Kallas: construtora familiar de SP espera levantar R$ 2 bi com IPO

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Empresa familiar tocada por três engenheiros, o Grupo Kallas espera levantar R$ 2 bilhões com a Oferta Pública Inicial (IPO) prevista para este segundo semestre.

Focada no Estado de São Paulo, a companhia, com quase quatro décadas de atuação, quer consolidar sua marca nas regiões metropolitanas do Estado e eventualmente expandir sua atuação para outras regiões.

O grupo atua em todas as frentes relacionadas à construção civil: incorporação, construção, vendas, loteamentos e imobiliária por meio de quatro subsidiárias.

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A Kallas é mais uma candidata à novata na bolsa brasileira neste ano de 2020. Para saber mais sobre a atual onda de IPOs, clique aqui.

A origem da empresa

O Grupo Kallas foi fundado em 1983 pelo engenheiro Emílio Kallas.  A empresa iniciou suas atividades com foco na construção e incorporação de unidades residenciais econômicas, no âmbito de programas habitacionais patrocinados pelos governos federal e estadual,  mas desenvolveu um portfólio de negócios nos diversos segmentos e nichos do mercado imobiliário.

Quando criou a empresa, na década de 1980, o foco estava na construção de empreendimentos econômicos.

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Porém, em meados dos anos 1990, mesmo com a baixa oferta de crédito ao consumidor final, o Grupo Kallas passou a atuar também no mercado de média e alta renda. Nos anos seguintes, o grupo diversificou ainda mais sua atuação e passou a desenvolver empreendimentos como hotéis e shopping centers, sempre no Estado de São Paulo.

Em meados de 2007, foi realizado o spin off para reestruturar a companhia e iniciar a segregação dos seguimentos de atuação.

Com o agravamento da crise econômica no país entre 2014 e 2018, o Grupo Kallas optou por diminuir o ritmo de lançamentos imobiliários e, em seguida, aproveitou para comprar terrenos com preços mais baixos e mais bem localizados.

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“Essa habilidade permitiu nosso crescimento em um período em que a maioria das empresas do setor enfrentaram problemas e se viram obrigadas a encolher ou até mesmo encerrar as atividades”, diz a empresa.

A estrutura do grupo

Nos últimos anos, a empresa passou por uma reorganização societária que levou a uma reorganização dos negócios do grupo, já bastante diversificado.

Em 2015 foi constituída a KV, uma imobiliária própria que atua com foco na venda de estoques e em futuros lançamentos. No ano seguinte, criou a incorporadora Kazzas,  para atuar no Programa Minha Casa Minha Vida. A atividade de loteamento passou a ser operada pela empresa  K’URB. Em 2020, as atividades de médio e alto padrão ficarão sob o guarda-chuva da Kallas Arkhes.

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Desta forma, hoje o Grupo Kallas é formado por empresas independentes que atuam na construção, incorporação, vendas e properties. A Kallas funciona como uma espécie de holding, pois engloba quatro subsidiárias:

  • Kallas Arkhes: incorporada responsável por empreendimentos de médio e alta padrão, fundada em 2006;
  • Kazzas: construtora e incorporadora com foco em empreendimentos de padrão econômico, incluindo Minha Casa Minha Vida;
  • K’URB: empresa especializada em loteamentos;
  • KV: imobiliária responsável pelas vendas dos empreendimentos da companhia por meio de mais de 500 corretores.

Quem comanda o grupo é o fundador e presidente Emílio Kallas, de 69 anos. Segundo a empresa, com o objetivo de “perenizar os negócios, a sucessão da companhia foi cuidadosamente planejada”. Portanto, os dois filhos de Emílio, Thiago e Raphael, ocupam os cargos de co-presidentes executivos. Ambos são engenheiros civis e estão há mais de um década na empresa.

Números da Kallas

Nos primeiros seis meses de 2020, a Kallas teve um lucro de R$ 15 milhões. Houve aumento do lucro em relação ao mesmo período de 2019, quando foram registrados R$ 11,9 milhões de lucro.

No primeiro semestre de 2020, mesmo com o atual cenário de pandemia de Covid-19, a receita de vendas foi de R$ 136 milhões e o preço médio de venda dessas unidades variou entre R$ 130 mil e R$ 2 milhões. No mesmo período do ano passado, a receita foi de R$ 70 milhões.

Em 30 de junho, a dívida bruta da companhia era de R$115,3 milhões.  “Não tenho dívida corporativa. Só as das obras. O dinheiro novo é todo para crescimento”, disse Kallas à revista Exame, em maio.

A construtora afirma ter um banco de terrenos com Valor Geral de Vendas (VGV) superior a R$ 10 bilhões.

Mais de 95% dos terrenos da empresa estão na região metropolitana de São Paulo.

Nos 37 anos de atuação, a Kallas lançou empreendimentos com um VGV total de R$ 8,1 bilhões. Ou seja, somando, aproximadamente, 150 mil unidades residenciais entregues, e mais de 10 milhões de m² construídos.

Até a data do prospecto preliminar, em junho de 2020, a empresa tinha 19 empreendimentos em andamento.

Sobre o IPO

A Kallas protocolou o pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) em 6 de agosto. Assim como muitas empresas, o grupo havia paralisado seu IPO por conta da pandemia. Mas decidiu retomá-lo com a gradual melhora da economia.

A oferta contemplará a distribuição primária de novas ações e a distribuição secundária de ações de titularidade dos acionistas vendedores. Porém, outras informações como preços, datas e detalhes do IPO ainda não estão disponíveis.

Os acionistas vendedores na tranche secundária são Emilio Esper Kallas e os filhos Raphael Esper Kallas e Thiago Esper Kallas.

Credit Suisse, Itaú BBA, Bank of America Merrill Lynch, Safra, BB Investimento e Caixa Econômica Federal vão coordenar a oferta.

Ainda não há informações sobre valores da captação. Mas em maio Emílio Kallas declarou à revista Exame que pretendia levantar R$ 2 bilhões com a oferta.

Objetivos da Kallas

No prospecto, a Kallas afirma que os recursos da oferta secundária serão integralmente repassados, nas respectivas proporções, aos acionistas vendedores.

Entre os objetivos da Kallas estão a execução de obras dos terrenos com VGV potencial bruto superior aos R$ 10 bilhões e a expansão e consolidação da sua atuação nas regiões metropolitanas do Estado de São Paulo. Hoje a empresa está presente em 11 cidades de São Paulo. Ela pretende crescer para regiões onde ainda não atua. Mas também não descarta expandir para outros Estados.