GPA (PCAR3) quer dar prioridade a modelos premium em 2021 e abrir 150 lojas em três anos

Karin Barros
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação

O GPA (Grupo Pão de Açúcar) (PCAR3) afirmou nesta quarta-feira (24) que o seu modelo premium de lojas, do Pão de Açúcar, será prioridade em 2021, segundo reportagem do Valor Investe.

Eles preveem abrir 50 unidades do Pão de Açúcar em três anos e 100 unidades do Minuto Pão de Açúcar também nesse prazo, informa o Valor.

A ideia, diz o site do jornal, é que modelos premium sejam 40% da rentabilidade no futuro. No Pão de Açúcar é 26% e na rede Minuto, 30%.

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No mesmo dia, o grupo divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2020. O lucro líquido totalizou R$ 1,598 bilhão, um desempenho 17 vezes superior ao registrado em igual período de 2019.

Desempenho questionado

A empresa foi questionada por analista sobre desempenho de venda do Pão de Açúcar ainda abaixo dos outros formatos, de acordo com o Valor.

O Pão de Açúcar cresceu menos que a empresa em 2020, segundo o balanço do quarto trimestre.

O comando, prossegue a reportagem do jornal, disse que houve migrações de consumidores entre cidades ao longo de 2020, com a pandemia, que fez parte dos clientes mudarem de residência. Além disso, houve migração de clientes da bandeira para formatos mais baratos.

“Vamos mitigar esses efeitos em 2021, com um movimento contrário do que vimos [em 2020]”, disse Jorge Faiçal, presidente do braço de varejo do GPA, informa reportagem do Valor.

Estratégia central

Segundo ele reportou ao Valor Econômico, o “nível de Ebitda do Pão cresceu” e “um evento de curto prazo [a pandemia] não irá mudar a estratégia central daqui para frente”.

Ele ainda disse que a marca própria Taeq teve faturamento acima de R$ 4 bilhões em 2020, segundo o jornal..

Sobre o formato de hipermercados Extra, o GPA reforçou, ainda conforme o Valor, que vem mudando a política comercial em certas categorias de lojas, operando com preço mais baixo de forma constante e menos promoções — algo que ocorre desde 2020 —, e afirmou que isso começou com 23 lojas.

A ideia da empresa, lembra a matéria do jornal, é expandir essa estratégia para outras unidades, para mais 80 lojas até junho.

Fechamento de lojas

Faiçal foi perguntado se o GPA ainda pode fechar hipermercados do grupo — a empresa chegou a dizer em fevereiro que fecharia 10 unidades com desempenho baixo.

Nesta quarta, a direção afirmou, reporta o Valor, que esse encerramento pode afetar de 5 a 6 hipermercados Extra deficitários.

O comando voltou a responder dúvidas de analistas sobre a linha de “outras despesas”, como efeito de contigências fiscais.

Em teleconferências recentes, esse assunto já havia sido abordado pela diretoria financeira, por ser uma linha frequente nos balanços.

O grupo disse que tem provisionado essas contimgências e não há risco adicional neste ano.

As vendas brutas do GPA no Brasil no braço de varejo cresceram 6,6%, para R$ 8,2 bilhões.

O lucro líquido foi de R$ 1,2 bilhão, versus perda de R$ 44 milhões um ano antes.

Controle da pandemia e demanda instável

As primeiras semanas do ano foram de demanda mais instável, com prefeitos adotando comportamentos “erráticos” na estratégia de controle da pandemia, e pelo fato de existirem semanas melhores de vendas seguidas de outras piores, diz o comando do Grupo Pão de Açúcar (GPA), segundo o Valor Econômico.

Sobre a questão dos prefeitos, ele menciona que, em algumas cidades, os novos ocupantes do cargo passaram a adotar posturas diferentes dos antigos prefeitos, mesmo sem necessariamente uma mudança no quadro de contágio.

“Houve uma generalização do toque de recolher em certas regiões e há um aumento do lockdown noturno. Isso muda toda a operação da loja à noite”, diz, ainda de acordo com a reportagem do Valor Econômico.

Menos tíquetes

Faiçal destaca ainda que ainda se vê um número menor de tíquetes nas lojas, mas com valor por compra maior, como se verificou em parte do ano passado, no início da pandemia e do isolamento social, segundo o Valor.

Isso ocorre quando o cliente continua indo menos aos pontos de venda para evitar a circulação nas ruas, e quando ele faz a visita, precisa estocar mais produtos.

“Achávamos que isso iria diminuir, mas não mudou”, disse.

Foco na ampliação

Mesmo sendo um ano com incertezas, pela queda em renda e alto desemprego, a rede entende que a atenção maior no braço premium com ampliações previstas é um posicionamento de longo prazo, para elevar rentabilidade (é a bandeira mais rentável do GPA) e não reflete apenas questões econômicas pontuais.

A cadeia, continua a reportagem do Valor, decidiu estender para lojas de modelos mais antigos conceitos bem avaliados na loja da nova geração.

Os açougues de pontos mais antigos, por exemplo, receberão mudanças implementadas no formato novo.

“Com isso, eu faço mais com menos. Com R$ 4 milhões de uma remodelagem de loja eu consigo fazer reformas em padarias de 100 lojas”, diz.

Migração de clientes

De acordo com o jornal, Faiçal ainda destacou que apesar da pandemia, que favoreceu a venda de alimentos, o Pão de Açúcar acabou se expandindo menos que outros formatos do grupo em 2020, em parte, pela migração de clientes.

“O consumidor da classe B que ia ao Pão antes, hoje compra o básico no atacarejo e complementa com compra no Pão. Nem na crise de 2015, o atacarejo cresceu tanto em vendas no país como na pandemia”, diz Faiçal.

No curto prazo, para equilibrar essas pressões num ano ainda volátil, a empresa reforçou o posicionamento mais competitivo em preço no hipermercados Extra e tem ampliado crescimento do CompreBem, supermercados com preços também mais combativos.