Grandes varejistas renegociam aluguel devido ao coronavírus

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
1

Crédito: Divulgação/Via Varejo

Devido ao fechamento de vários pontos de venda para contenção da propagação do coronavírus e a consecutiva queda de faturamento, levou grandes empresas, como Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Marisa (AMAR3), Via Varejo (VVAR) e Magazine Luiza (MGLU3) a renegociarem o valor do aluguel de lojas, conforme informou reportagem do Valor.

Em algumas situações, as negociações iniciais andaram, mas em outras, há um endurecimento maior. A exemplo disso, a Via Varejo interrompeu os pagamentos a locadores suas mil lojas e seus centros de distribuição, o pegou os proprietários de surpresa.

A Via Varejo (dona de Casas Bahia e Ponto Frio) e a Marisa negociam os termos de pagamento com o próprio sócio controlador, que na maioria das vezes, é o maior locador das lojas. Michael Klein, principal acionista da Via Varejo, loca 300 pontos comerciais à companhia (entre lojas e galpões) e a família Goldfarb, fundadora e maior sócia da Marisa, aluga dezenas de pontos à rede de vestuário.

Segundo reportagem do Valor, a Via Varejo comunicou todos os locadores, através de carta, que suspenderia o pagamento do aluguel referente a março, com vencimento em abril. Ainda informou que não existe previsão para regularização.

“Contatamos a empresa e buscamos negociar, mas a advogada deles informou que era uma decisão geral. Não falam em parcelar ou postergar, dizem apenas que não vão pagar. Como é uma locação para vários membros da família, não podemos ficar sem esse recurso”, disse Alessandra Hilário, filha de um dos locadores de um ponto comercial em São José dos Campos (SP).

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Outro locador que possui 4 lojas da capital paulista afirmou ao Valor que foi informado no início do mês sobre o não pagamento e que isso é efeito da receita “zero” em vendas em lojas físicas nas últimas semanas. Aproximadamente  70% da receita da empresa vem das lojas, hoje fechadas.

A suspensão dos pagamentos aconteceu depois da Via Varejo informar a analistas, em março, que detém uma forte posição de caixa para lidar com a crise, aproximadamente R$ 4,4 bilhões. De acordo com uma fonte ouvida pelo Valor, a decisão faz parte do processo de negociação que deve avançar. Além disso, a varejista vem conseguindo migrar parte das vendas em lojas físicas para o e-commerce em ritmo superior ao previsto.

Em teleconferência de resultados no mês passado, Roberto Fulcherberguer, presidente da Via Varejo disse que “obviamente, com as lojas fechadas, vamos, sim, tomar uma atitude em relação ao valor pago dos aluguéis. Já há vários shoppings sinalizando como isso acontecerá, e também estaremos proativos em nossa tomada de decisão”.

Fulcherberguer ainda informou que a companhia teria um posicionamento igualitário tanto para as lojas da família Klein, quanto para aluguéis de outros proprietários. “E, sinceramente, tenho certeza de que a família estará muito atenta e participativa neste momento de dificuldade. Loja fechada não gera faturamento”, acrescentou, na ocasião.

De acordo com o Valor, os locadores esperam o mesmo tratamento para todos, apesar de entenderem que existem contratos de maior e menor volume financeiro.

Várias companhias vêm renegociando os termos de contratos com fornecedores e locadores. Normalmente, as grandes redes possuem alto poder de barganha.

As condições dos contratos podem determinar o preço do aluguel sobre percentual da venda ou como valor mínimo negociado. Com os pontos de vendas fechados, o aluguel em cima do volume comercializado deixa de existir.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro há shoppings oferecendo descontos de 50% no aluguel nos meses em que as lojas estiverem fechadas e outras isentando do pagamento. E existem shoppings de São Paulo que preferem negociar com cada locatário, conforme apuração do Valor.

Em nota, a Marisa disse que está conversando com todos os fornecedores para nenhum dos lados sai prejudicado. A C&A diz que entende a fase atual e busca “opções para manter as relações comerciais saudáveis”.

Já a Renner afirmou que “sempre adotou uma postura de parceria com os empreendedores e proprietários, nunca deixando de honrar seus compromissos”.

LEIA MAIS

Com a crise, aluguéis de escritórios em SP têm descontos e renegociação

Azul (AZUL4) negocia com governo e fornecedores para manter a saúde financeira