Guedes descarta novo PAC e aposta em investimento privado para retomada

Paulo Amaral
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Crédito: Foto: Reprodução/Agência Brasil

Paulo Guedes, Ministro da Economia, participou de uma videoconferência com empresários nesta quarta-feira e descartou um novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para a retomada do País.

Na visão de Guedes, a fórmula, adotada pelo Governo Lula, não deu certo na primeira vez e não deve sequer ser cogitada quando a pandemia de coronavírus terminar.

De acordo com o G1, o Ministro da Economia defendeu o investimento privado como o caminho a ser seguido para a retomada econômica do Brasil.

“Porque o caminho do investimento público, o PAC já foi seguido e já deu errado. Se você cavou um buraco, foi para o fundo do poço, através exatamente dessas obras públicas indiscriminadas, a solução para sair do buraco não pode ser cavar mais fundo. Não pode ser repetir a mesma estratégia, fazer um novo PAC”.

Pró-Brasil

Guedes fez questão de esclarecer que seu posicionamento não é contrário ao Programa Pró-Brasil, lançado na última semana por um time comandado por Braga Netto, Ministro da Casa Civil, e sem a sua presença.

“O Braga Netto tem de conciliar projetos setoriais. Isso acontece todo ano. E a economia tem de dizer quanto tem de recursos. O general Braga Netto é o chefe da Casa civil. Ele é o homem que tem que compatibilizar todos os programas setoriais. Naturalmente, todos os ministérios têm os seus projetos. A economia tem que dizer quanto tem de recursos”, explicou.

Simplificação de impostos

O ministro afirmou ainda que a simplificação e a redução dos impostos serão os marcos da retomada econômica impulsionada pelo setor privado.

“É pelo marco regulatório para estimular o investimento privado. Ele não é cavando um buraco mais fundo ainda em um governo que estava quebrado quando chegamos. Começamos a consertar, e alguém agora vai querer propor quebrar de novo”.

Testes e isolamento

Guedes tomou cuidado com as palavras quando o assunto foi o isolamento social, defendido por prefeitos e governadores, mas criticado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Para o Ministro da Economia, os gestores de negócios precisam fazer testes em seus funcionários para, então, “manter a roda girando”.

“Precisamos de empresários fazendo testes. Façam testes. Se a economia vai se movimentar, façam testes semanais. Se está infectado, vai pra casa, não sai. Vai para o isolamento. ‘Ah não, está bem, continua girando’. Mas eu não estou dizendo para sair de isolamento, não estou dizendo nada disso. O que estou dizendo é: ‘vamos nos preparar para ajudar'”.

Empresas

De acordo com reportagem da Agência Brasil, o ministro também voltou a abordar o que está sendo feito para as empresas em meio à pandemia de coronavírus.

Guedes explicou que a liberação dos compulsórios foi usada pelos bancos para negociar com as empresas de grande porte.

“Soltamos primeiro o crédito, liberando compulsórios e esperando a maré de liquidez subir. Mas os bancos, em um momento de crise, pensam primeiro no depositante do que nos tomadores de crédito. Conservadoramente, eles retiveram essa liquidez e renegociaram o crédito de seus melhores clientes, que são as maiores empresas”.

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O ministro lembrou que para as pequenas e médias empresas foi lançado um plano de financiamento para as folhas de pagamentos, enquanto que, para as microempresas, o projeto de lei que vai permitir aos bancos darem empréstimos de valor correspondente a até 30% de sua receita bruta.

Guedes revelou que o total do crédito deve chegar a R$ 16 bilhões, beneficiando 3,5 milhões de micro e pequenas empresas.

Plano emergencial para Estados e municípios

Paulo Guedes também afirmou durante a videoconferência que o acordo com o Senado para o envio de R$ 130 bilhões do plano emergencial de ajuda para Estados e municípios está próximo de ser sacramentado.

Segundo Guedes, Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso Nacional, entendeu a necessidade de haver uma contrapartida de Estados e municípios para que possam receber os recursos da União.

Essa contrapartida é, de acordo com Paulo Guedes, o congelamento nos aumentos salariais de servidores pelos próximos 18 meses.

“Se nós mandamos R$ 120 bilhões, R$ 130 bilhões, extraordinariamente, em alta velocidade, para estados e municípios, esse dinheiro não pode virar aumento de salário. Se não estaríamos nos disfarçando sob o manto de uma crise para fazer um excesso eleitoral, para gastarmos, para fazermos aumento no funcionalismo no meio de uma crise extraordinária, em que milhões de brasileiros estão perdendo emprego”, argumentou o ministro.

As exceções a essa contrapartida e que, portanto, seguem livres para receber aumentos salariais, são médicos, enfermeiros, policiais militares e “todo mundo que está na rua ajudando a população a lutar contra o vírus”, ressaltou o chefe da pasta econômica.

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