Guedes diz que acordos políticos dificultam privatizações

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Marcos Correa/Ag. Senado

Acordos políticos dificultam as privatizações, disse hoje (26) à noite o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em evento promovido pela Academia Brasileira de Direito Constitucional, ele declarou que o presidente Jair Bolsonaro tem cobrado privatizações de empresas estatais, mas que a “engrenagem” dificulta os avanços nessa pauta.

“Não conseguimos até agora privatizar empresas. Há acordos políticos que dificultam, há uma mentalidade cultural equivocada”, disse o ministro.

“O presidente tem cobrado [privatizações]. Por alguma razão, a engrenagem política não tem permitido que essas privatizações aconteçam.”

Guedes e a Eletrobras (ELET6)

No final de semana, Guedes disse ter dado como certa a privatização da Eletrobras (ELET6,) — o que fez os papéis liderarem os ganhos do Ibovespa na manhã de segunda-feira (26).

Segundo o jornal O Globo, o ministro afirmou a interlocutores que a privatização da estatal já está acertada no Senado Federal.

Por volta das 11h15, a ação da Eletrobras (ELET6) subia 4,65% – fechando, ao final do pregão, com alta de 1,23%, a R$ 33,75.

Segundo Guedes, as privatizações não foram prioridade no início do mandato porque o governo concentrou esforços na aprovação da reforma da Previdência e mantinha o foco na reforma do pacto federativo.

Onda de investimentos

Com o início da pandemia do novo coronavírus, o governo passou a dedicar-se no enfrentamento à Covid-19.

Apesar dos atrasos provocados pela pandemia, Guedes disse que o governo conseguiu aprovar projetos que pretendem destravar o investimento, como o novo marco regulatório do saneamento.

Ele destacou iniciativas em tramitação no Congresso, como a liberalização dos mercados de gás natural, petróleo, cabotagem, setor elétrico e ferrovias.

Para o ministro, a recuperação do consumo, em boa parte propiciada pelo auxílio emergencial, conseguiu segurar a economia, mas o Brasil só voltará a crescer com uma onda de investimentos.

Democracia

Guedes disse considerar naturais as divergências em relação à vacina contra a Covid-19.

Ele classificou de “liberdade de opinião” os posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro em relação ao tema.

“Não podemos nos emocionar, e derrapar para a intolerância porque alguém está falando algo de que não gostamos. É a liberdade de opinião. Vai tomar vacina ou não? É natural que haja diferença de opinião”, disse.

O ministro disse não acreditar que a democracia brasileira esteja em risco.

Citou a China e a Coreia do Norte como países que não dão liberdade aos cidadãos e disse acreditar que os Poderes tem funcionado de maneira independente e normal no Brasil.

“A democracia tem poderes independentes, é normal que haja demarcação de espaços. Às vezes dois poderes se juntam para conter excesso de um terceiro. É normal”, declarou Guedes.

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*Com Agência Brasil