O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em entrevista para CNN nesta quarta-feira (11) que o Brasil vai usar os recursos das privatizações para abater a dívida pública brasileira. Ontem, o ministro já tinha falado sobre concessões, citando que as quatro primeiras empresas poderiam ser Correios, Eletrobras, PPSA (Pré-sal Petróleo) e Porto de Santos.
“Derrubamos a relação dívida-PIB no primeiro ano de governo. A Covid-19 empurrou a relação para cima neste ano. Vamos derrubar a relação dívida-PIB em 2021. Para isso, vamos acelerar o programa de privatizações”, disse o ministro em entrevista à CNN.
O ministro não detalhou o quanto essas privatizações poderiam abater da dívida pública e disse que esses aspectos devem ser tratados com o secretário especial de Desestatização, Diogo Mac Cord.
Guedes também esclareceu sua declaração de ontem que causou polêmica, de que o Brasil pode “ir para uma hiperinflação muito rápido se não rolar a dívida pública satisfatoriamente”. Segundo ele, a fala foi apenas um “alerta” e tinha o objetivo de destravar as privatizações no Brasil.
Especialistas têm alertado que a dívida pública brasileira pode chegar em breve a 100% do PIB. Em setembro essa relação estava em 90,6%, mas em final de 2019 era 75,8%. Os gastos desse ano, sobretudo em razão da pandemia de coronavírus, explicam parte da evolução.
Guedes acrescentou que quer evitar o que chamou de “endividamento em bola de neve” e a dominância fiscal, que leva o Estado a emitir papel moeda, aumentando sua dívida, elevando aos juros e inflação, por não arrecadar o suficiente para honrar as despesas.
Esses dois fatores, segundo ele, “encurralaram a rolagem de dívida e nos empurraram para hiperinflação no passado”.
Ele, contudo, afirmou que não há riscos de rolagem da dívida “no momento”, pois o país estaria preparado.
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