No caso de segunda onda, governo gastará a metade, diz Guedes

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, falou nesta terça-feira (10) que, caso uma segunda onda de Covid-19 atinja o país, a intenção é gastar metade do que foi utilizado na primeira onda, em 2020. A justificativa é que agora há experiência para evitar os excessos, de acordo com informações da Reuters.

“Se uma segunda onda vier para o Brasil já temos os mecanismos. Digitalizamos 64 milhões de brasileiros. Então sabemos quem eles são, onde estão, o que precisam para sobreviver”, disse o ministro no evento Emerging & Frontier Forum 2020 da Bloomberg.

Conforme Guedes, no caso de uma segunda onda, haverá assistência por parte do governo federal. Entretanto, seriam em valores menores. “Em vez de 8% do PIB, provavelmente desta vez gastaríamos metade disso porque sabemos que podemos filtrar os excessos aqui e ali. E certamente usaríamos valores menores”, afirmou.

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O Ministério da Economia estimou que as medidas de combate ao coronavírus cheguem a 8,6% do PIB neste ano. Só com o auxílio emergencial, por exemplo, os gastos serão de R$ 321,8 bilhões. 

“Quem pode pegar emprestado 8% (do PIB) a mais pode pegar 12%. Então poderíamos gastar um pouco mais, justamente porque as pessoas entendem que temos a resolução de voltar à situação anterior assim que a doença nos deixar”, disse o ministro.

“Portanto, estamos prontos para avançar caso a doença volte, mas não vamos nos mover se ela for embora. As pessoas entendem isso”, completou.

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PEC do Pacto Federativo

Guedes defende a inserção de uma emenda para abrir o caminho de um orçamento de guerra na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo. Com a emenda, teriam facilidades para casos emergenciais, a exemplo do que aconteceu neste ano.

De acordo com a emenda constitucional do orçamento de guerra, o governo não foi mais obrigado a cumprir uma série de regras fiscais. Um exemplo é a meta de resultado primário. Além disso, também permitiu que gastos extraordinários, como os ligados à concessão do auxílio emergencial, não precisassem obedecer ao teto de gastos.

Privatizações

Ainda nesta terça-feira, Guedes afirmou que está bastante frustrado por ainda não ter conseguido avançar nas privatizações. Ele participou da abertura do evento Boas práticas e desafios para a implementação da política de desestatização do Governo Federal, na Controladoria-Geral da União (CGU), em Brasília.

De acordo com Guedes, a estrutura atual do Estado foi moldada na época do regime militar, com investimentos em infraestrutura. E, por conta disso, agora é preciso remodelar o país para uma “ordem democrática, com ação descentralizada”.

Conforme o ministro, o Estado não está conseguindo atender a sociedade em suas demandas por segurança pública, saúde e saneamento. “Algumas empresas estatais, ao longo do tempo, avançaram e outras se perderam. Temos o caso típico de água e saneamento. Agora nós fizemos o marco regulatório, que é um avanço, e vai trazer muito recursos para a área”, disse.

Além disso, o ministro disse que o processo de mudança na estrutura do Estado é irreversível. “Uma sociedade aberta não quer um Estado com a estrutura atual. O Estado está aparelhado. Não está eficiente, não consegue fazer as metas universais de fraternidade pela ineficiência e politização dessas ferramentas”, afirmou.

Por fim, Guedes afirmou que acordos políticos têm impedido as privatizações. “Precisamos recompor o nosso eixo político para conseguir fazer as privatizações prometidas durante a campanha [da eleição para presidente]”, completou.

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