Inspire-se na trajetória de 6 grandes investidores brasileiros

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Conhecer os erros e acertos de grandes investidores e entender como eles acumularam seu patrimônio é uma boa estratégia para quem deseja ter sucesso no mercado financeiro – ou simplesmente ter uma boa rentabilidade para viver bem.

Nos últimos meses, publicamos uma série de textos sobre os maiores investidores brasileiros e suas trajetórias. São eles: Victor Adler, Luiz Alves Paes de Barros, Guilherme Affonso Ferreira, Antônio José Carneiro, Luiz Barsi e Lírio Parisotto.

Em comum, eles têm uma longa trajetória na bolsa de valores, estratégias claras e muitos milhões investidos.

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  • Aqui, você confere uma palhinha de cada um deles e pode acessar os links para ler o conteúdo completo.

Victor Adler

As ações que ajudaram a impulsionar a sua fortuna estão na Eternit (ETER3) e na Oi (OIBR4).

Diretor Presidente da corretora Vic DTVM, Adler também é membro dos Conselhos de Administração da Confab, da Unipar e da Forjas Brasileiras.

Em 2003, época em que o amianto estava proibido na França, Adler percebeu a oportunidade de mercado que se abria. E não deixou passar.

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Com outros dois grandes investidores, Lírio Parisotto e Luiz Barsi, comprou ações da Eternit. A empresa produz coberturas de fibrocimento e telhas de concreto. Os investidores aproveitaram a saída da multinacional francesa Saint Gobain (que controlava a Eternit) para comprar ações.

O trio, então, adquiriu uma parcela significativa da companhia. Cientes de que o amianto continuava permitido em outros países, apostaram na fabricação de telhas com o componente para atender esses mercados. No Brasil, o amianto só foi proibido em 2017.

Em 5 anos, os sócios, impulsionados pela visão do carioca fizeram a Eternit alcançar um crescimento de 180%.

A partir de 2009, a empresa, já consolidada, passou a diversificar seus negócios. Investiu na venda de louças e metais sanitários,

A Eternit tem em seu histórico a fama de boa pagadora de dividendos. Foi assim que Adler construiu boa parte de sua trajetória na bolsa, ganhando o respeito do mercado.

Foi também em 2019, ano do “nascimento” da Eternit Solar, que Victor Adler aumentou sua participação acionária na empresa de telefonia Oi. Hoje ele detém 4,7% das ações PN e a 0,1% do capital total da Oi, que está em recuperação judicial.

Leia mais sobre a trajetória de Adler clicando aqui

Luiz Alves Paes de Barros

O investidor, formado em economia pela Universidade de São Paulo (USP), é dono de uma fortuna avaliada em R$ 6 bilhões, fruto de seu trabalho, e não da herança da família, dona de uma das maiores usinas de açúcar do País.

Avesso aos holofotes, ganhou o apelido de “bilionário fantasma”. Começou sua caminhada rumo à fortuna bem cedo, quando tinha somente 16 anos.

Nessa época, entrou no mercado financeiro ao comprar ações do Comind, banco dos grandes lavradores de São Paulo. Nos anos 80, com pouco mais de 30 anos, Luiz Alves juntou-se a Luis Stuhlberger, um dos maiores gestores do Brasil. Eles foram sócios na corretora Griffo, que mais tarde se uniu a Hedging e, em 2006, foi vendida ao  Credit Suisse.

Uma das grandes sacadas de Luiz Alves Paes de Barros foi ter investido em ações do Banco Real. Isso antes da venda da instituição para a ABM Amro, no fim da década de 1990.

Ao acumular cerca de 5% de capital do banco por 20 anos, recebeu uma bolada de US$ 100 milhões no momento da venda para os holandeses. O valor era 40 vezes maior do que seu investimento inicial.

Em 2003, o investidor criou o fundo Alaska Poland, que chegou render 1000% na primeira década.

Magazine Luiza (MGLU3): o “tiro certo” do investidor

Em 2015, o que já era um sucesso virou referência com a criação da gestora Alaska Asset Management, em parceria com Henrique Bredda e Ney Miyamoto.

O fundo conseguiu um retorno de 350% em pouco mais de dois anos e chamou a atenção do mercado.

Boa parte do resultado se deveu à aposta nas ações do Magazine Luiza.  Os papéis da varejista valorizaram 15.000% em menos de três anos. Em 2017, o fundo rendeu R$ 780 milhões ao já gordo patrimônio do investidor.

Nos anos seguintes aos investimentos no Magazine Luiza, o fundo passou a aproveitar os preços baixos das commodities para inserir as grandes exportadoras em suas carteiras.

Dica simples, mas valiosa

 “Comprar barato para vender caro”. Essa dica, aparentemente simples e que “todo mundo sabe”, é o segredo do sucesso de um dos maiores investidores do Brasil.

Alves é adepto do “value investing”.  Isso significa procurar por ações que estejam sendo comercializadas abaixo do real valor. Depois, esperar sua recuperação e, então, fazer dinheiro na venda.

“Se cair eu compro, se subir, eu vendo. Mercado tem todo dia”, costuma dizer o investidor.

Leia mais sobre as dicas de Luiz Alves clicando aqui

Guilherme Affonso Ferreira

Ele é conhecido no mercado por adotar a “contramão” como receita do sucesso.

Apelidado de “contrarian investor”, Ferreira vinculou sua trajetória a setores normalmente vistos com desconfiança pelo mercado. Isso porque apresentam falhas conjunturais, como fatores políticos e macroeconômicos.

Fã da análise fundamentalista, o investidor gosta de estar próximo das empresas que investe. Em geral, atua como conselheiro ou  indica alguém de sua confiança para ocupar uma cadeira no conselho.

O início desse investidor 

Antes de começar a investir na bolsa e acumular fortuna, Ferreira cursou Engenharia de Produção na Escola Politécnica da USP. Após se formar, saiu do País para ganhar experiência em estágios na Austrália, EUA, França, Alemanha e Suécia.

Ao voltar para o Brasil, juntou-se ao pai, que era revendedor de uma das maiores empresas de máquinas, motores e veículos pesados do mundo, a Caterpillar.

Em uma entrevista à revista da FGV, ele contou da experiência que teve no negócio da família e como se tornou investidor. “Sabíamos que um dia haveria uma concentração no número de revendedores e precisávamos nos preparar para isso”, lembrou. Ferreira conta que quando a empresa estava bem e queria comprar os vizinhos, eles não queriam vender porque também estavam indo bem. Quando iam mal, as outras revendedoras também iam mal. Isso porque viviam do mesmo negócio.

“Eu já acompanhava o mercado de ações e sugeri: “Quando estivermos em um ano bom, vamos pegar o excesso de caixa e comprar ações em indústrias que tenham ciclos completamente diferentes do nosso”.  E foi o que começaram a fazer na década de 1980, na bolsa de valores.

Em 1986, o investidor comprou ações do Unibanco durante o Plano Cruzado. Ele apostou que a instituição era a mais preparada para enfrentar a crise que atingia o País, e acertou em cheio.

As ações do Unibanco se valorizaram de forma astronômica nos anos seguintes e transformaram o investidor em um mito do mercado financeiro.

Leia mais sobre Guilherme Affonso Ferreira e pegue suas dicas de investimento

Antônio José Carneiro (Bode)

Conhecido desde a infância pelo apelido de “Bode”, por conta de seu sobrenome,  o bilionário é pouco conhecido do grande público embora esteja no mercado desde a década de 60.

Esse mineiro começou a carreira como caixa do banco Mercantil. Virou gerente, mas largou tudo para ser operador em uma corretora, a Multiplic.

Em 1993, Antônio José Carneiro, ainda ao lado de Ronaldo Cezar Coelho, comprou a Losango, financeira especializada em crédito pessoal.

Quatro anos após a aquisição, a empresa já valia US$ 1 bilhão. Carneiro e seu sócio decidiram vender a empresa. Mas o grupo britânico Lloyds Bank, que também tinha participação no negócio, foi contra.

Os brasileiros decidiram sair do negócio em 1997, embolsando cada um US$ 300 milhões.

Hoje, a Losango pertence ao Bradesco, que comprou as operações do HSBC no Brasil em 2015.

Diversificação multiplicou fortuna do investidor 

 A venda da fatia da Losango permitiu a Antônio José Carneiro diversificar seu portfólio de investimentos.

A aposta seguinte foi no grupo Ipiranga. Logo na sequência,  o investidor partiu para o setor de energia. Esse segmento é até hoje a principal fonte de sua fortuna. Também apostou pesado na área de construção civil.

Carneiro investiu principalmente na Energisa (ENG111), onde também é conselheiro. E também colocou parte da fortuna na construtora João Fortes (JFEN3), que está em recuperação judicial. Na construtora, Carneiro detém 12,9% das ações e foi presidente do conselho até abril deste ano.

Em 2006, o “Bode” comprou por US$ 152 milhões as ações do grupo americano Alliant Energy na Energisa.  Junto com a família Botelho, controladora da empresa, Bode é um grande influenciador nas decisões da empresa.

Clique aqui e conheça mais da história de Antônio José Carneiro na bolsa

Lírio Parisotto

Dono de uma fortuna estimada em US$ 1,6 bilhão, Parisotto é o fundador da VideoLar, primeira fabricante de videocassetes do Brasil e pioneira na produção de DVDs e Blu-ray.

Além disso, o investidor construiu boa parte de sua fortuna de mais de US$ 2 bilhões por meio de ações.

A história de como Parisotto saiu de uma fazenda no interior do Rio Grande do Sul para fazer sucesso no mercado financeiro e profissional você acompanha nos próximos parágrafos.

Insistência: chave do sucesso do investidor 

Reconhecido no mercado financeiro por adotar estratégias de investimento similares às do bilionário Warren Buffett, Parisotto  formou-se em Medicina após trabalhar na fazenda dos pais no RS e ganhar experiência profissional como bancário, comerciante e gerente de um frigorífico.

A fortuna, no entanto, viriam do mercado financeiro.  A 1ª experiência, ainda na década de 1970, foi frustrada, e fez o investidor perder o equivalente a um Fusca.

Ele não desanimou e, em 1986, dois anos antes de abrir a VideoLar, tentou pela 2ª vez. Investiu R$ 500 mil, mas precisou vender dois anos depois e acabou perdendo 50% da aplicação total.  No início dos anos 90, voltou à bolsa.

Carteira de ações

Em 1998, Lirio Parisotto fez um investimento de US$ 6 milhões. Montou uma carteira com 12 ações, que mantém até hoje. mantém até hoje, com investimentos nos setores de Siderurgia, Mineração, Energia e Bancário.

Perdeu cerca de R$ 600 milhões com a crise global de 2008, mas manteve a calma…e a carteira.

Aproveitou a baixa para comprar mais e recuperou o prejuízo. Hoje, conta em seu portfólio com ações de empresas como Celesc, Banco do Brasil, Eletrobras, CSN, Usiminas, Braskem, Vale, Light, Cielo e Eternit.

Quer saber mais de Parisotto? Então clica nesse link

Luiz Barsi

O maior investidor pessoa física da Bolsa de Valores brasileira é um senhor de 81 anos, que dá expediente no centro de São Paulo e dispensa luxos. Com uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões, Luiz Barsi construiu seu patrimônio com uma estratégia baseada em dividendos.

Para se ter uma ideia, no ano passado, recebeu cerca de R$ 300 mil mensais de participação no lucro de uma única companhia, a Eletrobras. Sua carteira tem ainda outros nomes, como Itaúsa, Klabin, Grupo Ultra, Eternit.

Ao contrário de outros bilionários brasileiros, que herdaram suas fortunas ou os negócios da família, Barsi começou do zero. Perdeu o pai, um imigrante italiano, quando tinha apenas um ano de idade. Foi criado pela mãe, imigrante espanhola, em um cortiço, no bairro do Brás, em São Paulo.

Para ajudar em casa, foi engraxate aos 7 anos e vendeu balas no cinema. Aos 14, começou a trabalhar em uma corretora de valores e se interessou pelo universo dos investimentos.  Tornou-se  técnico em contabilidade, depois se formou em Direito e em Economia.

Como tudo começou…

Foi na década de 1970, às vésperas de se tornar economista, que Barsi criou o método que anos depois o tornaria bilionário: “carteira previdenciária de ações”.

A estratégia passa longe da aposta no sobe e desce das ações para aumento do capital. Sua aposta era na perenidade e no longo prazo.

Barsi criou um método aparentemente simples, mas que exigia paciência: comprar mil ações de uma mesma empresa mensalmente durante 30 anos.

A partir do oitavo mês, de acordo com o economista, os dividendos recebidos são suficientes para reinvestir e não é mais necessário tirar dinheiro do bolso.

“É investir em bons projetos, é uma parceria de longo prazo, você se torna um pequeno dono dessas empresas”, comentou, ao site da revista Exame.

Em entrevista para a CNN Brasil, Barsi afirmou que, depois de 10 anos de “paciência e disciplina” seguindo essa fórmula, estava aposentado. “Não como desejava, mas já não precisava mais trabalhar.”

Dividendos, o “segredo” desse investidor 

“Sem trabalhar, sentado nesta cadeira, a Eletrobras me dá o equivalente a R$ 300 mil por mês. Um salário bem razoável”, brincou, em recente entrevista à CNN.

Apesar da frase aparentemente ter conotação ostentosa, na verdade, Barsi não é o típico bilionário extravagante.

“Já tive R$ 3 bilhões, mas também já tive R$ 500 milhões. Não faço a conta”, afirmou, assegurando que não sabe quanto é seu patrimônio, mas se interessa muito pelos dividendos pagos pelas empresas em que investe dinheiro.

“Eu me dei conta de que o empresário, dono de uma empresa de capital aberto, vai sempre ter uma aposentadoria. Isso porque, além de seu trabalho, vai sempre ter um rendimento do negócio dele chamado dividendo.” Barsi diz que nem fica acompanhando o Ibovespa. “E não dou nenhum valor para o patrimônio, patrimônio não te alimenta. O que te alimenta é o dividendo, a renda que esse patrimônio gera, e é para isso que eu olho. O meu DNA é dividendo”, completou.

Acompanhe neste link mais sobre a história do maior investidor brasileiro da bolsa