Grupo Avenida: conheça a rede de modas que está na fila para IPO

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A rede de modas das regiões Centro-Oeste e Norte do país Grupo Avenida é uma das empresas que está na fila dos IPOs deste ano.

Com 130 lojas físicas espalhadas por estas regiões, a companhia também vende por meio de e-commerce e quer expandir sua atuação. O foco é crescer principalmente nos Estados em que já atua, remodelar lojas e ampliar os serviços financeiros oferecidos aos clientes.

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Vamos conhecer melhor o Grupo Avenida?

História da empresa em três fases

Fundado em 1978, o Grupo Avenida foi comandado pela mesma família, crescendo organicamente com constante evolução nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil.

A empresa divide sua história em três fases:

Fase I: Fundação e Expansão Regional. Ailton Caseli abriu a primeira loja em 1978, na cidade de Cuiabá, no Mato Grosso, com a venda de tecidos em um espaço de, aproximadamente, 50m², após acumular alguns anos de experiência nas Casas Pernambucanas. Em 1989, realizou a primeira expansão extra estadual do Grupo Avenida, em Vitória, no Espírito Santo. Na década de 1990, houve a introdução da segunda geração da família nos negócios e o aproveitamento de uma nova oportunidade: compra e aluguel de 5 lojas das Casas Pernambucanas próximas de encerrarem suas operações. Com novas unidades, o fundador gerou recursos para fretar um avião de pequeno porte visando conhecer e mapear novos municípios sem acesso por voos comerciais, contribuindo para o planejamento estratégico da abertura de novas unidades.

Fase II: crescimento acelerado e aperfeiçoamento da gestão. Em 2001, a empresa contava com cerca de 30 lojas, incluindo a primeira presença em um shopping center. Nesses locais, o Grupo Avenida tinha o maior número de competidores de grande porte no varejo nacional, inclusive outras grandes redes, o que fez com que as práticas de gestão e logística para operar em centros comerciais se aprimorassem. Entre 2001 e 2010, a companhia aumentou o número de lojas físicas para 69, quando a empresa adicionou novo CEO. Com isso, decorreram diversas iniciativas de inovação e melhorias. Foi feita a mudança do centro de compras de Cuiabá para a cidade de São Paulo e centralização da logística em um único centro de distribuição localizado em Campo Grande.

Fase III: capitalização, profissionalização e expansão digital. Em 2014, o Grupo Avenida consolidou o escritório em São Paulo, a fim de continuar estreitando os relacionamentos com os principais parceiros do país, bem como a empresa recebeu investimento do fundo de investimentos Kinea, oferecendo capitalização e ampliação a governança corporativa. Com a necessidade de uma estratégia multicanal, foi lançada em 2019 a operação de e-commerce como uma etapa inicial do mapa de expansão do canal digital. Paralelamente, a empresa iniciou uma estratégia comercial embasada nos pilares de exposição em canais de mídia, aumento da satisfação do consumidor e motivação da força de vendas com remuneração variável atrativa.

Sobre o negócio da empresa

O Grupo Avenida afirma ser a empresa de vestuário líder em número de lojas nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil e um dos principais one-stop-shops de vestuário para as famílias das classes econômicas C-D-E do Brasil, que representa uma população de mais de 180 milhões de brasileiros.

O diversificado portfólio de produtos que aposta na qualidade e preços acessíveis, inclui roupas, calçados, cama, mesa, banho e acessórios de telefonia organizados para servir o público masculino, feminino e infantil.

A empresa atende esse público através das 130 lojas físicas localizadas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país, bem como na plataforma online de comércio eletrônico.

O modelo de negócios do Grupo Avenida foi desenvolvido para atender os 86%3 de brasileiros pertencentes às classes C, D e E.

Segundo a empresa, eles se diferenciam dos concorrentes, entre outras razões, por operar um grande número de formatos de loja em diferentes localidades, oferecer soluções de crédito e possuir um baixo “risco de moda”, demonstrado pela menor quantidade de itens dependentes das tendências de moda e da tradicional queima de estoque das coleções defasadas em relação aos nossos concorrentes.

“Com isso, acreditamos que nossa gestão minimiza o efeito adverso da sazonalidade, explorando a flexibilidade que temos em nossas 11 categorias vendidas a preços competitivos”, diz o Grupo Avenida no prospecto preliminar.

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Grupo Avenida

Distribuição geográfica do Grupo Avenida

A base de lojas está estrategicamente distribuída entre as bandeiras Avenida com 110 unidades, e Giovanna (Avenida Calçados) com 20 unidades, e geograficamente presentes em múltiplas unidades federativas do Brasil.

Dentre as 130 lojas em funcionamento, cerca de 54% estão localizadas no Centro-Oeste, 28% estão localizadas no Norte e os 17% remanescentes estão distribuídos em 4 estados, sendo eles: Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Maranhão.

“Apresentamos uma capacidade notável de operar diferentes formatos de lojas, seja por geografia, tipo ou tamanho de loja, o que nos garante uma flexibilidade única em nosso modelo de negócio”, diz o Grupo Avenida.

A companhia está tanto em regiões metropolitanas como em cidades menores do interior, sendo que mais de 70% das unidades estão em municípios com população entre 20 mil e 500 mil habitantes, nos quais a empresa enxerga oportunidade para capturar participação, atendendo regiões que, na visão da empresa, carecem da atenção dos concorrentes.

“Desse modo, além de possuirmos a versatilidade de operar lojas de rua, lojas em shopping centers ou supermercados, o tamanho de nossas lojas pode variar até 10 vezes, adaptando nossas lojas à demanda de nossos clientes e mantendo um alto padrão de execução entre todos os formatos”, explica a companhia.

Grupo Avenida

Dados econômico-financeiros

O Grupo Avenida registrou lucro líquido de R$ 6,8 milhões em 2018 e R$ 25,3 milhões em 2019. Mas, no ano passado, houve prejuízo de R$ 51,1 milhões.

O Ebitda ajustado da empresa saiu de R$ 90,6 milhões (2018) para R$ 129,7 milhões (2019) e R$ 79,6 milhões (2020).

Já a receita líquida da empresa cresceu de R$ 637,8 milhões em 2018 para R$ 677,9 milhões em 2019, porém depois caiu para R$ 641,3 milhões.

Grupo Avenida

Vantagens competitivas 

  • Liderança no varejo de vestuário em regiões de alto crescimento no Brasil;
  • Foco nas classes C-D-E que representam a maioria do povo brasileiro;
  • Flexibilidade para operar diferentes formatos de loja em geografias variadas;
  • Time de executivos com longo histórico no setor varejista e práticas reconhecidas e estabelecidas de governança corporativa.

A estratégia do Grupo Avenida

A empresa tem vasta experiência no varejo focado no público C-D-E e em regiões interioranas do Brasil. Com isso, eles afirmam que possuem uma visão diferenciada do potencial que ainda é possível alcançar nas regiões de atuação e o melhor momento para transcender barreiras e expandir operações em novos locais.

“Aliando essa visão com detalhado planejamento da nossa estratégia de longo prazo, foi possível desenvolver um mapa de oportunidades para investirmos nossos esforços”, diz o Grupo Avenida.

Assim, os objetivos abrangem cinco principais avenidas de crescimento:

  • Continuidade da estratégia comercial focada no cliente;
  • Planejamento detalhado da expansão da base de lojas;
  • Retrofit das lojas atuais;
  • Ampliação dos serviços financeiros oferecidos à base de clientes;
  • Expansão da plataforma digital e da multicanalidade.

Principais fatores de risco

  • O surto de doenças transmissíveis no Brasil e/ou no mundo, a exemplo da Covid-19, provocou e pode continuar provocando um efeito adverso nas operações, inclusive paralisando integralmente ou parcialmente os canais de venda.
  • Caso haja interrupção ou alteração na operação normal do centro de distribuição, bem como caso o Grupo Avenida não consiga encontrar locais adequados ou enfrentemos outras dificuldades relacionadas ao estabelecimento de novos centros de distribuição, os resultados podem ser materialmente afetados.
  • A empresa depende do sistema de transportes e infraestrutura brasileiros para entregar os produtos, sendo que qualquer atraso relacionado a transporte e infraestrutura pode afetar negativamente as necessidades de abastecimento e a distribuição de produtos a lojas e clientes.
  • O fato de as lojas serem espaços públicos pode gerar consequências que podem causar danos materiais e à imagem das lojas, além de causar eventual responsabilidade civil.
  • O Grupo Avenida ocupa imóveis localizados em shopping centers. Em decorrência disso, a atividade da companhia é diretamente afetada pelo funcionamento regular destes centros de compras.

Detalhes do IPO

A empresa protocolou seu pedido de IPO na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em março deste ano.

A oferta será primária (quando os recursos vão para o caixa da empresa) e secundária (quando os acionistas vendem uma fatia de suas ações).

De acordo com o prospecto preliminar, a empresa deve usar os recursos líquidos obtidos com a oferta para investimentos em logística e tecnologia; abertura de novas lojas; reformas das lojas existentes (retrofit) e liquidação de dívidas.

Os acionistas vendedores serão os sócios pessoa-física do Grupo Avenida Ailton Caseli, Christian Caseli e Rodrigo Caseli.

A oferta tem como coordenador líder o banco Itaú BBA e como agente estabilizador o banco Santander. E conta ainda com o UBS Brasil e Citigroup.