Governo recebe cartas do varejo que repudiam alta nos juros

Paula Soares Amador
Colaboradora EQI
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, receberam cartas de associações representantes de varejistas, lojistas e shopping centers, segundo reportagem publicada no portal Valor Econômico.

As cartas são críticas aos bancos, e repudiam o “aumento expressivo das taxas” de juros, que em alguns casos são maiores que 70%, mesmo após a atual crise da pandemia do novo coronavírus.

Na última segunda-feira (30), a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) reavaliará a estimativa de expansão do setor, de 7% no ano atual, para a metade. Se o índice for atingido, será o pior depois de décadas.

A pior performance ocorreu no ano de 2016, quando as vendas aumentaram 4,3%.

Aumento de taxa após pandemia

As cartas foram assinadas pela Abrasce, IDV (instituto do varejo), CNDL (dos dirigentes e lojistas), da CACB (confederação das associações comerciais) e da ABF (entidade do setor de franquias).

Pedem medidas emergenciais de apoio aos setores e alegam, segundo Valor Econômico, um “aumento expressivo das taxas, com médias superiores a 50% e, em alguns casos, acima de 70% em operações habituais do varejo”, conforme consta no texto enviado ao Banco Central.

Essas operações incluem capital de giro, conta garantida, antecipação de recebíveis, risco sacado e empréstimos em moeda estrangeira. 

O presidente da Abrasce, Glauco Humai, disse, segundo o Valor Econômico, que “houve um aumento mesmo em linhas de risco quase zero, como recebíveis. Já recomendamos na carta opções para aumentar a liquidez do mercado”.

Outros pedidos ao BC e a Guedes

Foram solicitadod ao presidente do BC linhas de crédito únicas para franquias com pagamento em 60 meses e carência de dois anos.

Mais: liberação de recursos do Fundo de Aval às Micros e Pequenas Empresas, garantidos pelo Sebrae, para serem usados como capital de giro.

Em carta direcionada a Guedes, pediram autorização para a compensação de créditos de tributos federais, trocando por débitos previdenciário em aberto;

Pediram também a suspensão por 80 dias do PIS e Cofins, para quitação em 12 vezes, no próximo ano e sem juros e o refinanciamento dos impostos federais.