Paulo Guedes e Campos Neto reduzem previsão de queda do PIB

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Alan Santos/PR

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira (19) que a previsão da queda do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano é de 4%. Ele destacou que inicialmente a previsão do FMI e outras instituições eram bem piores, de retração de 10%, depois passou para 5% a 5,5% e agora, na avaliação da equipe econômica, pode ser menor.

A última estimativa oficial divulgada pela pasta era de queda de 4,7% da atividade econômica em 2020.

As afirmações foram feitas, de acordo com reportagem da Agência Brasil, em  um vídeo gravado e transmitido na Cúpula da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

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Na mesma gravação, Guedes também abordou a discussão sobre o teto dos gastos e afirmou que o time econômico tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro nesta questão.

O que você verá neste artigo:

Teto de gastos

Conforme Guedes, haverá luta pela manutenção do limite de gastos enquanto for necessário. Também reconheceu que há ministros que querem expandir as despesas públicas furando o mecanismo, mas pontuou que Bolsonaro “está claramente do nosso lado”.

“Se desindexarmos o Orçamento, se fizermos desobrigação, desvincularmos todos esses gastos e a classe política tomar controle do Orçamento novamente, como em qualquer outro país, poderíamos nos dar ao luxo de liberar esse teto”, afirmou.

“Será uma grande luta (pela manutenção do teto), em alguns momentos há até luta interna, fogo amigo. Pessoas aqui que querem gastar dinheiro e mandam sinais mistos para o mercado. Isso é muito ruim, temos uma inclinação grande da curva de juros no momento”, completou.

Pandemia

De acordo com Guedes, o país gastou 10% do PIB no combate aos efeitos da pandemia da Covid-19, “sem arrependimentos”. Entretanto, as despesas ficarão restritas a este ano, com parte da conta sendo coberta com desinvestimentos. Ele acrescentou que será preciso pagar as despesas extraordinárias com o coronavírus. “É como uma guerra, temos que pagar pela guerra. Vamos desinvestir para pagar isso”, disse.

Investimentos

Paulo Guedes mencionou que o “crowding in” de investimentos estrangeiros será essencial para o crescimento dos próximos anos. O “crowding in” refere-se ao aumento de investimentos pelo setor privado na esteira de gastos realizados pelo poder público.

Ele mencionou a previsão de concessões e privatizações em infraestrutura, em gás natural, em petróleo, em eletricidade, água e saneamento, ressaltando que o país está aprovando marcos regulatórios para abrir o que chamou de “fronteiras de investimento”.

Ao citar os riscos apontados por investidores em vir para o Brasil, Guedes citou a questão ambiental. Afirmou que as críticas que o Brasil recebe por “matar índios e queimar florestas” são exageradas.

Banco Central

Em outro evento virtual promovido pelo Milken Institute nesta segunda-feira (19), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, também fez projeções sobre o PIB em 2020, que, na sua previsão, cairá 4,5%, de acordo com a Reuters.

A projeção é menor do que a estimada pelo Banco Mundial (5,4%) e também inferior à que constou no relatório trimestral de inflação divulgado pela autoridade monetária em setembro (5%).

Também para o mercado financeiro, de acordo com o Boletim Focus divulgado hoje, o recuo da atividade econômica em 202o será de 5%.

Campos Neto disse que entre os países emergentes, o Brasil foi o que mais gastou durante a pandemia, com o auxílio emergencial e outras medidas. “Mas também fomos o que caiu menos e que teve recuperação mais forte”, afirmou.

Ele reiterou diversas vezes que o país precisa retomar sua credibilidade fiscal. Apenas com isso conseguirá “achatar” a curva dos juros, atualmente bastante pressionada pelas incertezas sobre as contas públicas.