Governo projeta déficit de R$ 149,6 bi em 2021, com crescimento do PIB de 3,3%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Crédito: Portal NTC

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2021, apresentado nesta quarta-feira (15) pelo governo federal, prevê um crescimento de 0,02% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2020. Para 2021, o crescimento projetado é de 3,3%, chegando a R$ 8,15 trilhões.

A PIB de 2020 deve chegar a R$ 7,556 trilhões, segundo o projeto, elevando-se nos anos seguintes, para R$ 8,150 trilhões em 2021, R$ 8,700 trilhões em 2022, e R$ 9,287 trilhões em 2023.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do Brasil, foi dimensionado em 3,05%, ao final de 2020. Mas o índice sobe nos anos seguintes, com a retomada do consumo, sem a crise a do novo coronavírus, para 3,65% (2021), 3,50% (valor que se repetiria em 2022 e 2023).

A LDO vai ser enviada nessa quarta ao Congresso Nacional.

Outros parâmetros macroeconômicos

A LDO construída pelo governo também expõe expectativas para outros parâmetros macroeconômicos.

A taxa Selic média fecharia 2020 em 3,77%, passando para 4,36% ao ano em 2021, 5,56% em 2022, e 6,04% em 2023.

O dólar foi projetado a R$ 4,42 ao final de 2020, R$ 4,29 em 2021, R$ 4,20 em 2022, e R$ 4,25 em 2023. Essa estabilidade projetada pelo governo federal na LDO está longe de ser vista durante a pandemia. O dólar tem oscilado sempre acima dos R$ 5, desde março, e nessa quarta-feira (15) fechou a R$ 5,234.

O salário mínimo deve ser estipulado em 2021 em R$ 1.079, contra os atuais R$ 1.045. Para 2022, a projeção é de R$ 1.120; e para 2023, de R$ 1.160.

Déficit Primário

O projeto da LDO 2021 estipula um déficit primário de R$ 149,61 bilhões, o que representa 1,84% do PIB.

A receita primária total está avaliada em R$ 1,671 trilhões, ou 20,51% do PIB.

Já a despesa primária total fica em R$ 1,821 trilhões, 22,35% do PIB, sendo R$ 1,501 tri de despesas sujeitas ao Teto de Gastos e uma menor parte, R$ 319,36 bilhões, não sujeita à regra impeditiva.

A transferência a estados e municípios por Repartição de Receitas é de R$ 282,74 bilhões.

Números defasados

Com a crise do novo coronavírus se estendendo por um prazo ainda indefinido, economistas divergem bastante dos números apresentados, especialmente no que se referem ao crescimento do país.

O relatório Focus, compilado pelo Banco Central com dados de mais de 100 instituições financeiras e divulgado na segunda-feira (13), mostra uma previsão de queda do PIB em 1,96%.

Mas relatório do Banco Mundial divulgado no domingo (12) é ainda mais sombrio: prevê PIB negativo de 5%. Em 2021 e 2022 a previsão é de 1,5% e 2,3%, respectivamente.

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