Governo tenta salvar MP do Contrato Verde e Amarelo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Jefferson Rudy / Agência Senado

O governo Jair Bolsonaro (sem partido) tenta a última cartada para salvar a Medida Provisória (MP) 905/19, que cria o contrato de trabalho Verde e Amarelo e que caduca nessa segunda-feira (20). A MP foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada, mas encontrou forte resistência no Senado Federal.

Sem acordo com os líderes, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), retirou a matéria da pauta e não pretende recolocá-la nesse segunda-feira, dia em que ela perde a validade, a não ser que um acordo seja firmado em torno do texto aprovado na Câmara, do relator Christino Aureo (PP-RJ).

Durante o final de semana, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE, foto), tenta unificar o discurso e sensibilizar os líderes. É a última chance do governo. “Estamos intensificando as conversas para tentar aprovar a MP na segunda”, disse o senador à CNN Brasil, na manhã de sábado (18).

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Trabalho árduo

Não será um trabalho fácil. Especialmente porque os senadores estão sensíveis ao atrito criado pelo próprio Jair Bolsonaro, também em entrevista à CNN Brasil, quinta-feira (16), falando que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está “conduzindo o Brasil para o caos”.

A resposta do parlamento brasileiro veio em duas medidas simples que minaram a possibilidade de aprovação da MP a tempo. Primeiro, a tirada de pauta. Segundo, a Casa designou como relator da matéria o senador Rogério Carvalho (PT-SE), líder do partido e fortemente contrário à MP.

“O texto altera mais de 100 artigos da CLT e há rejeição da maioria das lideranças à ele”, afirmou o relator à CNN Brasil.

Governo tem outra opção

Sem base formada nem na Câmara, nem no Senado, o governo tem uma outra opção para tentar salvar a matéria: deixar a MP perder a validade e editar outra Medida Provisória acerca do tema, que teria mais 6 meses de duração.

Pode também inserir os trechos que achar mais importantes em outras MPs que já estão em tramitação no Senado e tentar salvar pedaços da 905/19.

Mesmo assim, com o próprio governo criando atritos fortes com as lideranças do Legislativo e incentivando sua massa de apoiadores a agredir Rodrigo Maia nas redes e carreatas, não se sabe se essas opções vingarão.

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