Guedes: há recuperação em “V” e criação de empregos impressiona

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
1

Crédito: Entrevista coletiva do ministro da economia, Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira (29) que a recuperação econômica no Brasil está ocorrendo em “V”, em referência a uma reação rápida dos indicadores, e que a criação de empregos está se dando “a um ritmo bastante impressionante”.

Em audiência pública no Congresso nesta quinta-feira (29), Guedes avaliou que o panorama atual não indica uma segunda onda de contágio de Covid-19 no Brasil. Entretanto, garantiu que o governo terá os instrumentos necessários para enfrentar a doença caso ela se estenda por mais um dois anos.

Recuperação do mercado de trabalho

O desempenho “impressionante” da criação de empregos de setembro mencionada pelo ministro se refere às 250 mil vagas criadas. Ele disse esperar que o país repita o feito. E comparou o Brasil ao mercado de trabalho mais flexível do mundo, que é o norte-americano, que demitiu 30 milhões de pessoas.

Juliano Custódio. Henrique Bredda. Luiz Barsi. Gustavo Cerbasi.

Estamos Ao Vivo!

Na pandemia, o saldo da perda de empregos formais está entre 500.000 e 1 milhão. Esse número é o que Guedes considera um “surpresa”. “Um terço da mão de obra formal teve seus empregos preservados, nós conseguimos impedir essa tragédia”, disse.

O programa de preservação de empregos adotado na pandemia, para ele, foi um sucesso, assim como o auxílio emergencial. Guedes o classificou como “extremamente eficiente”, pois evitou convulsão social e manteve sinais vitais da economia. “Manteve o ganha-pão diário das pessoas”, disse.

O desemprego, conforme o ministro, chamou mais ainda a atenção para a agenda da desoneração da folha de pagamentos. “Isso nos convenceu que temos que trabalhar a pauta da desoneração com honestidade”, afirmou.

Covid-19

Guedes disse que a única solução para a Covid-19 é a vacina. Além disso, alertou para a necessidade de avançar em reformas para que o governo tenha mais fôlego para enfrentar uma eventual segunda onda da doença em 2021. 

“Só com a vacina estaremos livres desse pesadelo, antes disso continuamos vulneráveis. Mas se houver segunda onda, com certeza a democracia brasileira dará resposta novamente”, completou.

Caso se confirme, o ministro garantiu que o governo vai trabalhar com o Congresso de forma tão decisiva como fez em 2020. “Vamos corrigir erros e excessos, inclusive pelo aprendizado que tivemos”, completou. 

“A dívida bruta já caminha para 100% do PIB. Mas se houver uma segunda onda daremos resposta e encontraremos os recursos necessários. É como uma guerra, e se a guerra durar três anos vamos enfrentar, mas esse não é o plano A. O que vemos no momento é doença descendo e economia voltando”, afirmou, em audiência pública na Comissão Mista do Congresso Nacional para o acompanhamento de medidas contra a Covid-19.

De acordo com Guedes, a proposta de novo pacto federativo precisa de uma cláusula para prever exceções em calamidades públicas como a atual pandemia.

Programas emergenciais

Conforme o ministro, o Congresso ampliou a base do valor do auxílio emergencial, com todos o méritos. “Eu não podia propor um auxílio maior do que o Bolsa Família”, comentou. “Se foi aumentado muito ou pouco, isso é outra conversa, mas chegamos a uma solução juntos.”

Em compensação, o ministro afirmou que manteria o auxílio emergencial por mais dois ou três anos, se o valor diminuísse. Se fosse entre R$ 200 a R$ 300, o governo conseguiria mantê-lo em caso de continuidade da pandemia.

“O que controla o alcance do auxílio é o fôlego fiscal. Temos fôlego até o fim de 2020, a partir daí é um ponto de interrogação. Não podemos estender medidas como se não houvesse amanhã, não contem comigo. Contem comigo para uma resposta correta politicamente e responsável”, acrescentou.

Imposto digital

Ainda na audiência mista do Congresso, Guedes disse que imposto sobre transações eletrônica que ele planejava implementar desde o início do governo “está morto, não existe”. 

“Do meu ponto de vista o imposto está morto, não tem imposto nenhum, não tem desoneração, não tem como fazer. Inclusive, o presidente, toda vez que o assunto levanta, ele diz: ‘olha, ou tem uma coisa certa ou segura, ou não existe esse imposto’”, disse.

Minutos antes, entretanto, defendeu o tributo, que críticos comparam à antiga CPMF, o que Guedes sempre rechaçou.“As pessoas nem entenderam que tem um futuro digital chegando. O Brasil é a terceira ou quarta maior economia digital do mundo. Nós vamos ter que ter um imposto digital mesmo”, disse o ministro.

Privatização do SUS

Guedes também falou sobre a polêmica de privatização do SUS, levantada ontem depois do decreto assinado por ele e pelo presidente Jair Bolsonaro, permitindo que o Ministério da Economia estudasse incluir as Unidades Básicas de Saúde (UBS) no Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República (PPI).

O ministro disse que a intenção era buscar alternativas para participação do setor privado. 

“Jamais esteve sob análise privatizar o SUS, seria uma insanidade falar isso. Seria como o setor privado ajudar. Vamos fazer o que o setor privado pode fazer. Não entrou em nossa consideração invadir a área de saúde para privatizar, jamais”, afirmou o ministro.