Governo vai usar dados de teles para monitorar movimentação de pessoas durante isolamento

Angélica Weise
Jornalista formada pela UNISC e com Mestrado pela UFSM. Escreve sobre tecnologia, política, criptomoedas e atualidades.
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Crédito: Dean Moriarty por Pixabay

A tecnologia será uma grande aliada para que o governo consiga monitorar a movimentação das pessoas durante o isolamento. A parceria será com as operadoras de telecomunicação, como Vivo, Claro, Oi, Tim e Algar e vai durar durante o período da calamidade pública do país. A reportagem é da Agência Brasil.

De acordo com informações do sindicato das empresas do setor (Sinditelebrasil), serão repassados dados agregados e anonimizados da circulação dos seus clientes.

Esses dados irão permitir o governo visualizar “manchas de calor” da concentração de pessoas em localidades de todo o país. Assim, é possível ver onde estão ocorrendo as aglomerações.

As informações são de quando e onde ocorreram essas conexões entre usuário e redes das operadoras. O presidente executivo do Sinditelebrasil, Marcos Ferrari explicou como vai funcionar:

“O que nós estamos disponibilizando para o governo é este dado estatístico agregado. Não vamos falar em número de linha nem em nome da pessoa. Em tal dia estavam conectadas tantas linhas em tal antena. Isso é um mapa. Olha por cima do país e enxerga como se dá a concentração de pessoas, deslocamento delas por meio deste mecanismo estatístico”, disse Ferrari.

E ainda ressaltou que:

“A forma como o governo vai usar esse dado pode ser de diversas maneiras. A gente não vai interferir nisso, pois é uma decisão do governo. Pode ser uma universidade que pode fazer esse uso dos dados, ou empresa terceirizada que lide com inteligência artificial. Para isso governo está botando a governança dele para aplicar de maneira eficiente estes dados”.

Transparência de dados

Para Thiago Moraes que é conselheiro do Laboratório de Políticas Públicas e Internet da Universidade de Brasília (Lapin)  estes dados não devem ser usados para outras finalidades:

“O Art. 6º atenta para que o tratamento seja limitado ao mínimo necessário, e se evite o uso excessivo dos dados. Isto significa, entre outras coisas, que uma vez superada a crise, os dados coletados devem ser eliminados. É importante também que tão logo uma política pública seja definida, sua finalidade seja transparecida à população [o princípio da transparência previsto no art. 6º]”.

O que preocupa alguns é saber como os dados da grande maioria da população serão tratados.