas empresas, não.”

Guedes explica: “Vamos oferecer oferecer socorro a empresas que são boas e não contavam com uma pandemia, um ponto fora de controle. Essa ajuda será feita na forma de debêntures conversíveis.”

Diferentes setores

Esse aporte, que será feito pelo BNDESPar (subsidiária de participações do banco), consiste na subscrição de debêntures conversíveis – largamente usada no passado – que seriam emitidas por companhias de diferentes setores.

Saída da crise

O ministro apelou também para a participação do investimento privado, “para que o país possa sair mais rapidamente da crise”.

Ambiente melhor

Além de medidas de incentivo ao consumo, Guedes entende que os investidores privados precisam contar com uma “melhoria do ambiente de negócios”, o que passa pela reforma tributária, em tramitação no Congresso Nacional.

Sem danos sérios

Ao contrário do senso comum, ele disse acreditar que a pandemia não tenha provocado danos mais sérios à atividade produtiva nacional.

“Não sentimos que desorganizou a economia”, afirmou, adiantando que “a equipe econômica já estaria formulando os primeiros desenhos pós-crise”.

BC independente

A independência do Banco Central foi outro tema abordado na live pelo ministro, que destacou o papel fundamental do Legislativo nesse processo. “Vamos dar uma sinalização para o mundo”, destacou.

“Na dimensão monetária, temos uma cultura. Na dimensão fiscal, não. Temos a LRF, mas não temos a cultura”, contou Guedes, ao comentar que o BC já atua com autonomia, ou seja, já tem essa cultura, sem a existência da lei.

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