Guedes nega atritos com Congresso em negociações sobre Orçamento

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: paulo-guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, negou hoje (8) haver atritos com o Congresso Nacional na negociação sobre vetos ao Orçamento Geral da União de 2021.

Em evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil–Estados Unidos e pelo Conselho de Negócios Brasil–Estados Unidos, o ministro declarou que o Poder Executivo e os parlamentares estão em parceria contínua na construção do orçamento.

“Pela primeira vez, o governo e o Congresso estão construindo, juntos, o orçamento. É um time que nunca jogou junto. Mas somos parceiros, Poderes independentes que podem cooperar entre si”, comentou o ministro no evento virtual 2021 Brasil Summit.

De acordo com o ministro, houve um acordo político para a aprovação do Orçamento no fim de março que permitiu aos parlamentares inserirem emendas impositivas em programas do governo voltados principalmente para a proteção social.

Guedes e equipe econômica citam entraves nas negociações

Nas últimas semanas, a equipe econômica e os parlamentares têm enfrentado entraves nas negociações para o presidente Jair Bolsonaro vetar pontos do Orçamento aprovado.

Durante a tramitação, o Congresso cortou R$ 26,45 em despesas obrigatórias, como Previdência Social, abono-salarial e seguro-desemprego, para reforçar emendas impositivas. O Ministério da Economia passou a recomendar o veto a parte das emendas para evitar um eventual crime de responsabilidade.

Atribuindo as negociações à estreia na coordenação entre Executivo e Legislativo, Guedes disse que os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), fazem parte da base aliada.

“Tem muito barulho hoje sobre crise política no Brasil e problemas do Orçamento, mas eu espero que seja só barulho. O sinal é de que a coalizão política vai, pela primeira vez, aprovar o orçamento junto. É normal que tenha erros aqui, excessos ali, mas achamos que tudo vai terminar bem”, afirmou.

Cúpula do Congresso contra veto de Bolsonaro

As presidências da Câmara e do Senado se uniram contra a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro vetar emendas parlamentares no Orçamento de 2021, diz o BDM Online.

Conforme o Estadão apurou, o deputado Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidentes das duas casas legislativas, concordam que o Executivo não deve vetar o que foi aprovado pelo Congresso.

Nos bastidores, parlamentares reagem contra a possibilidade de Bolsonaro vetar todos os recursos com a digital do relator do Orçamento, senador Marcio Bittar (MDB-AC), um total de R$ 29 bilhões.

Dentro desse valor, R$ 17 bilhões foram indicados conforme a escolha de deputados e senadores e R$ 12 bilhões entraram para atender pedidos de ministros do governo.

O Ministério da Economia, porém, alertou sobre a possibilidade de Bolsonaro cometer crime de responsabilidade ao sancionar integralmente o projeto, que subestimou despesas obrigatórias para abrir espaço aos repasses políticos.

Guedes fala de empregos, vacinação e PIB

No evento de hoje, o ministro também comentou a geração de 401,6 mil empregos formais em fevereiro, dizendo que o mercado de trabalho está se recuperando da crise gerada pela pandemia de covid-19.

Guedes voltou a prometer a reedição do Programa Emergencial de Proteção do Emprego e da Renda (BEm), afirmando que no ano passado a redução de jornada e a suspensão de contratos ajudaram a preservar 11 milhões de postos.

Na avaliação do ministro, o Brasil está enfrentando a pandemia de covid-19 com a vacinação em massa e disse que o governo está empenhado em aprovar as reformas estruturais, citando a aprovação da autonomia do Banco Central e a quebra do monopólio dos mercados de gás natural e de saneamento.

O ministro negou que o Brasil tenha outra queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 e lembrou que, no ano passado, o PIB caiu 4,8%, enquanto previsões de diversos organismos internacionais previam quedas de 9% a 11%.

*Com Agência Brasil