Guedes admite emissão de moeda para combater crise do coronavírus

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil

Paulo Guedes, Ministro da Economia, participou nesta quinta-feira (30) de uma videoconferência com representantes do Congresso Nacional para abordar vários temas ligados à crise do coronavírus.

A Comissão Mista, formada por deputados e senadores, sabatinou Guedes sobre as medidas econômicas já tomadas para combater a pandemia de Covid-19 e o que esperar do País depois que a crise for superada.

Um dos principais pontos abordados por Paulo Guedes foi em relação à emissão de moeda como forma de combater a crise.

Guedes se mostrou favorável à medida, defendida, entre outros, por Henrique Meirelles, ex-Ministro da Fazenda, e pelo ex-presidente Lula, mas criticada por Roberto Campos Neto, principal executivo do Banco Central.

“Bom, economista não tem que ter dogma, é muito fácil fazer inversão de marcha. Se cairmos em uma armadilha de liquidez, em um cenário de inflação zero, o Banco Central pode sim emitir muita moeda e comprar dívida interna. Pode monetizar a dívida, sem gerar impacto inflacionário”, explicou Guedes.

O que você verá neste artigo:

BC é contra emissão de moeda

Em entrevista recente, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, afirmou ser contrário à emissão de moeda porque isso “causa um desequilíbrio financeiro”.

“Eu acho que o argumento de imprimir dinheiro porque a inflação está relativamente baixa é perigoso porque se temos um sistema de meta de inflação que tem assimetrias, se você imaginar que, quando você está embaixo, você vai imprimir dinheiro para atingir a meta, você vai fazer com que o seu equilíbrio de juros neutros seja um pouco mais alto”, declarou Campos Neto, ao UOL.

Estados e municípios

Senado, PEC, Orçamento de Guerra

Assim como já havia feito em uma live da qual participou na quarta-feira, o ministro voltou a afirmar que o programa emergencial de ajuda a Estados e municípios durante a pandemia de coronavírus passou de R$ 88 bilhões para R$ 130 bilhões – R$ 55 bi em transferências diretas.

“Vai ser uma transferência enorme, mas não pode virar aumento de salário de servidor. Tem que manter ônibus circulando, mesmo que não haja movimento, merenda escolar, policiamento etc”, esclareceu.

Guedes confirmou ainda que tem o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a questão do congelamento dos salários do funcionalismo público por um ano e meio como contrapartida ao programa emergencial.

“A opinião pulica brasileira saber que os salários do funcionalismo são 50% acima do setor privado e, enquanto milhões estão sendo demitidos, eles estão tendo estabilidade. Nós só estamos pedindo que contribuam, não pedindo aumento por um tempo”.

Reservas

Paulo Guedes abordou também a possibilidade de vender reservas internacionais como forma de abatimento da dívida pública, e rechaçou a questão.

“Vendemos US$ 30 bilhões de reservas ano passado. Embora o ministro da Economia não deva falar sobre isso, a verdade é que temos discretamente vendido reservas. É redução de divida bruta na veia”.

PIB

O Ministro da Economia confirmou que o PIB projetado para o Brasil em 2020 apresentará forte retração, mas explicou que ela não chegará à casa dos 6% negativos.

“O Brasil ia cair 6%, sendo 2% do choque externo e 4% por desativação interna, mas, na verdade esses 2% de externo não estão acontecendo”, argumentou, estipulando em -4% a retração esperada.

“As exportações para os Estados Unidos e para a Argentina, os dois maiores parceiros depois da China, caíram acima 30%. Para União Europeia caíram 2 ou 3%. Mas para a China, subiram 25%, 26%. Como a China é mais do que a soma de Estados Unidos, Argentina e União Europeia, as exportações brasileiras estão inalteradas”, complementou Guedes.

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Para o ministro, o fato de o Brasil ter ficado de fora das cadeias produtivas globais, que era negativo, acabou se tornando bom para o País após o início da pandemia.

“Acabamos ficando de fora das cadeias produtivas globais. Isso, que era uma maldição, virou uma benção nesse momento, na hora que há uma desorganização dessa cadeias”.

Debêntures e “impressômetro”

Questionado pela senadora Kátia Abreu, do PP-TO, sobre a possível criação de um “impressômetro” para que os parlamentares possam ter fácil acesso aos gastos do Governo Federal com a Covid-19, Paulo Guedes sinalizou positivamente e disse que a criação da ferramenta “tem total apoio” por parte dele.

O Ministro da Economia também foi questionado pela senadora sobre a extensão da emissão de debêntures para cooperativas e jogou a “bola” para o Banco Central.

“Essa questão de debêntures para cooperativas está com o Banco Central. Estão analisando e acho interessante”, pontuou.

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